Movendo-se pelo mundo como católico
PUREZA NÃO É PUDOR 
PUREZA NÃO É PUDOR 

PUREZA NÃO É PUDOR 

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À medida que vivemos a redenção de nossos corpos, compreendemos que a pureza sexual não inclui “aniquilamento” ou repressão da atracão e do desejo sexual. Como escreveu Karol Wojtyla, futuro Papa João Paulo II, em Amor e Responsabilidade, a pureza madura “consiste na rapidez em reconhecer o valor da pessoa em cada situação e em elevar (as reações sexuais) ao nível pessoal” (AR p. 174). No Sermão da Montanha, Cristo não está dizendo simplesmente: “não olhem”. As palavras de Jesus, explica o Papa, são “um convite para uma forma pura de olhar os outros, de respeitar o significado esponsal (ou nupcial) do corpo” (VS n. 15). 

Obviamente, se alguém, para evitar cair na luxúria, precisa virar o rosto, então “não deve olhar”. Para quem ainda é prisioneiro da luxúria, a advertência do Antigo Testamento, “desvia seu olhar da mulher enfeitada” (Eclo 9,8) mantém ainda sua validade. Nós, classicamente denominamos isto como “evitar a ocasião de pecado”, mediante o “controle dos olhos”. Este seria o primeiro passo, mas para o Papa esta é apenas uma pureza “negativa”. À medida que crescemos na virtude, chegamos à uma experiência “positiva” ou a uma pureza “madura”. “Na pureza madura o homem se deleita com os frutos conseguidos pela vitória sobre a luxúria”. Ele goza da “eficácia do dom do Espírito Santo”, que recoloca na sua experiência do corpo “toda a sua simplicidade, sua franqueza e sua alegria interior” (01.04.1981). 

Na prática, todos começamos da “estaca zero” a caminhada para uma pureza madura. Muitos, infelizmente, se estagnam nessa etapa, convencidos de que é tudo o que podem alcançar. Há que ir em frente. Não é preciso dizer: estou longe de ser uma pessoa perfeita, mas posso dar testemunho de que, à medida que assumimos o dom da redenção, a luxúria vai perdendo seu ímpeto em nós. Pouco a pouco, chegaremos não só a compreender, como também a ver e experimentar o corpo como uma “teologia”, como um sinal do próprio mistério de Deus. “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus!” (Mt 5,8). Se entendemos bem o que o Papa nos apresenta, podemos acrescentar: “Bem- aventurados os puros de coração porque verão o mistério de Deus revelado através do corpo”. 

Pureza, portanto, não é o mesmo que pudor. Ela não rejeita o corpo. “A pureza é a glória do corpo humano diante de Deus. É a glória de Deus no corpo humano, através do qual a masculinidade e a feminilidade se expressam” (18.03.1981). A pureza plena somente será alcançada no céu. Contudo, como ensina o Catecismo, “desde já (a pureza do coração) nos concede ver segundo Deus ( … ); permite-nos perceber o corpo humano, o nosso e o do próximo, como um templo do Espírito Santo, uma manifestação da beleza divina” (CIC n. 2519). 

Devemos agradecer o fato de termos tido um Papa que, durante a restauração da Capela Sistina, mandou remover várias tangas que pontífices anteriores tinham mandado colocar sobre os nus originais de Miguel Ângelo. E fez isto em nome da pureza cristã. Durante a homilia, na cerimônia de dedicação dos afrescos restaurados, João Paulo proclamou a Capela Sistina o santuário da teologia do corpo humano. E acrescentou: “Parece que Miguel Ângelo, a seu modo, se deixou guiar pelas evocativas palavras do Gênesis, no qual se lê: ‘O homem e a mulher estavam nus e não se envergonhavam’ (Gn 2,25)” (13.04.1984). 

Qual é então a diferença entre pornografia e um autêntico retrato artístico da nudez? A diferença, conforme o Papa, está na intenção do artista. Pinturas pornográficas do corpo suscitam objeções, “não por causa do seu objeto, já que o corpo humano sempre traz em si mesmo sua inalienável dignidade, mas por causa da qualidade ou modo como foi reproduzido” (06.05 .1 981). O artista pornográfico só busca provocar a luxúria naquele que olha, ao passo que o verdadeiro artista (como Miguel Ângelo) ajuda a ver “todo o mistério pessoal do homem”. Verdadeiras pinturas da nudez corporal nos ensinam, “de certa forma, aquele significado esponsal do corpo, o qual corresponde à ‘pureza do coração’ e é, ao mesmo tempo, sua medida” (06 .05.1981). Os que experimentam a pureza adulta entendem o corpo nu pelo que é, a revelação do plano de amor de Deus. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Fonte: WEST, C. Teologia do corpo para principiantes: uma introdução básica à revolução sexual por João Paulo II. Madrid: Myrian, 2008.

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