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O parlamento português busca realizar um debate a respeito da despenalização da eutanásia. Na simplicidade das palavras, dar o direito de matar aqueles que sofrem, que não tem condições claras de recuperação. Antes que alguém diga que a família pode querer acabar com o sofrimento. Se você é católico, desculpe, você não entendeu nada, não entendeu absolutamente nada do que Cristo ensinou (Mt 10, 8).

E antes que alguém levante o dedo para dizer que a pessoa tem o direito de escolha, eu vos proponho um experimento. Passe três dias seguidos acordado, sem comer nada e sem beber água, no início do terceiro dia você deve sair de casa e ficar ao sol, passe o dia no sol e quando o sol se pôr, pegue uma folha em branco e assine seu nome. As chances de você conseguir assinar seu próprio nome direito são muito pequenas. Então quando você estiver apoiando a morte de alguém, no mínimo seja verdadeiro e diga que você quer ficar livre do trabalho que você tem com a pessoa, você estará buscando o seu conforto e não o dela. Porque se em três dias vocês provavelmente se tornou incapaz de assinar seu próprio nome direito, não espere que alguém com a saúde comprometida e desiludida com a possibilidade de recuperação seja capaz de perceber que tipo de escolha é essa que ela está fazendo (Pr 18, 14).

Tenha em mente uma coisa muito simples, ou você é católico ou você é um defensor do desprezo a vida, você não pode ser às duas coisas.

Hoje o padre me chamou na sacristia e pediu que ao término da missa eu ficasse para ajudar a recolher assinaturas para um referendo popular a respeito da despenalização da eutanásia. Algo normal, é uma campanha nacional que está sendo realizada em Portugal, não só pela igreja católica, mas por vários credos que juntos estão buscando defender a vida.

Mas foi parado na porta da igreja, com folhas e canetas na mão que eu senti meu coração apertar. Senhoras e senhores, idosos de todas as condições de saúde, procurando seus documentos nas bolsas e carteiras para assinar a petição, enquanto os mais jovens apenas passavam direto, alguns olhavam em outra direção, outros olhavam para as mesas onde coletávamos as assinaturas, mas baixavam a cabeça e passavam direto, pouquíssimos paravam.

Depois de preencher a sexta página de assinaturas sem coletar uma assinatura sequer de um jovem. Eu pergunto,

JOVENS COMO OUSAM!?!

A caso é essa a juventude que é o futuro da igreja? São estes que estão pedindo mais espaço na igreja? Que reclamam que não são ouvidos?

Obrigado aos anciões da igreja por nós ignorar, por não nos dar espaço, por não permitirem que sejamos as lideranças da igreja de Cristo.

Cerca de 45% dos nossos leitores estão em Portugal e sei que nem todos os jovens desejam a morte, mas nesse momento precisamos ser ousados. Precisamos demonstrar que somos a maioria, precisamos ousar acreditar que algo ainda pode ser feito (Mt 9, 21).

Em qualquer lugar do mundo que estejamos, precisamos ser ousados, guiados pela justiça de Deus, sejamos fortes, sejamos corajosos, sejamos um com a igreja, é assim defendemos a vida. Não espere que um governo, seja ele qual for faça isso por você, comece a defender a vida agora mesmo, é segurando a porta para aquele senhor que não tem mais forças, é oferecendo o braço para aquela senhora que tem dificuldade de descer a escada, é sendo sereno na espera quando um cadeirante está a sua frente, é oferecendo espaço para a idosa que cansada busca um lugar para sentar, é ofertando atenção e cuidados ao enfermo, é limpando a porta daquele seu vizinho que doente não consegue fazê-lo.

São tantas as maneiras de começar a defender a vida, Deus sabe o quanto somos fortes (I Jo 2,14b), pois então precisamos começar nossa fidelidade no pouco, para que mais nos seja confiado (Mt 25, 21).

Então faça um exame de consciência e dê uma resposta pessoal a esse grito, a maneira como a resposta saíra de você, poderá dar o tom da sua verdadeira força, uma força que pode ser demonstrada com grandes feitos, mas será testada nos pequenos detalhes.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.