Ouça aqui e compartilhe

Se tem uma função no Twitter que me agrada é a habilidade de silenciar assuntos sobre os quais eu não desejo ler, atualmente em meu perfil pessoal tenho 40 termos silenciados, não faço isso para manter-me numa bolha onde tudo que leio está de acordo com o que eu penso, apenas tem assuntos sobre os quais não me interesso pelos mais variados motivos, considero chatos, entediantes, que não predem minha atenção ou que não estão alinhados com minhas prioridades, a final todos temos prioridades e precisamos dedicar mais tempo a umas coisas do que a outras. 

Um das coisas que está silenciada na minha timeline é o Big Brother Brasil, BBB para os íntimos, se você gosta desse entretenimento, não precisa torcer o nariz ou parar de ler, não pretendo falar mau do programa. Assim como você gosta de assistir o BBB todos os anos, eu gosto de assistir desenho animados quase todos os dias, isso não me faz mais criança do que você, assim como você não é mais inteligente do que eu por assistir o BBB.

O que me chama atenção no BBB todos os anos e este ano não é diferente, são os temas que o programa é capaz de pautar em discussão, muito embora não assista televisão, para um brasileiro não ouvir falar do BBB é preciso que ele esteja em Pyongyang na Correia do Norte, pois por mais que seja desejo de muitos que a rede Globo deixe de ser relevante no país, é preciso ser muito negacionista para fazer de conta que o programa não tenha penetração massiva no dia a dia dos brasileiros, pois nas redes sociais parece que esqueceram até da Covid-19, as conversas de amigos e até com desconhecidos no terminal de ônibus hora ou outro aparece o tema, ou seja, gostando ou não o programa é sim um sucesso. 

Se precisamos falar sobre a ideologia de gênero, sobre o preconceito racial, sobre a liberdade sexual, sobre o machismo, sobre o feminismo, sobre a igualdade de diretos, sobre a educação inclusiva e sobre seja lá mais qual for o tema em questão, ótimo, falemos sobre. Para muitas pessoas pode ser o BBB a porta de entrada para se falar sobre esse tema pela primeira vez, eu não duvido disso. 

O que a mim chama atenção e preocupa bastante, é quando vejo amigos cristãos, que não sabem qual deveria ser sua posição a respeito, compreendo a diversidade de igrejas cristãs que existem hoje e como algumas posições podem variar. Mas quando vejo aqueles que professam a fé católica ainda abrindo margem para debater determinados temas como se a igreja nunca tivesse se posicionado sobre e não existisse uma orientação definida a respeito, aí sim o tema do BBB captura a minha atenção. 

Buscar fora da igreja, com pessoas de pensamentos rasos que são incapazes de compreender a complexidade humana, respostas que a própria igreja pode oferecer não é apenas um perda de tempo, também é demasiada tolice. 

Um perda de tempo porque a maior parte dessas pessoas irá fazer uma dessas duas coisas: A pessoa de maneira arrogante irá usar a resposta da igreja de maneira distorcida com se fosse integralmente dela e vai buscar te escravizar na opinião dela para por você em um estado de submissão intelectual; Ou a pessoa vai culpar a igreja pelo problema que ela mesma fomenta e vai dar como solução atacar a igreja, seus costumes, seus ensinamentos e tudo que a igreja possa representar. 

Se você considerar que estou exagerando, faça um exercício reverso, escolha um desses temas, qualquer um, antes de ver o que essas pessoas têm a dizer, busque conhecer o que a igreja tem a dizer sobre isso, vá as sagradas escrituras, veja o que diz a tradição da igreja, os santos doutores, o catecismo, etc. depois você vai a essas pessoas e compare o que elas têm a dizer e tire suas próprias conclusões.

É provável que suas próprias conclusões, irão te levar a compreender por que é demasiada tolice, pois na empolgação gerada pelas discussões pautadas pela televisão você acaba ignorando suas próprias bênçãos que neste caso é a sabedoria milenar da igreja a sua disposição e comete o erro de por em seu lugar pensamentos muitas vezes rasos e fora da verdade do evangelho em seu lugar, para apenas ter um status de descolado ou de sentir-se parte de um grupo. 

Mas não se deixe levar, você não precisa cobiçar o sentimento de pertença de nenhum desses grupos descolados, você faz parte de um grupo com mais de 2,3 bilhões de pessoas que professam a fé cristã pelo mundo, só precisa tomar posse dessa graça e viver de fato o evangelho de Cristo. 

A inveja é uma isca doce de anzol afiado, não permita que hypes momentâneos distanciem você da verdade revelada, se essas pessoas hoje parecem ter status, habilidades e tudo que elas dizem e fazem viralizam e viram ouro, você tem o maior tesouro de todos aguardando por você no reino dos céus, mas dizem que lá grandes coisas podem ser pequenas e pequenas coisas podem ser grandes.

Não importa qual sua igreja, antes de se apegar aos pensamentos do famosinho do momento, converse com seu pastor, padre, diretor espiritual, etc. busque ler mais a respeito, entenda não só uma visão do tema e sempre busque imitar Jesus, independente do seu entendimento, haja com caridade, corrija a quem erra, perdoe e ore por ele sempre pedindo “vá e não peque mais” (Jo 8, 11).

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.