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Gratidão se tornou uma palavra da moda nos últimos anos, suas variações e combinações são facilmente encontradas na internet. O uso da palavra on-line foi tão forte que transbordou para o nosso vocabulário do dia a dia, não é difícil ver alguém falando sobre gratidão, sobre como se deve agradecer e tantas coisas mais envolvendo o tema. 

Evidências da neurociência já demonstram a relação positiva entre o sentir-se grato e saúde das células do cérebro. Enquanto a psicologia apresenta evidências de que pessoas mais gratas são menos propensas a sofrerem com depressão, ansiedade e síndrome do pânico.

Que sentir-se grato trás benefícios físicos e mentais ninguém discorda, mas a popularização dessa ideia nada nova está gerando um afastamento da verdade que me faz perguntar. 

Você é grato a quem? 

Agradecer não é algo que nós, a super geração que deseja salvar o mundo sem sair de dentro do quarto, criamos ontem como solução para o mundo que nossos pais estão destruindo. Esse mundo é resultado do exato contrário, é resultado da nossa revelia de agradecer, talvez você não lembre, ou nem tenha passado por isso, mas eu vou ajudar você. 

Hoje está na moda ser espiritualizado, agradecer ao sol, ao mar, a natureza em geral, ao universo, as energias e todas essas outras coisas que muitos agradecem em público se sentindo a pessoa mais superior e desenvolvida de todas. 

Bom aí está o começo do problema, não é em público que devemos ser gratos como se precisássemos ganhar um distintivo de pessoa evoluída, nosso agradecimento deve ser em particular (Mt 6, 6).

Segunda coisa, essa ainda mais problemática, mas ao mesmo tempo bem fácil de compreender. Não devemos agradecer a coisa, devemos agradecer pela coisa. Qualquer criança consegue perceber isso facilmente, se uma criança ganha um vídeo game de aniversário de sua mãe, ela não diz “obrigado vídeo game”, ele diz “obrigado mãe”. 

O problema não está em ser grato, o problema está no materialismo superficial que se cultiva como gratidão, ao agradecer a coisa e não a quem lhe proporciona a coisa da qual está usufruindo. E nesse momento precisamos compreender a verdade de fé ensinada pela igreja, por mais belo que seja o mar, o mar só existe porque Deus assim o fez. Por mais magnífica e complexa que seja nossa fauna e nossa flora, elas só assim são, porque Deus assim as fez. Por mais que o universo seja gigantesco, misterioso e por nós incontrolável, ele só assim existe porque assim Deus o fez. 

Repopularizar a gratidão é algo bom, desde que saibamos deixar de lado as coisas e sermos gratos a Ele. Não se engane, ser esse ser evoluído que agradece a todas as coisas, não faz de você um católico melhor, pelo contrário, faz você cair em um pecado grave, de colocar outra coisa no lugar de Deus (Ex 20, 3), seja grato pelas coisas, mas agradeça a Deus por todos elas. 

Sabe onde aprender a fazer isso com facilidade? 

Vá em busca dos idosos da sua paróquia e com certeza eles vão lhe dizer, e talvez você relembre ou até descubra que agradecer a Deus pelo alimento que tem diariamente ou pedir a benção aos seus pais todos os dias, são maneiras por vezes muito mais profundas de reconhecer sobre si e sobre todas as coisas o senhorio de Deus, do que aquela foto da sua viagem perfeita ou da sua festa de formatura repleta de hashtags sobre gratidão. Sim Deus o abençoou e aquelas conquista também só foram possíveis graças a Ele, mas antes de exaltar-se nas internet com elas, seja grato a Ele no seu dia a dia de maneira mais concreta, a melhora maneira de ser grato a Deus é lhe retribuindo com nosso amor, ama-Lo acima de tudo, significa também prestar a Ele reconhecimento e obediência, da pequena a grande coisa (Ex 20). 

Percebam Deus nos pequenos detalhes. 

Graça, Paz e Misericórdia.