“Qual o seu livro favorito?”

Essa foi a pergunta feita durante uma dinâmica de grupo em uma reunião on-line com os jovens que eu estava participando. Na reunião em questão, eu estava responsável pela oração e não tinha participado da preparação da dinâmica, ao ouvir a pergunta pensei automaticamente em qual seria a minha resposta e ela veio bem fácil. 

Escolhi como resposta o livro dos Atos dos Apóstolos e o motivo para escolha é que além dele ser uma continuidade do evangelho segundo Lucas, é o relato histórico da vida nascente da Igreja, a tradição, a Palavra, as primeiras conversões, as perseguições, a ação presente e constante de Deus. Tudo o que buscamos viver hoje, tudo pelo o que lutamos, tudo o que enfrentamos demonstrado desde o início da Igreja.

Além da minha animação natural em falar sobre isso, estava ávido para ouvir qual seriam os livros que os jovens iriam indicar, quais seriam os motivos que apontariam. Para quebra o gelo, uma pessoa da equipe começou a falar de seu livro preferido, ela apontou um livro da saga Harry Potter. 

Nesse momento eu percebi que a dinâmica não era como eu pensei que fosse, com uma rápida análise foi fácil perceber que eu havia acrescentado de minha própria iniciativa a expectativa de que todos falariam sobre livros da Bíblia, mas em momento algum isso havia sido sugerido. 

Eles iam indicando seus livros um a um e explicando os motivos pelos quais gostavam deles, foi muito divertido. Eu acabei não falando sobre o livro dos Atos dos Apóstolos, porque a certa altura da dinâmica já estava a rir muito com os duelos que se formaram com os fãs de certos livros. 

Não é que eu não leia literatura secular, pelo contrário, leio bastante e até arisco-me a escrever umas pequenas histórias para ler esperando o ônibus. Mas alguém pode me culpar por pensar em Deus primeiro?

Culpar não, mas com certeza podemos rir juntos quando você me explicar uma coisa e eu criar outra diferente na minha cabeça que atenda as minhas expectativas de ficar falando horas sobre a Igreja e a Bíblia. É isso não é nem melhor, nem pior, apenas diferente.

Porque Deus pode falar conosco de diversas maneiras, desde que estejamos prontos e abertos para ouvi-Lo, meus ouvidos atentos que esperavam livros da Bíblia não se fecharam para ouvir sobre os livros de literatura secular e ouvi naqueles livros e motivos muitas inseguranças, muitas feridas, muitas dúvidas, que confirmaram o que o Senhor me revelou em oração para eles, mas também ensinou como lidar sensivelmente com cada uma delas, a ir convidando Deus para estar em cada um daqueles pequenos detalhes. 

Graça, Paz e Misericórdia.

Imagem: @cintascotch