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Por que o Natal é celebrado no dia 25 de dezembro?
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Por que o Natal é celebrado no dia 25 de dezembro?

Why is Christmas celebrated on December 25th?

Todos os anos surgem dúvidas a respeito do Natal e esta podemos dizer que é uma das mais comuns, principalmente porque os ateus praticantes que insistem em menosprezar e tentar desqualificar a nossa fé fazem questão de apontar o que eles acreditam ser errado na celebração cristã do Natal do Senhor. Quanto a isso, eu vos respondo logo de imediato, não se pode afirmar ou negar que Jesus tenha de fato nascido no dia 25 de dezembro, mas o Natal é muito mais do que uma data de aniversário com uma festinha, como se Jesus fosse um simples humano famosinho como qualquer outro artista da moda. E para compreender isso e o porquê o Natal é celebrado no dia 25 de dezembro, precisamos saber a resposta de outras perguntas antes. 

Primeiro, o que é o Natal? Natal é a celebração do nascimento de Jesus. Mais do que um simples aniversário, analogia muito empregada, mas que reduz o entendimento dessa celebração que é o cumprimento de uma promessa feita ao povo de Deus. O profeta Isaías expressava o desejo de que Deus rasgasse o céu para descer. O evangelho segundo João afirma que “a Palavra se fez homem e habitou entre nós” (Jo 1,14). É o dia em que recebemos o maior presente, Deus dando-se a si próprio. É o dia em que Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, Encarnou-se para habitar no meio de nós. O Deus invisível tornou-se visível, Ele que outrora estava oculto se fez conhecer a todos. 

Segundo, sendo o nascimento de Jesus um fato histórico registrado no tempo, Jesus nasceu de fato no dia 25 de dezembro? A resposta correta é não sabemos. Não se sabe o dia em que Jesus nasceu. O evangelho segundo Lucas afirma que João Batista começou a preparar o povo no deserto no XV ano do reinado do imperador Tibério (Lc 3,1). Essa data corresponde ao ano 28 ou 29 d.C. Lucas diz também que Jesus, ao iniciar sua vida pública, devia ter aproximadamente 30 anos (Lc 3,23), mas essa pode se tratar de uma idade simbólica, talvez porque era preciso ter 30 anos para ser considerado rabi (mestre). Na verdade, Jesus nasceu uns cinco ou seis anos antes do ano 1. 

Até o século VI contavam-se os anos a partir da fundação de Roma. Um monge chamado Dionísio atendeu o pedido do Papa, e refez as datas passadas, criando um calendário, tomando como base para a era cristã o nascimento de Jesus, ano 1. Mas enganou-se nos cálculos. Hoje sabe-se que o rei Herodes, que ordenou a morte das crianças em Belém, morreu no ano 4 a.C. E ele havia mandado matar os meninos de 2 anos para baixo (Mt 2,16). Jesus deve ter nascido aproximadamente 6 anos antes do ano 1. E ao morrer (provavelmente no ano 30) teria aproximadamente 36 anos. 

Não se sabe, portanto, a data de nascimento de Jesus. A única certeza é que não era inverno. Em nosso calendário, estabeleceu-se o dia 25 de dezembro e, como toda a nossa fé é Cristocentrica foi a partir dessa data que surgiram outras festas: nove meses antes, a Anunciação (25 de março), e três meses após a Anunciação, o nascimento de João Batista (24 de junho). 

Terceiro, se não temos certeza da data, por que celebramos o Natal nesse dia? Facilmente você encontrará informações que reduziram essa decisão a simples intenção da Igreja primitiva de tomar de assalto datas importantes de crenças pagãs da época e as cristianizarem. Embora esse fenômeno tenha ocorrido em alguns casos, essa não foi a motivação da Igreja por si só, até porque se assim fosse, teria fracassado.

Vou utilizar um exemplo simples para você acompanhar o meu raciocino, o catolicismo é uma das maiores, mais organizadas e mais influentes religiões da terra atualmente, se unirmos quantitativamente todas as denominações cristãs, o número e influência é ainda maior. Todos os anos no carnaval, você pode acompanhar diversas iniciativas das mais variadas denominações cristãs de combater a mundanidade do carnaval, oferecendo festas alternativas, retiros espirituais, acampamentos e tantas outras coisas. Mas o carnaval continua aí cada dia mais forte, lembre-se que no Brasil, por exemplo, a pandemia da covid-19 fechou as igrejas, mas não impediu as festas carnavalescas.

Mas se hoje onde a cristandade organizada possui essa força numérica e influencia não conseguimos ir de encontro a uma festa que tem sua data definida pelo próprio calendário litúrgico, com base no dia da Páscoa do Senhor, imagine em uma época em que era considerado diversão assistir cristão serem mutilados em uma cultura onde a existência de um panteão de deidades era predominante. Pense bem, se a intenção fosse apenas demonizar as outras crenças e tomar para si uma data, a Igreja teria fracassado. 

Dito isto, voltemos para a pergunta, porque dia 25 de dezembro? No hemisfério norte, o inverno coincide com o nosso verão (dezembro a março). Aqui, no começo do verão (dezembro), temos os dias com mais horas de sol. Amanhece cedo e anoitece tarde. No hemisfério norte é o contrário, amanhece tarde e escurece cedo. Eles têm, portanto, poucas horas de sol. Mas, justamente nos primeiros dias de inverno, o sol vai ganhando preciosos minutos da escuridão. É como se o sol chegasse à fraqueza extrema e começasse a recuperar o terreno perdido, conquistando mais tempo de luz a cada dia. 

Na Roma antiga celebrava-se essa “recuperação” do sol que vai vencendo aos poucos as trevas. Era a festa do Sol Invencível. Os cristãos “batizaram” essa festa, pois para eles o Sol que vence as trevas é o Senhor Jesus, que fez brilhar sua luz na noite escura, conforme relata o evangelista São Lucas.

“Naquela região havia pastores, que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho. O anjo do Senhor apareceu aos pastores; a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo.” (Lc 2, 8-9).

Eles se lembravam também que os profetas haviam anunciado o surgimento desse Sol. Por exemplo, o profeta Malaquias, “… para vocês que temem a Javé brilhará o sol da justiça, que cura com seus raios”(Ml 3,20a) e o próprio evangelho segundo Lucas proclama Jesus como luz: “Luz para iluminar as nações e glória do teu povo, Israel” (Lc 2,32). 

Quarto, então desde sempre o Natal foi celebrado nessa data? A resposta historicamente precisa é novamente não sabemos. Não há uma data exata para quando os cristãos começaram a celebrar o Natal do Senhor no dia 25 de dezembro. Mas a Sagrada Tradição da Igreja nos ensina que a celebração do Natal acontece desde os primeiros séculos e afirma-se que o Papa Silvestre I (314-337 d.C.) foi o primeiro Papa a incentivar a celebração do Natal. Existe textos que falam da comemoração do Natal no fim do seu pontificado em 336 d.C. 

Enquanto um de seus sucessores o Papa Júlio I (341- 352 d.C.) foi quem tornou oficial a festa do Natal do Senhor dentro da Igreja. Como se pode perceber, tudo leva a crer que a celebração do Natal do Senhor, surgida em Roma, logo se espalhou pelo mundo. Em Constantinopla, por exemplo, foi celebrado o Natal do Senhor pela primeira vez no ano 379 d.C. e em Antioquia em 388 d.C. 

Observando tudo isso, diante da pergunta, por que o Natal é dia 25 de dezembro? Eu respondo, porque o Natal do Senhor não é uma simples festa de aniversário, é a celebração do cumprimento da promessa de Deus ao seu povo. Uma celebração viva que se edifica ao longo dos milênios na fé e na devoção desse mesmo povo ao Deus que se fez carne e habitou no meio de nós (Jo 1).

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Sem Nome Responde é uma sessão onde buscamos responder perguntas que são enviadas a nossa redação, nos envie suas perguntas ou contribuições para as respostas por nossos canais de comunicação, ficaremos muito felizes em nos conectar com vocês. 

Não temos aqui a intenção de dar respostas definitivas para nenhuma pergunta, apenas buscamos a luz da sabedoria da Santa Mãe Igreja dar um passo na direção da verdade. Correções nas respostas podem ser realizadas a qualquer tempo, sempre que a luz dos ensinamentos da Santa Mãe Igreja nos permitir.

Fonte: BORTOLINI, Padre José. Advento e Natal: 54 Perguntas e Respostas Sobre o Ciclo do Natal. Pia Sociedade de São Paulo-Editora Paulus, 2014.

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