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O quê você faz quando reencontra alguém que não vê a algum tempo? Seja alguém que viu pela última vez a um mês, seja alguém que viu no ano passado, ou alguém que não vê a muitos anos. Quanto mais tempo você passa sem ver alguém, mais perguntas você faz, sobre o quê ela andou fazendo e sobre as experiências que teve, você quer saber das últimas novidades.

Mas e aquela pessoa que você viu ontem? Aquela pessoa com quem você trabalha, com quem você estuda, as que moram com você e até a que dorme ao seu lado. Pense rapidamente, quantas vezes você fez perguntas simples como:

“Dormiu bem?”

“Como passou a noite?”

“Gostou do almoço?”

“Como está sendo seu dia?”

Tantas vezes queremos saber sobre aquela viagem incrível feita por aquele famoso que divulgou tudo on-line. Mas e aquelas pessoas que com você divide parte da vida delas?

Aquela pessoa que você encontrar com frequência no ônibus, na fila do supermercado, na reunião da escola, essa pessoa divide parte da vida dela com você. Mesmo quando não queremos, mesmo quando não prestamos atenção, ou até quando evitamos, existem pessoas dividindo suas vidas conosco e nós estamos dividindo nossas vidas com elas.

Já participei dos mais variados retiros, acampamentos, viagens, finais de semana, encontros, como cada um decide como chamar e quais diferenças e semelhanças encontram entre eles. Estive pensando nisso hoje, enquanto estava na missa, o primeiro domingos advento.

O tempo do advento é um tempo todo especial na igreja, caso você não sabia, o Advento (do latim Adventus: “chegada”, do verbo Advenire: “chegar a”) é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Para nós cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde nós fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivemos o arrependimento e promovemos a fraternidade e a Paz.

Por isso é comum nesse período surgirem várias iniciativas de encontros, retiros, partilhas, ações sociais, desafio de oração, de leitura da Bíblia e todo tipo mais de atividades que buscam de alguma forma nos preparar para esse momento especial que é o Natal.

Foi nesse espírito que recordei-me do final de semana Alpha do qual participei, o Percurso Alpha é um percurso cristão de formação cujo qual recomendo, principalmente para quem deseja iniciar ou está iniciando na fé, mas não vou dar muitos detalhes hoje, como um bom sem nome, jogo aqui a semente recomendo que conheçam a riqueza da igreja também por esse caminho.

Durante o final de semana com eles, entre os momentos de formação, descontração, orações e muitos outros, uma coisa despertou-me, a atenção aos detalhes.

Quando você vai a um hotel e ao pegar a toalha de banho está bordado o nome do hotel nela, isso é atenção aos detalhes, mas no caso do hotel é proposital, eles desejam que a marca deles fique bem presente na nossa memória.

Mas a equipe do Alpha não demonstrou atenção proposital aos detalhes, eles demonstram atenção natural aos detalhes. Não precisavam de muito para isso, bastava algumas simples perguntas como as que citei no início e um pouco de atenção para as respostas. Sim, atenção nas respostas, pois tantas vezes fazemos perguntas das quais não desejamos e/ou não nos importarmos realmente com as respostas.

Este não era o caso das pessoas no Alpha, a pergunta era feita e a atenção dada a resposta era igualmente importante. Era possível notar isso neles e isto era o que fazia daquele um final de semana especial, as palestras, os louvores, as partilhas, os sorrisos, cada momento que facilmente pode ser visto em vários outros tipos de iniciativas, eram acrescidos de atenção especial aos detalhes.

Pela manhã, sentei em um sofá que estava no corredor, no horário do café da manhã, cerca de 15 pessoas passaram por mim, todas elas me perguntaram se eu havia dormido bem, me perguntaram se eu já tinha tomado café, me chamaram para ir até lá. Depois de responder repetidas vezes que não tinha o hábito de me alimentar naquele horário, uma me chamou atenção.

Uma criança, garoto que deveria ter uns 5 cinco anos, ao perguntar se eu já tinha comido e ao ouvir minha resposta ele foi em direção ao refeitório, voltou minutos depois, segurando um pedaço de bolo com a boca e com dois copos de suco nas mãos. Estendeu a mão e me entregou um dos copos, depois segurou o bolo com a mão e disse.

“Peguei bolo só para mim pois você não come, não há açúcar no sumo, minha mãe não deixa eu comer açúcar de manhã”.

Ele sentou do meu lado e começou a comer e conversar comigo, ele ficou surpreso e um pouco assustado quando descobriu que açúcar era um dos ingredientes do bolo. Ele me pediu para contar a mãe dele e explicar que ele não sabia, brinquei com ele o tranquilizando disse que com certeza a mãe dele já sabia que bolo tinha açúcar, ele podia ficar tranquilo em relação aquilo.

Todos estão vivendo desafios dos quais não sabemos nada, mas se perguntarmos muitos vão nos contar e por isto eu peço aqui um favor, não faça perguntas das quais você não tem interesse na resposta. Não pergunte porque é educado fazer, se você deseja ser educado um bom dia, um sorriso, um aperto de mão olhando nos olhos já resolve.

Talvez para nós o quê vamos ouvir é pura bobagem, uma tolice que resolveríamos rapidamente, mas atenção para o detalhe, não é você que está vivendo, você está ouvindo, para o outro que está vivendo sim é importante. Você não vai saber o quanto é importante para alguém não por açúcar no suco, ao menos que dê a atenção necessária a ele.

Durante o advento, seja qual for a maneira como você pretenda se preparar para a chegada do Menino Deus no Natal, dê atenção especial aos detalhes nesse período. Lembre-se que os Reis Magos encontraram Jesus por prestarem atenção em uma única estrela, esse era o detalhe deles e a estrela contou a eles a direção certa. Quem sabe qual das pessoas que diariamente dividem uma parte, mesmo que pequena e sem perceber, da vida delas com você será a estrela que te indicará a chegada do Menino Deus no seu Natal.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.