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Falar sobre pecado nos dias de hoje deixa os ânimos um pouco extremados, facilmente encontra-se os que levam muito a sério e os que não levam nem um pouco a sério. Mas antes de escolhermos uma das duas opções, não podemos ignorar o fato de que o nosso comportamento é o que vai ditar a eternidade de nossa alma.

Mas se de uma lado muitos padres até evitam em suas homilias falar de pecado e apresentam apenas a face amorosa de Deus que perdoa e acolhe, do outro lado muitos outros fazem questão de alardear o destino tenebroso que terão os pecadores no inferno caso não se convertam e mudem seu estilo de vida.

Longe de mim questionar o muitos estilos do sacerdotes, sempre vale lembrar que o padre não é um homem comum, é um servo de Deus retirado do meio do povo, ungido e enviado em missão a favor das almas. Muito embora eu tenha preferencia por uma condução mais branda que equilibra as duas realidades, reconheço que muitas ovelhas precisam ouvir que a misericórdia infinita de Deus vai em seu consolo e muitas outras ovelhas também precisam ouvir um forte alerta sobre o seu estilo de vida destrutivo do qual nada de bom a de brotar.

O estilo único de cada um não me incomoda, pois enquanto estão fiéis a verdade da igreja de Cristo, eles fazem parte da riqueza da santa igreja e cabe a nós fiéis o exame de consciência para acolher essa verdade e foi devido a esse exame de consciência que meu confessor sugeriu o sobre de hoje. 

Enquanto católico, não me orgulho de muitas coisas que fiz nos últimos dez dias, mas durante meu exame de consciência para confissão uma coisa me chamou bastante atenção, reconhecia ali meus pecados e em todos eles eu me reconhecia ofendendo a Deus e Dele me afastando. Mas em um específico, além de sentir que ofendia e me afastava de Deus eu sentia que fazia o mesmo para com uma outra pessoa, uma pessoa que eu sequer conheço e que tenho dúvidas a respeito de sua existência. 

Naquele momento específico, reconheci-me pecando contra a castidade e muito embora seja solteiro, não tenha compromisso com ninguém e não sinta grandes aspirações ao matrimônio, em meu exame de consciência senti que a ela também ofendia e que dela também me afastava. 

Existem vários métodos, formas e roteiros para se realizar um bom exame de consciência, na ocasião fazia uso das três etapas indicada pelo papa Francisco (em relação a Deus, em relação ao próximo e em relação a mim mesmo) e me deparei pensando, com sentir que machuquei alguém que não conheço, não me refiro a um mau feito a vítimas desconhecidas de maneira genérica, mas alguém bem específico que um dia pode fazer parte da minha vida ou não?

Cheguei a conclusão que talvez no futuro eu conheça essa ela e peça perdão por isso, talvez essa ela seja a igreja e se assim for, dela já busco o perdão pela penitência e oração, talvez não seja nem uma coisa e nem a outra e ela seja apenas minha consciência que ferida pelo meu ato ajudou-me a perceber o meu pecado. Qualquer que seja a opção, para mim todas são boas, pois me ajudam a lembrar que qualquer ação só é boa se nela formos capazes de perceber e nos aproximar de Deus.

Meu confessor pediu para escrever sobre isso por dois motivos, primeiro porque independente de qual o estilo de homilia seu pároco adota, ele é apenas um dos meios pelo qual Deus se comunica com você, mas a sua consciência também pode ser um deles, quando ela te acusar medite a respeito e se reconheça nela, sempre peça a Deus em suas orações o dom da sabedoria para ajudar a discernir conscientemente o que agrada e o que desagrada a Deus e se sua consciência nunca te acusou de nada, em suas orações peça a Deus o dom da humildade, pois é um sinal de que está lhe faltando. 

Segundo, porque de acordo com ele, em algum lugar existe alguém com a consciência inquieta esperando apenas uma pequena oportunidade para reconhecer-se pecador e dizer, “hoje eu vou tentar diferente”. Quando ou onde isso vai acontecer eu não sei, mas ele já nos prometeu e nos provou que é possível (Is 55, 11), se a pequena coisa que faltava para você dar o primeiro passo era esse curto relato, aqui está, aproximemo-nos de Deus juntos e sempre percebamos Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.