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 Se você tiver 15 anos ou mais, ou for fã de jogos clássicos de vídeo game com certeza já deve ter observado que os jogos modernos que fazem sucesso hoje em dia tem diferenças muito específicas em relação aos mais clássicos, caso você nunca tenha jogado um vídeo game clássico, recomendo que faça isso pelo menos uma vez, para compreender a origem do que você passa horas fazendo hoje no seu smartphone, tablet, console ou PC. 

Recomendo isso porque não estou falando sobre resolução de imagem, gráficos, qualidade de som, nem nada disso. Falo da história, do objetivo por trás das horas de pancadaria, saltos, corridas e diversos outros formatos de aventuras. Recentemente assisti na Apple TV+ uma série chamada Mythic Quest: Raven’s Banquet (gostei bastante, me fez rir muito, foi uma saudável diversão e mesmo tendo apenas uma temporada, já guardei a série ao lado de lendas como Friends e The Big Bang Theory, guardando as devidas proporções é claro) entre os diversos temas ali trabalhados observei o choque entre gerações onde o escritor responsável pela história do jogo sempre destacava a importância da história para que o jogo fizesse sentido, enquanto a jovem testadora só queria jogar e saltava a história. 

Ouço com frequência relatos de pais e familiares sobre como suas crianças ficam violentas enquanto jogam ou após jogar determinados jogos. Debates sobre se jogos violentos influenciam as crianças são tão frequentes que muitas vezes ninguém presta mais atenção porque só se debate e não se chega a lugar nenhum, pois infelizmente, como muitos temas hoje em nossa sociedade, não se debate para chegar a um entendimento, se debate apenas para tentar provar um ponto de vista. 

Nós igreja estamos vivendo o período da festa da Páscoa e logo estaremos em Pentecostes, a Páscoa enquanto a maior e principal festa da Igreja só é possível de ser celebrada porque Jesus ressuscitou, caso contrário não haveria significado para nós. Mas Ele ressuscitou porque morreu na cruz, você deve está achando isso muito óbvio, mas não é tão óbvio assim. 

A paixão e morte de Cristo é o sacrifício perfeito de amor pelo qual nossas almas foram salvas. Toda a violência e brutalidade que Jesus suportou fez de nós filhos adotivos e deu-nos acesso ao reino dos céus.   Mas é preciso dizer uma coisa, muitas outras pessoas morreram e podemos afirmar que tiveram até mortes mais humilhantes, mais dolorosas e mais brutais do que a sofrida por Cristo, mas nenhuma delas serviu como sacrifício perfeito e santo a Deus. 

Agora pensemos nos Santos apóstolos, nos Santos mártires e nos Santos da igreja em geral, muitos deles foram decapitados, despedaçados, queimados vivos, afogados, apedrejados, servidos aos leões e tantas outras maneiras brutais e cruéis de morrer. E por isso eles são Santos. Errado! Ninguém é santo por ser morto, se fosse assim, seriam milhões de Santos todos os dias, é preciso ser uma boa pessoa. Errado! Se as boas pessoas que são mortas se tornassem santas seriam milhares de Santos todos os dias, é preciso morrer por uma boa causa. Errado! Não é uma boa causa que te torna santo, não é porque você dedicou a vida a ajudar crianças órfãs ou a cuidar de idosos enfermos que você se torna santo. Ao fazer isso, você é só mais uma pessoa fazendo uma coisa boa, isso é só um começo.

Se você é uma pessoa que já jogou muitos jogos clássicos deve ter percebido que sofrer e imputar sofrimento não era o objetivo do jogo, você passava por tudo isso e no final você deve ter salvo a princesa, libertado muitos reinos de tiranos, salvado muitos de espíritos malignos, encontrado muitos tesouros, reconstruído muitas cidades devastadas, vencido raças alienígenas e coisas do tipo. E enquanto fazia isso você experimentou muitas doses de adrenalina, ficou imerso em muitas formas de violência, maneiras diferentes de matar seus inimigos e etc. e fez tudo isso para alcançar seu objetivo.

Mas se você nunca fez isso, é provável que você só esteja entrando em um sala on-line e tentando ficar vivo o máximo de tempo possível enquanto mata outros para preservar sua própria vida. Não peguem seus forcados e acendam suas tochas ainda, eu sei que não são todos os jogos assim, mas os mais populares entres as plataformas atualmente em resumo são só isso. Não há um propósito que vá além de matar para não morrer e essa mensagem vazia sem um propósito maior pode ser uma das causas que deixa as crianças tão agitadas, violentas, inquietas e sem se preocupar com o próximo, uma mensagem assim só me faz lembrar das santas palavras

“Porquanto quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, encontrará a verdadeira vida.” (Mt 16, 25)

Pois é isso que nos torna Santos, o propósito, não um propósito bondoso qualquer, mas O propósito, o único propósito de vida capaz de nos tornar Santos é Jesus. Podemos arriscar nossas vidas lutando por nossas causas preferidas sejam elas lá quais forem, mas se for por nossas preferências e nada mais, elas são só causas que parecem importantes, mas não são. 

Porém se damos um copo d’água aquela criança que bate nossa porta no dia de sol, um abraço naquele nosso irmão que implica conosco todo dia, pedimos a benção a nossa mãe pela manhã mesmo se tivermos levado umas boas palmadas e tivermos sido colocados de castigo na noite anterior, porque sabemos que neles está Cristo Jesus e ele é o único caminho para chegarmos ao Pai Celestial (Jo 14, 6) o propósito de nos aproximarmos de Deus, de sermos um com Ele nos tornara cada dia mais Santos. 

Nossas boas obras, são apenas obras, se Deus não é o propósito maior delas, as obras são apenas o caminho, não o destino e aqueles que trilham o caminho sem o verdadeiro propósito só estão se esforçando para serem os últimos a sair da sala a qualquer custo. Só os que trilham o caminho preenchidos do propósito de Cristo são capazes de transpirar a certeza dos Apóstolos, o compromisso dos Santos e se necessário for a tranquilidade dos Mártires na hora derradeira. 

Caso contrário, seremos sempre crianças agitadas, nervosas, impacientes e violentas, explodindo porque nosso objetivo não tinha um propósito eterno e só fomos capazes de perceber isso quando ele acabou do nada, porque mais alguém sem propósito nos eliminou ou porque simplesmente nosso tempo acabou fazendo com que saíssemos da sala. Aproveite enquanto sua vida ainda está on-line e mude o jogo quantas vezes preciso for para garantir que seu propósito não seja apenas continuar vivo na sala por mais alguns segundos, não importa quantas fazes boas ou ruins tenhamos que enfrentar na vida, tenhamos em mente sempre que o que nos torna santos não é a grandeza das obras, mas a grandeza do proposito que nas obras está contido. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.