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Nos tempos que vivemos estamos passando por algumas limitações, estamos precisando reduzir nossas idas e vindas a lugares públicos, aquele rolê aleatório com amigos está em muitos lugares ainda impossibilitado, muitos ainda não conseguem visitar suas famílias e tantas outras limitações. Mas você já pensou no que que fará quando a vida social voltar a sua flexibilidade habitual e você reencontrar aqueles que ama?

No ano passado eu conheci um homem no restaurante da universidade, ele muito sério e calado, sempre fazendo cara de poucos amigos. Eu chegava, entrava no restaurante, ficava na fila, pegar os utensílios e ia pegar a refeição e lá estava ele em seu posto de trabalho. Recordo-me da primeira vez que lhe dei um bom dia, o silêncio foi a resposta que recebi.

Dia após dia ao chegar onde ele estava o bom dia recebia silêncio como resposta, sabia que ele não era mudo, pois ele por vezes perguntava qual a escolha que desejávamos quando o cardápio permitia e nós entregava conforme a nossa resposta, então sabia que ele estava ouvindo.

Era uma escolha dele não responder e foi minha escolha não parar de insistir. Até que um dia eu precisei viajar e ausentei-me por uns dias, quando retornei da viagem na semana seguinte voltei ao meu habitual horário de almoço. Mas dessa vez tudo foi diferente, ele não só respondeu o bom dia, como também falou comigo, perguntou como eu estava porque percebeu minha ausência naquela semana, pensou que eu estivesse doente.

Aquele dia foi um dia de almoço muito feliz, no primeiro momento pensei está fazendo um grande progresso porque alguém que não respondia nem bom dia percebeu minha ausência e sentiu minha falta. Mas nada como um pouco de tempo para conseguirmos olhar para algo de mais de uma forma.

Sair para tentar comprar algumas coisas e encontrei com ele no caminho, ele esboçou um leve aceno com a mão e depois com a cabeça, naquele momento eu percebi que a iniciativa foi dele e que poderia ser do jeito dele dessa vez e não do meu, eu retribuir fazendo o mesmo e cada um seguiu seu caminho sem precisamos trocar uma só palavra, dissemos um ao outro que estávamos bem, que estávamos contentes em saber que o outros também estava bem, que foi bom rever-nos, e tantas outras coisas que um aceno discreto e um olhar silencioso podem dizer.

Depois desse considerável tempo de distanciamento social, muitos podem estar esperando grandes reações, grandes gestos ou longas conversas com aqueles que não encontram a algum tempo. Mas tudo bem se nenhuma dessas coisas não acontecerem, não se sintam menos importantes, tão pouco menos amados se não for da maneira que você acredita que deve ser a reação do outro, lembre-se que o outro é o outro e não você.

Se você é o tipo de pessoa que continua desejando bom dia mesmo que a outra pessoa não responda, não deixe de fazer isso, muitas pessoas ao seu redor podem está precisando ouvir essas poucas palavras que serão essenciais para o dia delas, quem sabe para a vida delas.

E se você é o tipo de pessoa que não consegue responder sempre, não se machuque por isso, não precisa tentar mudar tudo em você da noite para o dia para que os outros saibam que você se importa.

Não importa qual dos tipos de pessoa você seja, desde que isso não impeça você de tentar, todos somos diferentes e que bom que somos, não precisamos ser iguais, pois não somos imitadores uns dos outros, somos imitadores de Jesus Cristo e como ele precisamos aprender a compreender o outro por várias maneiras, um olhar, um gesto, um sorriso, uma lágrima e até mesmo um silêncio.

Precisamos, assim como Cristo, buscar compreender o outro até mesmo por um detalhe e sendo o outro imagem e semelhança de Deus, como gostamos de dizer aqui nos sem nome.

Percebam Deus nos pequenos detalhes do outro

Graça, Paz e Misericórdia

Arte: Helga Stentzel