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Se você teve dificuldade em responder essa pergunta, você não está sozinh@ no mundo.

Passeando por um passado tão recente que poderia ser chamado de presente, se o nosso presente não fosse tão efêmero como é hoje, é fácil perceber o nosso fascínio pelo que podemos ser, pelo que gostaríamos de ser, pelo o quê seríamos se não fôssemos nos mesmo.

Para muitos de nós vai parecer que aconteceu a uma eternidade, mas se esforcem e vocês vão lembrar que a pouco tínhamos como grande moda da vez o desafio dos dez, como você era a dez anos atrás, fotos e mais fotos postadas em redes sociais para comprar tal mudança.

E será que você lembrar daquele app super legal que fazia sua versão do gênero oposto? Sua versão oposta tinha uma aparência que lhe agradava?

E que tal aquele filtro super maneiro que lhe deixava com aparecia de criança? Quantas crianças aleatórias você gerou de si mesm@?

Não tão longe, duas semanas atrás as timelines estavam repletas de bonequinhos, os auto desenhos montados em formato de avatar. Uma febre de atualizações de perfil.

A febre passageira da vez, que caso você ainda não tenha participado mas queira, corre, porque com certeza ela já está ficando para trás. É construir sua versão mais velha, depois uma versão mais velha da sua versão mais velha.

Poderia ficar relembrando com vocês varias modas efêmeras da nossa time line, mas não estou passando aqui para ser nostálgico, tão pouco para criticar quem dessas modas participa, a vida também é composta de efêmeras diversões aleatórias. Contudo fica a pergunta, quem é você?

Youtuber comete suicídio após terminar com o noivo e casar sozinha e internet vai à loucura. Se você não soube disso, coisa que eu acho pouco provável, dá um Google que essa é a tragédia da próxima meia hora. Em meio a tantos discursos inflamados, sobre respeitar o outro, não saber o quê o outro passa, ter empatia, etc etc etc. até mesmo entre os seguidores da jovem, poucos se atentaram para o fato de que não foi a primeira vez que ela tentou suicídio, foi sim a primeira vez que ela teve sucesso.

Nós estamos tão efêmeros que nos preocupamos tanto com “como poderíamos ser” e muito menos com “quem somos”, sem ver quem somos como podemos ver quem é o outro? Não somos capazes de ver o mundo pelo olhar do outro, mas deveríamos ser capazes de ver o outro pelo nosso olhar, sim deveríamos. O que chamou nossa atenção foi a notícia do suicídio, mas as varias notícias das tentativas que falharam.

Permitam-me uma provocação ainda mais inquietante, quem é você para o outro?

Nos tempos de eucentrismo (desculpa o neologismo) efêmero, tentemos sair um pouco mais do olhar do eu, para doar o nosso olhar ao outro, existe uma grande chance de você ser para o outro a diferença entre uma tentativa de suicídio e um suicídio bem sucedido.

Vamos tentar construir manchetes novas para o nosso tempo, já imaginou como seria acessar suas redes sociais pela manhã e ler nos trend topics

Jovem abraça outro na escola e diz “sua vida importar, amar importa”.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.