Movendo-se pelo mundo como católico
CRESCENDO NA PUREZA ADULTA 
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CRESCENDO NA PUREZA ADULTA 

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Como podemos penetrar nessa “outra visão das possibilidades do homem”? Como progredir da pureza “negativa” para a “positiva”? Começo com uma citação do Papa, acrescentando algumas reflexões pessoais. 

Para crescer na pureza, “precisamos”, diz ele, “abraçar uma educação progressiva de autocontrole da vontade, dos sentimentos, das emoções; tal educação deve evoluir partindo dos atos mais simples, através dos quais toma-se relativamente fácil pôr em prática as decisões anteriores” (24.10.1984). Por exemplo: quais são seus hábitos alimentícios? Se você não é capaz de dizer não a umas batatinhas fritas, como conseguirá dizê-lo à atraente luxúria? 

Jejuar é um meio fantástico de progredir no controle das paixões. Se isto ainda não faz parte de sua vida, comece com um sacrifício simples e relativamente fácil de praticar. Na medida em que continua exercitando esse “músculo”, verá sua força crescendo. O que uma vez parecia impossível, aos poucos vai-se tornando possível. 

A comparação do músculo, no entanto, só é aplicável em parte. Crescer na pureza exige, evidentemente, esforço humano, mas também somos ajudados pela graça sobrenatural. Aqui é importante distinguir entre vício, repressão e redenção. Quando a luxúria “arde” no interior da gente, a maioria acha que só existem duas opções: deixar-se levar por ela ou reprimi-la. Se fossem as únicas opções, qual delas pareceria mais “santa”? A repressão. Talvez seja por isto que muitos cristãos enfrentam sérios problemas sexuais. Mas ainda bem que existe uma terceira opção. Ao invés de empurrar a luxúria para o subconsciente e tentar ignorá-la ou aniquilá-la, melhor seria entregar nossos sentimentos de luxúria a Cristo e suplicar-lhe que nos livre deles. Na medida em que fazemos isto, “o Espírito do Senhor dá nova forma aos nossos desejos” (CIC n. 2764). Ou seja: ao permitirmos que a nossa luxúria seja “crucificada”, experimentamos também a “ressurreição” do plano original de Deus sobre o desejo sexual. Não instantaneamente, de um momento para outro, mas pouco a pouco, gradativamente. Na medida em que tomamos, dia após dia, a nossa cruz e a carregamos, começamos a sentir o desejo sexual como o poder de amar como Deus ama. 

Mas para essa transformação, só uma vontade firme não basta; requer-se também uma fé sólida. É o Espírito Santo que transforma nossos corações, que “recalibra nossos pneus”. E a fé, como se recorda, é a abertura do coração humano ao dom de Deus, o Espírito Santo (cf. DV n. 51). Quando a luxúria tentar você, ou mesmo o dominar, reze uma oração como esta: 

Obrigado, Senhor, pelo dom dos meus desejos sexuais. Entrego-vos esses desejos e peço, por favor, pela força da vossa morte e ressurreição, que “desenroleis” em mim tudo o que o pecado enrolou, de modo a experimentar o desejo sexual de acordo com a vossa intenção, como o desejo de amar à vossa imagem.

Para fortalecer ainda mais seu desejo de “morrer” para a luxúria, poderá também colocar-se em forma de cruz, com braços e mãos abertos, repetindo a oração acima. O objetivo aqui é harmonizar-se com Cristo, carregar “no corpo a morte de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste em nossa existência mortal” (2 Cor 4,10). 

A resolução de não se entregar à luxúria pode ser muito difícil, pode até causar contorções emocionais e físicas. Parece que poucos homens e mulheres experimentam a liberdade para a qual Cristo nos libertou, porque, ao sentirem na pele esse tipo de “crucificação”, ao invés de prosseguirem no caminho que leva à ressurreição, “descem da cruz”. Mesmo quando os cravos começam a furar as mãos e o peso da cruz parece esmagador, não desista, vá em frente! Você está à beira de passar da morte para a vida, da luxúria para o verdadeiro amor. Somente quando estamos dispostos a morrer com Cristo, podemos viver a vida ressuscitada que ele nos oferece. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Fonte: WEST, C. Teologia do corpo para principiantes: uma introdução básica à revolução sexual por João Paulo II. Madrid: Myrian, 2008.

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