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A ira pode ser entendida como o sentimento humano de externar a raiva e o ódio por alguma coisa ou alguém. A ira é o forte desejo de causar mal ao outro, é considerado o pecado responsável pela maior parte dos conflitos humanos no transcorrer das gerações. Um fato inegável sobre a ira é que nossa natureza humana é incapaz de evitar de maneira constante aquilo que a desperta, ou seja a raiva. Não Sentir raiva daquilo que de alguma maneira não nos agrada, não está como desejamos, não está correto ao olhar de nossos costumes e crenças e tanto outros causadores de raivas do nosso cotidiano é para nós quase impossível.

Se Jesus saiu de seu estado de calma ao se deparar com o desrespeito que faziam no templo, expulsando todos a chibatadas e gritos de “não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio” (Jo 2, 16), quem dirá nós quantas vezes por dia não saímos de nosso estado de calma. Mas cuidado, não entenda essa ação de Jesus como justificativa para sair por aí com uma chibata na mão e uma lâmina afiada na língua, antes de qualquer ação, lembre-se que a virtude que se espera de nós para combater a ira é a paciência. 

Em tempos de pensamentos líquidos, onde tudo depende, é curioso como cada vez mais se briga por qualquer coisa, principalmente nas redes sociais onde estamos nos tornando incapazes de nos posicionar com nossas convicções, para um católico (assim como para a maior parte dos cristãos que buscam viver a sua fé) expressar sua convicção de fé sem ser alvo da ira de muitos é bastante raro, mesmo sendo o que esperamos já que foi o que Cristo nos prometeu (Lc 21), não quer dizer que não nos incomode. 

A história é repleta de momentos em que a ira do mundo se voltou contra a igreja, logo no primeiro século depois de Cristo, por exemplo, no ano de 64 o grande incêndio de Roma, que foi provocado para incriminar os cristãos e ficou conhecido como um dos crimes mais icônicos da história ao qual já se colocava a culpa em nós.

O imaginário popular, junto aos filmes e séries criaram a ideia de que a inquisição foi um período de descontrole, tortura e morte capitaneado pela Igreja Católica. No entanto, ao olhar com mais cuidado para a história e tudo que nesse período aconteceu, surgiu e se consolidou, vamos encontrar a evolução do sistema jurídico acidental, moldado pelo funcionamento dos tribunais de inquisição católicos, a santa inquisição foi responsável por generalizar na sociedade organizada o entendimento de questões que até então não eram comuns a todos muito embora já fossem praticadas em alguns lugares, como o de que todo acusado tem direito a defesa, que aquele que acusa deve apresentar provas, que aquele que realiza o julgamento não pode ser alguém diretamente envolvido com o acusado e nem com o acusador. 

Se convencionou também vender a ideia de quê existe uma separação entre a fé e o conhecimento científico. Distribuem aos largos que a igreja é contra a ciência, mas quem faz isso com a consciência tranquila precisa estar muito desinformado, caso contrário tem em mente o mesmo que tinham os incendiários de Roma no século I, difamar os cristãos e atacar a igreja, visto que ignora o fato de boa parte das grandes mentes da história da humanidade professavam sua fé em Cristo, que a criação das universidades como conhecemos hoje é fruto da igreja católica, que milhares de escolas em todo o mundo ainda nos dias atuais são mantidas pela igreja católica principalmente em países mais pobres. 

Mas se podemos dizer com clareza hoje, que não foi culpa dos cristãos o grande incêndio de Roma, que a inquisição não foi simplesmente um ato sombrio a ser esquecido e que a igreja não é contra a ciência é porque a igreja é paciente. A final hoje podemos fazer perguntas simples como, 

“O quê os cristãos ganhariam incendiando uma cidade?”

“Porque demonizam a santa inquisição se os julgados eram levados ao tribunal pelo povo, mas contra o povo nada se diz?”

“Porque a igreja combateria a ciência, se a igreja é quem mais a financiou a ciência por séculos?”

Perguntas simples que podemos fazer no hoje, porque a igreja foi paciente no combate a ira daqueles que se levantam contra ela. Não se combate ira com mais ira, tudo bem você perder a calma as vezes, você é um ser humano e não um vegetal, mas quando a ira do mundo se levantar contra a igreja, precisamos combatê-la com paciência, pois se formos vitoriosos, em uns 100 anos outros jovens olharam para a história da igreja igual a como fazemos hoje e também farão perguntas e afirmações fáceis como,

“Se a teologia da libertação fosse algo inspirado por Deus, Deus seria o centro dela e não o homem.”

“Como poderia a ideologia de gênero ser benéfica ao ser humano, se ela questiona a vontade de Deus sobre o homem?”

“Alguém por acaso tem dúvidas de quê abortar e matar é a mesma coisa?”

“Não podemos ser todos iguais, pois a uma variedade de dons e carismas.”

Mas se diante da ira que demonstra o mundo para conosco porque não aceitamos suas ideias contrarias a nossa fé, apenas revidarmos com mais ira batendo e brigando como os animais que eles desejam que sejamos para nos igualarmos a eles, em uns 100 anos outros jovens olharam para a história da igreja da mesma maneira e dirão que fomos ridículos em fracassar diante de coisas tão evidentemente erradas e contrarias a nossa fé. 

Mas se você se perguntou como existirão jovens de fé estudando a igreja e seus ensinamentos daqui a 100 anos se fracassarmos agora, apenas lhe digo, somos parte do corpo místico da igreja, nosso fracasso assemelhasse a bater com o dedinho do pé na quina do móvel, todo corpo sentira a dor, todo o corpo sofrerá e lembrará de tudo isso. Mas a igreja não deixar de existir, porque a cabeça continuara firme e forte, um corpo pode viver sem a unha do dedinho do pé que somos nós, porque a cabeça continua e sempre continuará incorruptível que é Cristo Jesus. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.