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Mas a quê preço?

Em tempos de opniões fortemente embasadas em grandiosos nadas, quantas vezes você já sentiu-se realizado por ter feito seu ponto de vista se sobrepor sobre os demais?

Vamos viajar um pouco no tempo, a depender de sua idade um pouco mais ou um pouco menos. Lembra quando você era criança e brigava com o amiguinho da escola? Você lembra quando você brigava com seu irmão em casa ou com aquele vizinho com quem você brincava todas as tardes? Você lembra o que acontecia?

Você pode até não lembrar muito bem, mas no geral acontecia uma coisa muito curiosa, nós brigávamos, gritávamos, batíamos e apanhávamos, chorávamos, ficávamos de mau, mas do nada, sem muita explicação, de uma forma mágica voltávamos ao início, éramos amigos novamente. Há quem diga que isso acontecia porque quando se é criança somos muito inocentes, outros podem afirmar que criança não guarda rancor porque não tem memória de longo prazo, outros vão dizer que naquele tempo a vida era mais fácil, mais simples.

Independente do motivo, todos nós tínhamos uma coisa em comum naquela época, éramos obrigados a conviver, salvo as poucas excessões, não podíamos mudar de escola por brigar com nosso amiguinho, não convencíamos nossos pais a morar em outro lugar porque não gostávamos mais do nosso vizinho. Muito menos deixamos de ser irmãos, primos e afins só porque brigamos. Quem nunca ouviu ou disse durante as brincadeiras de infância

“A rua é pública!”

Esta frase, que se aplicava a rua, a calçada, ao parquinho e a tantos outros lugares que na infância nós habitamos e neles aprendemos a conviver como sociedade, delineou o entendimento de muitos de nós. Por isso eu faço a pergunta.

“Quando esquecemos o que aprendemos enquanto crianças?”

Acompanhei no Twitter o combate feroz de milhares de pessoas após padre Fábio de Melo expressar sua opinião sobre uma realidade brasileira. Não pretendo entrar no mérito se ele está certo ou errado, tão pouco de seus defensores ou acusadores. Pois isto não me surpreendeu, nem tão pouco chamou minha atenção, ele é uma figura pública, comentando um assunto polêmico que divide opiniões, já era de se esperar.

Seria muito interessante ter acompanhando um debate sobre o tema, numa plataforma aberta onde todos pudessem se expressar livremente, no entanto, como eu disse, acompanhei um combate. Em sua grande parte sem argumentos, repletos de ofensas e acusações, daria um excelente quadro, quem ofender mais vence. E lá estava um acúmulo de certezas vazias, de ofensas degradantes e de acusações infundadas, todas infladas pela ausência da convivência humana.

A convivência é o quê nos torna humanos, de uma forma natural a convivência faz com que nos tornemos mais empáticos uns com os outros, faz com que nos preocupemos mais em como nossas ações, nossas palavras e até mesmo nossas omissões iram reverberar no meio em que vivemos. Mas aquela sensação equivocada de que a internet é impessoal e que lá tudo pode, vem fazendo de nós menos humanos, estamos prontos a nós importar menos com o que afirmamos, porque lá na web não somos obrigados a conviver com ninguém, estão a nossa disposição recursos super poderosos mais o unfollow, o dislike e se insistirem muito, basta dar bloc, afinal de contas, não somos obrigados não é mesmo?

Que pena que não somos obrigados, não digo obrigado só sentido literal da palavra, mas que bom seríamos se sentíssemos com mais frequência que temos obrigação de ouvir, de conviver, de respeitar o próximo, mesmo sendo na diferença. Não precisamos e por ventura não devemos concordar com posições que divergem da nossa, mas a nossa humanidade depende da nossa capacidade de conviver em harmonia.

Então quando estiver pronto para demonstrar que sua opinião, o faça com amor, pois o debate é sempre bem vindo, mas o combate por vezes pode ser evitado, basta lembrarmos que por detrás de cada avatar de usuário existe alguém que não deve ser usado, mas pode com a sua ajuda ser amado e assim humanizado.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.