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Acredito que todos deveriam pelo menos uma vez por ano parar e refletir sobre sua vida, não estou me referindo a longos períodos de férias para buscar a si mesmo na floresta ou no deserto, não estou falando de tirar ano sabático ou realizar longas seções de terapia para entender a si mesmo. Embora todas essas coisas possuam seu valor, cada uma a sua maneira, a verdade é que a maioria das pessoas não tem oportunidade e/ou condições de fazê-las.

Mas qualquer um pode escolher um dia no ano para pensar sobre os rumos da própria vida, não estou falando de um dia sem fazer nada meditando de frente para o mar ou em cima de uma montanha, apenas um dia em que tudo que você faz pode lhe ajudar a pensar sobre como sua vida está e como você gostaria que ela estivesse, pensar nas coisas que você conseguiu alcançar e nas que se orgulhar de ter deixado para trás.

Com certa frequência eu vejo nas redes sociais posts que exortam a pergunta,

Qual foi a última vez que você fez uma coisa pela primeira vez?

Embora essa frase tenha a intensão clara de incentivar-nos a fazermos coisas novas e a buscarmos novas experiências, o que por si só é algo muito bom, precisamos ter cuidado para não cairmos no erro de desvalorizar as coisas que já fazemos ou outrora fizemos por estarmos em busca do novo.

Semana passada eu passei dois dias pensando na minha vida, o que já fiz dela até aqui e o quê ainda gostaria de fazer, embora a lista da minha criança interior ainda seja muito grande e ambiciosa, a lista estava repleta de coisas que já fiz no passado e hoje sinto falta de fazer. Foi pensando nessas coisas durante as atividades do meu dia que eu passei novamente pela frase no Instagram, quando eu ali, pensei.

Qual foi a última vez que você desejou fazer uma coisa mais uma vez?

Existem tantas coisas simples da vida que vamos deixando de fazer porque o tempo ficou curto, porque a rotina não encaixa, porque “saiu de moda”, porque, porque, porque, são tantos os porquês que apresentamos e vamos complicando tanto a nossa vida em busca de novidades e aventuras. Gastamos dinheiro que não temos, comprando coisas que sequer gostamos de verdade, só para agradarmos pessoas que não gostamos e impressionarmos pessoas que não ligam.

Tudo isso enquanto poderíamos estar sendo felizes, muitas vezes com coisas bem mais simples. Sim na sua lista pode ter aquele carro novo, aquela viagem legal ou aquele celular de última geração e não tem problema nenhum nisso. Mas eu sei que se você perguntar a sua criança interior, vai ter muitas coisas que vão além disso, sempre tem.

A minha por exemplo, continua querendo ir à Tóquio e insiste em voar de balão, até salta de alegria com a possibilidade. Mas facilmente chora de saudade quando pensa na fogueira de São João que acendia na infância e se arrepia quando lembra da emoção que era organizar retiro de jovens durante a adolescência.

Talvez na sua lista tenha algumas saudades que você não pode mais realizar e tudo bem, agradeça a Deus por um dia ter feito. Mas as que você ainda pode repense um pouco e aproveite, sim faça coisas novas, aprenda coisas novas, viva coisas novas, mas não permita que essas novidades apaguem o que você já viveu, nem quem você realmente é, pois acrescentar é diferente de substituir.

Por isso em todas essas coisas encontre e apresente Deus, porque independente do momento, Ele está sempre conosco e nenhuma experiência nova ou rotineira pode substituí-Lo.

Percebam Deus nos pequenos detalhes

Graça, Paz e Misericórdia.