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Ontem a noite eu fui para a reunião do terço dos homens na paróquia, uma iniciativa do padre de implementar essa devoção na paróquia que até então não a tinha. Para um primeiro encontro foi bastante revigorante na fé, cerca de 20 homens de várias faixas etárias atenderam ao chamado. Mas o quê mais me chamou a atenção foram as quatro crianças que lá estavam, elas tinham entre 6 e 11 anos estavam lá com os pais. Durante a oração do terço, subiram ao altar e conduziram mistérios junto com seus pais e aquela cena mexeu comigo.

Existe um ditado popular que diz “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, muito usado por pessoas que desejam que os outros façam algo que elas mesmas não fazem. Tantas vezes desejamos que nossas crianças se encaminhem na fé, numa fé que professamos com palavras, mas que muitas vezes não a professamos com atos. Fui durante muitos anos catequista e muitas crianças eu acompanhei durante anos na catequese sem nunca ter conhecido seus pais. As chamadas crianças órfãs de pais vivos, como costumava dizer, estavam ali pela própria fé e pela graça de Deus que as chamavam, mas seus pais, por qualquer que fossem seus motivos, nunca apareceram.

Muitos jovens acompanhei em catequese de crisma e nunca encontrei seus pais na igreja, muitos paroquianos argumentavam

“o crisma é um sacramento de maturidade, o jovem vem porque quer, não precisa dos pais”.

Lembrei-me de muitos que defendiam ideias como essa hoje, na festa da Apresentação do Senhor, eu rezei por eles, pois se o próprio Deus Vivo, foi fiel a lei e por seus pais foi levado ao templo (Lc 2, 22-40). Quem somos nós para nos esquivarmos da responsabilidade de conduzirmos nossas crianças e nossos jovens na fé?

Por muitas vezes é comum ouvirmos reclamações dos pais que não estão percebendo mudança alguma em seus filhos mesmo eles indo para a igreja toda semana. Minha pergunta para eles sempre é.

“E quantas dessas semanas você está vindo a igreja junto com seus filhos?

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, pode até funcionar com outras coisas, mas com a fé não. Com a fé precisamos sermos verdadeiros, precisamos abraçar a verdade, não devemos fingir a fé, tentar atuar dizendo aos outros o que devem fazer sem que nós mesmo o façamos. Jesus Cristo nosso maior e absoluto exemplo, se fez homem e habitou em nosso meio para nos dar exemplo vivo, não para que vivamos de aparências e cobranças vazias. Há um ditado judaico que diz,

“O bom exemplo constitui o melhor e mais eficaz sistema de educar os filhos.”

Simplesmente enviar seus filhos para a igreja todo final de semana não fará deles bons cristãos. Ajoelhar-se do lado deles, diante do alta do Senhor, oferecer a eles o teu exemplo é um caminho muito mais firme, como está escrito nas sagradas escrituras,

“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Pr 22, 6).

É nossa obrigação enquanto cristãos abraçamos a responsabilidade de educarmos as crianças e jovens na fé desde cedo. Pois muito se fala em nosso tempo sobre preocupar-se com o futuro das próximas gerações, mas que futuro é esse que queremos? Preparemos o futuro não só da carne, mas também do espírito, é nossa obrigação prepararmos as próximas gerações para a vida eterna, então antes de desejamos salvar o mundo, comecemos hoje com pequenos atos, ensine uma criança a fazer o sinal da cruz.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.