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Sobre a preguiça

Chegamos ao mês de fevereiro de 2021 e em muitas partes do mundo já é possível contabilizar um ano de combate ao Covid-19, as mais variadas iniciativas foram realizadas para melhorar a vida das pessoas durante esse período. De iniciativas para a pesquisa e o desenvolvimento de uma vacina, que naturalmente ficam mais em evidência, até iniciativas como a de serviços de entregas de comida que passaram a dar a opção de o entregador deixar o pacote na porta e sair sem ter contato conosco. 

Se olharmos apenas para esses dois exemplos já nos cabe pensar. Sobre o primeiro, quem diria que tantos de nós (muitos que não lembram sequer de como fazer uma regra de três) estaríamos conversando e opinando sobre resultados de ensaios clínicos e eficácia de medicamentos? Sobre o segundo, em alguns países pode até soar como algo simples, mas qual brasileiro diria em 2019 que tudo bem o entregador deixar seu lanche na porta e ir embora, sem pensar que poderia ser roubado antes mesmo de chegarmos lá para buscá-lo.

Muitas coisas mudaram, mas algumas parecem que já voltaram a ser como antes em muitos lugares e destaco aqui, ser como antes não quer dizer necessariamente que é uma coisa boa. O meu ritmo atual de vida faz com que eu me desloque com frequência, hora de bairro, hora de cidade, as vezes de estado e uma vez ou outra de país, por esse motivo fico procurando com frequência onde fica a igreja mais próxima de onde estou no momento e buscando informações sobre os horários de missas e afins das paróquias.

Com a pandemia causada pela covid-19, as igrejas foram fechadas e celebrações e ações pastorais passaram a ser transmitidas on-line, esse movimento colocou as pastorais da comunicação das paróquias em evidência constante, fazendo delas a voz das igrejas para os fiéis que estavam reclusos em suas casas. 

O ano de 2020 lançou o serviço pastoral, mesmo que de maneira forçada, na evangelização pelos meios digitais, lugar este onde o papa São João Paulo II já convocava fiéis a estarem, pois como um profeta que preparava a igreja de Deus para o que havia de vir, no ano de 2002 já conclamava os fiéis a fazerem mais uso da internet “com realismo e confiança”, e nos dizia diretamente, 

 “Não tenham medo de se aventurar no grande oceano da informática.”

São João Paulo II

Em meados do mês de janeiro eu mudei novamente, já com as igrejas reabertas, fui a minha busca rotineira de informações sobre as igrejas, horários de missas, locais, etc. Mas aquela abundância de informação que facilmente encontraria com dois ou três cliques no período de igrejas fechadas havia desaparecido das redes sociais, os motores de buscas que sempre indicam alguns sites que catalogam informações sobre as paróquias, infelizmente não podem ter essas informações sozinhos e contam com a colaboração dos próprios paroquianos, o que faz muitas vezes com que as informações estejam desatualizadas. 

No caso específico de onde estou hoje, até o site da arquidiocese possuía informações desatualizadas sobre os horários das missas e até o telefone de duas igrejas para quais eu tentei ligar já não são atuais. Ao me deparar com essa triste realidade pensei, 

“O bum das pastorais de comunicação acabou.”

Comecei a pesquisar com amigos em outras localidades e ao que parece aquela força de vontade de se fazer presente on-line não está mais tão forte como antes, não falo sobre transmitir missas, a final, a condição de acompanhar a missa on-line é apenas um alento ao coração do fiel que não podia estar fisicamente presente, mas nada substitui viver a santa missa, falo de se fazer presente como fonte de evangelização.

Se era possível antes, por que não é mais possível? Onde foram parar as câmeras, os roteadores, os tripés de estabilização, os notebooks, os iluminadores, os softwares e apps de edição e tantas outras coisas que fizeram das pascom´s mundo a fora a voz das igrejas locais durante os períodos mais críticos de isolamento social?

Se todo esse equipamento ainda existe, talvez nos falte outra coisa menos tangíveis, se não estamos anunciando a boa nova como já demonstramos que somos capazes de fazer e nada externo mudou ou está faltando, isso quer dizer que o problema é interno, trata-se de nossa negligência, nos falta capricho, esmero e empenho, enquanto nos sobra desleixo, morosidade e lentidão. 

Se você consegue perceber isso em sua vida pastoral, saiba que o quê acabei de descrever é a definição do pecado capital da preguiça e como todo pecado precisamos combatê-lo e expurgá-lo da nossa vida e das nossas ações pastorais. 

Busquemos para isso a virtude da diligência, nossa meta é Cristo e Nele servir com amor e alegria, para que o nosso serviço seja agradável a Deus. Não permita que a preguiça te engane, aquela pequena ação que você por preguiça menospreza, pode ser o simples sinal que Deus deseja utilizar para converter um de nossos irmãos e trazê-lo para casa. 

Se São João Paulo II estava certo em suas palavras, e eu acredito que sim, precisamos ser diligentes em cada palavra, foto, vídeo e áudio que possamos gerar e publicar, que o façamos com amor, para que a cada um que alcançarmos, possamos entregar mais do que conteúdo digital, possamos em cada detalhe entregar um pouco mais de Deus. 

Percebam Deus nos pequeno detalhes. 

Graça, Paz e Misericórdia.