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A duas semanas atrás visitei dois amigos, que escolheram viver uma experiência diferente junto ao movimento Focolares. Passei com eles três dias nos quais fui apresentado, conheci e vive muitas coisas lindas do jeito focolare de ser, de viver e de conviver. Mas não escrevo para falar sobre essas variadas experiências, como sem nome apenas recomendo que busquem conhecer também no movimento Focolares a riqueza da igreja de Cristo.

Feche os olhos, imagine essa cena e responda para se mesmo essa pergunta.

Se você estivesse em meio a várias pessoas, o Cristo estivesse a sua frente e você soubesse que pode ir até Ele, o quê você faria?

Uma das coisas que me ensinaram em Loppiano, foi que um dos motivos pelo qual o Santuario Maria Theotokos é um santuário, é porque seus habitantes vivem em UNIDADE assim como Jesus Cristo ensinou. Guarde bem essa palavra UNIDADE, você vai voltar para ela.

Um pedaço do céu na terra, a prefiguração da Jerusalém celeste. Não é uma utopia imaginaria, é possível e eu estive lá. Mas não foi por todos estarem bem, felizes, sorridentes que me fez acreditar nisso. Não foi a acolhida fraterna. Não foi a atenção constante. Não foi a preocupação deles de traduzir o italiano para que eu soubesse do que falavam. Não foi a paciência com que me explicavam os detalhes da vida deles no movimento. Não foi ser tratado como um irmão por pessoas que nunca tinha visto na vida que me fez acreditar nisso.

Eu disse no início que o motivo de ir até lá, foi para visitar dois amigos, um deles foi meu aluno em tempos não tão distantes. O outro, encontrei presencialmente uma vez, recordava-me dele dizendo “seja bem vindo, fique a vontade”. Depois disso trocamos algumas poucas mensagens em redes sócias e nada mais. Mas ir visitá-los não faz deles ou de mim pessoas especiais. Pessoas fazem isso o tempo todo, nós dias de hoje um match e uma sequência de mensagens é o suficiente para tirar alguém de casa e fazê-lo visitar alguém.

Mas mesmo sendo uma relação dessas circunstâncias e acontecendo tudo isso que falei ao chegar lá. O quê me fez perceber, entender e acreditar, foi o quê eu vi durante a santa missa. Não, calma, não vou relatar nenhuma visão espiritual digna dos Santos de sétima morada. Eu vi com os olhos da carne, foi partindo deles que a Theotokos me explicou tudo.

No momento da comunhão, o meu amigo sentado ao meu lado inclinou a cabeça na minha direção e disse

“Aqui nós vamos a comunhão por filas”.

Não sei o que acontece na paróquia de vocês, Loppiano com certeza não é o único lugar que isso acontece. Mas em muitas paróquias pelas quais eu já passei, o momento da comunhão pode ser considerado no mínimo caótico. As pessoas levantam e vão formando filas, sempre há aqueles que furam a fila, o que já é uma ação a se pensar, até diante de Deus nós tentamos tirar vantagem e passar o irmão para trás?

Tem aqueles mais educados que permitem a passagem, outros que param para ajudar os mais idosos, os que acompanham as crianças, os que esperam os amigos para irem juntos e muitos outros. Em algum momento você deve se perceber fazendo alguma dessas coisas.

A coisa muitas vezes começa a ficar mais confusa quando as pessoas começam a regressar da comunhão, quem volta esbarra em quem vai, tem aqueles que, como eu, se perdem no caminho e não sabem mais onde estavam sentados e tantas outras situações.

Mas naquele momento, vendo como eles estavam organizados, meus olhos carnais viram a organização, meu espírito me apresentou a UNIDADE. E aí eu dou a vocês a minha resposta para a pergunta que vos fiz.

Se um de nós já tivesse chegado até Ele, eu não faria nada. Não seria preciso.

Eu estava nas últimas fileiras de bancos da igreja, mas quando a primeira senhora olhou para o Cristo Eucarístico erguido em sua frente e respondeu amém, eu pude sentir lá do meu lugar. Quando Ele foi levado a sua boca e ela entrou em COMUNHÃO com Ele, eu tive certeza que também estava, pois é o que dizemos sempre, em COMUNHÃO com toda igreja aqui estamos.

Se por algum motivo só houvesse aquela partícula, aquela senhora não tinha comungando sozinha, teríamos comungado todos, por que estávamos em COMUNHÃO com ela, em COMUNHÃO com Deus. Eu entrei na fila quando chegou a vez da minha fileira de bancos, fui a Ele na Eucaristia, mas já éramos um, uma UNIDADE perfeita com Deus, que não iniciou em mim, mas muito antes da tal da minha vez.

Por quantas vezes passamos por momentos, situações e até longos períodos difíceis e ao olhar para o nosso irmão que está bem, nos pegamos pensando o absurdo de como Deus está distinguindo ele em detrimento de nós, já que a vida dele está dando certo e a nossa não. Ou quando cometemos o pecado infame de olhar para as misérias da vida do nosso próximo com a lente de nossas benções e pensar que Deus está nos abençoando mais do que a ele.

Deus não distingue nenhum de nós, nos ama por inteiro e por igual. Diante Dele sempre estamos e diante Dele, Ele espera de nós UNIDADE, espera de nós COMUNHÃO, se um entre nós está vivendo um momento de difícil, todos nós estamos e sofremos com ele. Se um entre nós está vivendo um benção, todos nós estamos e nós regozijamos com ele. A UNIDADE está em não precisar viver o sofrimento para sofre, agir para aplacar o sofrimento do irmão mesmo que esse sofrimento não esteja em nós diretamente. A UNIDADE está em não precisar viver a dádiva para louvar, dar graças pela dádiva que acontece na vida do outro, mesmo que não sejamos capazes de percebê-la na nossa. Pois se onde dois mais estiverem reunidos em nome Dele, Ele lá estará. Assim também onde estivermos unidos a Ele, seremos um só com Ele, para sempre.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.