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Quaresma, 40 dias onde praticamos o jejum e penitência, abrindo mão de alguma refeição, praticando abstinências e realizando ações que em nosso cotidiano não talvez não o faríamos, para fortalecer nossos corpos. Intensificamos nossas orações para fortalecer o espírito contra as tentações diárias que nos conduzem ao pecado. E praticamos obras de caridade, para materializar a verdadeira vontade de Deus para todos nós, amarmos uns aos outros como ele nos amou (Jo 13, 34).

E chegou a hora de gritar, Hosana ao filho de Davi! pois se não louvarmos as pedras louvarão (Lc 19, 40), o domingo de Ramos, a festa da entrada gloriosa de Jesus na cidade santa. Vamos as ruas festejar a memória deste dia e demonstrar que estamos prontos para permitir que Jesus adentre na mais esperada das cidades, na cidade dos nossos corações, pois é chegada para nós, a semana das semanas, a Semana Santa.

Uma semana onde a igreja se constrói, é nela que presenciamos a instituição do Sagrado Sacerdócio e da Santa Eucaristia (Mc 14, 12) é durante esta semana que nos deparamos com Judas tendo que entregar Jesus para que a palavra de Deus se cumprisse (Jo 18, 2). É durante essa semana que nos debruçamos sobre toda a paixão e morte e ressurreição de Jesus, são tantos momentos de forte reflexão que cada cristão encontra-se em um momento particular das sagradas escrituras, um momento particular para chamar de mais forte, tocante e profundo, independente de qual adjetivo nós atribuamos ao momento que escolhermos como nosso mais pessoal, Jesus está lá para nos confirmar e dizermos “tu o dizes” (Mt 27, 11) quando sentirmo-nos tocados pela divina realeza de Seu evangelho.

Mas é chegada a hora, é chegado o grande momento em que a aliança eterna é consumada, “Pai em Tuas mãos eu entrego meu espírito” (Mc 15, 37), o grande desafio da nossa vida moderna. Repleta de redes sociais, aplicativos, séries e jogos, os nossos smartphones gritam e imploram pela nossa atenção como Jesus em nenhum momento o fez no caminho até o calvário.

Eis o dia do sacrário vazio, o dia em que o silêncio convida-nos a esvaziar-nos, a enfrentar uma das mais desafiadoras ações dos tempos de hoje, no silêncio ouvir a nós mesmos e em nós mesmo compreender o silêncio que vem de Jesus.

Até a chegada do grande momento, da vigília das vigílias para que possamos exaltar o Glória! Bradar Aleluia! Pois Ele ressuscitou. Até que este momento chegue, somos convidados a compreender o silêncio. Não um silêncio de clausura por si só, pois sabemos que este, muito embora revigorante, não é oportunidade de todos, mas um silêncio de renúncia, um silêncio de entrega. Jesus entregou a Ele mesmo, para que nós pudéssemos ser um com Ele. Maria, sua mãe, e os seus amigos (Jo 15, 15), renunciaram a companhia de Jesus para que todos estivéssemos unidos a Ele. E tudo isso foi feito em silêncio.

Enquanto a nós, será que conseguimos silenciar?

Precisamos silenciar, permitir que o silêncio comande nossas vidas afastando-nos das oportunidades de um mundo barulhento e direcionando-nos à Jesus, na oportunidade de proferir um julgamento desnecessário do outro silenciar, na oportunidade de falar o que machuca o outro silenciar, na oportunidade denegrir o outro silenciar, na oportunidade de desviar o outro do caminho do bem silenciar. São tantas oportunidades que temos para silenciar que é do alto do madeiro que Jesus nos ensina o valor que o silêncio tem para o Reino dos Céus, ao realizar a primeira canonização da igreja, canonizando o homem que no auge das consequências dos seus pecado reconheceu a realeza de Jesus e compreendeu que diante da oportunidade de julgar ele deveria ficar em silêncio, aquele homem que em seu pecado escolhe se calar e pede que aquele que julgava fizesse o mesmo, descobre ali que é no silêncio que se consegue ouvir a Misericórdia de Deus. É nessa Misericórdia silenciosa que seremos capazes de ouvir a promessa D’Aquele que é, “ainda hoje estará comigo no paraíso” (Lc 23, 43), e quando o ouvirmos dizer, é chegada a hora de gritar Glória!!!!

Então, Silêncio por favor. Silêncio até que seja chegada a hora de bradar.

Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Feliz Páscoa!

Busquemos Deus nas pequenas coisas.

Graça, Paz e Misericórdia.