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Para muitos a evangelização on-line pode parecer uma coisa um tanto nova, uma “modinha” que vem se espalhando pelas redes sociais, de fato não podemos dizer que não seja, hoje mais do que nunca podemos encontrar uma variedade de sites, blogs, perfis em redes sociais, canais e tantos outros meios. Esse ímpeto de se fazer um evangelizador presente na web é sem dúvida uma boa coisa, mas desde que a motivação continue sendo a de anunciar a verdadeira boa nova de Cristo. 

A igreja não condena quem (assim como nós) busca testemunhar a fé on-line, pelo contrário a prática hoje muito comum devido a proliferação de um estilo de vida conectado, já é bem vista pela igreja a décadas, tanto que em 2002, a 19 anos atrás, o papa São João Paulo II já exortava que nós explorássemos a internet como mais uma ferramenta para a evangelização. 

“A Igreja aproxima-se deste novo meio com realismo e confiança. Como os outros instrumentos de comunicação, ele é um meio e não um fim em si mesmo.”

Papa São João paulo II

Como um profeta que já nos alerta sobre futuro, São João Paulo II deixa bem claro que a internet deveria ser um meio e não um fim em si mesmo. A internet de hoje é muito diferente da internet de 19 anos atrás, os famosos algoritmos das redes sociais são capazes de nos orientar qual melhor horário para realizar uma postagem, qual tamanho seu texto deve ter, quanto tempo seu vídeo precisa durar, em qual formato sua foto gera maior engajamento. Os sistemas de avaliações nos dizem em tempo real se gostaram do conteúdo que criamos, se compartilham, se curtem, se comentam, quantos novos seguidores, qual o alcance, são tantas métricas que não são boas nem más, são apenas ferramentas, mas que infelizmente acabam ditando muito do que está sendo feito na internet. 

Se você é mais um criador de conteúdo digital buscando sem público e seu lugar a sombra, tudo bem, embora em algum momento da sua carreira você possa olhar para o seu trabalho e não se reconhecer nele, ainda será apenas algo entre você e sua carreira. Mas se você se identifica com os modernos evangelizadores que já dizem ter um apostolado na internet, você tem alguns problemas nas mãos caso se permita seguir esse caminho de orientação por métricas. 

Primeiro, seu apostolado on-line não tem significado nem razão de existir se ele não buscar fazer com que haja mudança de vida nas pessoas, logo se você só for publicar aquilo que dá mais engajamento e aumenta o número de seguidores, aquilo que dá mais visualizações, você não vai estar promovendo a mudança e ouso dizer que é provável que não esteja mantendo a fidelidade ao evangelho de Cristo, mais claro do que isso só palavras de São João Paulo II, 

“É importante que a comunidade cristã descubra formas muito especiais de ajudar aqueles que, pela primeira vez, entram em contato com a Internet, a passar do mundo virtual para o mundo real da comunidade cristã. … é também verdade que as relações mantidas eletronicamente jamais podem substituir o contato humano direto, necessário para uma evangelização autêntica, porque a evangelização depende sempre do testemunho pessoal daquele que é enviado para evangelizar (cf. Rm 10, 14-15).”

Papa São João paulo II

Segundo, você não é um criador de conteúdo. Apenas de na internet as pessoas amarem se autodeclararem criadores de conteúdo, e muitos até são, se você afirma ter um apostolado católico na internet, você no máximo é um transformador de conteúdo, porque para ser católico você precisa ser fiel aos ensinamentos da igreja, você pode explicar de maneira mais fácil, você pode resumir, você até deixar mais divertido, mas não pode criar nada, se você criar algo da sua cabeça para ensinar aos seus seguidores que esteja fora da doutrina da igreja você se torna um criador de conteúdo, mas deixa de ter esse tal apostolado católico, porque está fora dos valores da igreja católica. O que seguindo apenas as métricas on-line é fácil de acontecer, como nos deixou o alerta o santo padre.

“Numa sociedade que se alimenta do que é efémero, corre-se facilmente o risco de acreditar que o que importa são os fatos e não os valores.”

Papa São João paulo II

Terceiro, é claro que em alguns temas a igreja não possui uma palavra final e definitiva, mas um bom católico não foge a responsabilidade e se estamos anunciando Cristo através da internet precisamos, mesmo ali, sermos firmes e assumirmos a nossa responsabilidade, sair desse eterno “depende”, abandonar esses “mas…” e compreender que não é por estar on-line que podemos fazer ou aceitar qualquer coisa. 

“Além disso, como foro em que praticamente tudo é aceitável e quase nada é duradouro, a Internet favorece uma forma relativista de pensar e, às vezes, alimenta a fuga da responsabilidade e do compromisso pessoal.”

Papa São João paulo II

Por fim, cabe a nós na posição de evangelizadores que a Igreja nos conclama a sermos, tomar cuidado para não nos entregarmos a sedução da aceitação coletiva e da fama instantânea que a internet tem o pode de proporcionar, publicando e compartilhando apenas aquilo que agradar ao mundo on-line, seja em nossas redes pessoais ou em ambientes criados para a evangelização on-line.

Tal qual também temos o dever moral de corrigir e em último caso, abandonar não dando audiência aqueles que em seu conteúdo ofendem a nossa fé, mesmo que no passado tenho sido instrumentos fortalecedores do anúncio do evangelho, se a correção fraterna não é suficiente ao criador, abandone tal conteúdo para que não cai você também no mesmo erro. 

Pensando nisso, fico com as palavras do papa São João Paulo II,

“De tal maneira que no presente, assim como foi no passado, o grande compromisso do Evangelho e da cultura possa mostrar ao mundo ´a glória de Deus e o rosto de Cristo´ (2 Cor 4, 6). O Senhor abençoe todos aqueles que trabalham em ordem a esta finalidade.”

Papa São João paulo II

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.