Movendo-se pelo mundo como católico
Sobre ser aberto a vida
Sobre ser aberto a vida

Sobre ser aberto a vida

Essa semana uma sem nome me enviou alguns prints de uma postagem a respeito de uma mulher que tinha feito três partos cesarianos e o médico recomendou que ela se submetesse a uma laqueadura, para evitar engravidar novamente devido aos riscos que uma quarta gestação traria para ela. A mulher em questão perguntava a uma influenciadora digital no Instagram se mesmo com o possível risco a sua vida, ainda seria pecado realizar o procedimento.

A influenciadora respondeu com maestria a dúvida de sua seguidora, não digo isso porque ela respondeu certo, mas porque ela foi além do “sim, ainda é pecado”. Ela explicou fundamentada na doutrina da Santa Igreja, na tradição e nas Sagradas Escrituras, explicando inclusive uma coisa que muitas vezes esquecemos ou buscamos esquecer, nossa vida pertence a Deus e mais importante do que preservar a nossa vida nessa terra é alcançar a salvação eterna na próxima. Além disso, deu orientações e sugestões atuais de como lidar com aquela situação delicada, inclusive como escolher um bom médico que entenda as nuances de seu dilema.

Mas sabe o que me chamou atenção, não nesse caso em específico, mas em vários casos como esse que começaram a surgir nas redes sociais com mais frequência nos últimos anos, depois que movimentos pró-vida se tornaram mais populares? É que geralmente o argumento, embora correto e bem alinhado com o que nos ensina a Santa Mãe Igreja, ele vem incompleto na grande maioria dos casos.

Um casal católico aberto a vida em suma é um casal católico, apenas isso, porque se você defender o aborto, o controle de natalidade via procedimentos cirúrgicos, o uso indiscriminado de medicamentos e outras coisas desse tipo, você pode estar mal informado, pode ter sido mal catequisado, pode até está chegando agora no caminho de conversão e ainda não sabe disso, mas se a Igreja diz não, todos os católicos dizem não ou não estão em comunhão com a Igreja.

Reafirmo isso, apenas para que ao se colocar como um católico aberto a vida, você não caia no pecado da vaidade e pense que em você há uma áurea especial que o torna diferente, como sempre me diz um grande amigo sem nome,

“Você está fazendo o básico, ainda falta um longo caminho a percorrer”.

Mas porque eu sinto que o ensinamento está incompleto? Porque a doutrina existe para nos ajudar na santificação. Seguir a regra só pela regra muitas vezes pode nos deixar cegos para o óbvio.

Por isso proponho um exercício simples, viajemos no tempo, vamos voltar ao passado, imagine que você está vivendo em um tempo onde cirurgias como a laqueadura e a vasectomia ainda não foram inventadas. Um tempo onde não existe nenhum dos métodos anticoncepcionais modernos que conhecemos. O quê fazer para evitar engravidar?

Talvez você tenha pensado no método da tabelinha, tenha pensado na ejaculação externa para evitar a fecundação, talvez tenha pensado em práticas alternativas de relação sexual. Mas para todas essas possíveis soluções você está presumindo que existe um conhecimento de como uma criança é biologicamente gerada, mas e se estivéssemos em um tempo onde esse conhecimento detalhado do ciclo reprodutivo não existisse e a única coisa que soubéssemos de fato é que existe uma relação direta entre o ato sexual e a gestação?

Se você ainda não pensou no óbvio, permita-me dizer, a solução mais óbvia nesse nosso passado distante ainda funciona nos dias de hoje, a abstinência sexual, um dos itens que compõe o ensinamento da Santa Mãe Igreja a respeito da castidade. Ficar sem ter relações sexuais é o método mais fácil, saudável e seguro para não engravidar e ainda por cima é gratuito (sim estou sendo um pouco irônico). Antes que você se pergunte ou até argumente, permita-me dizer que sim, casais unidos pelo sagrado matrimônio podem livremente decidir não ter mais filhos diante de uma questão de saúde e simplesmente deixarem de fazer sexo.

É possível que você tenha uma reação de estranheza diante dessa afirmação, mas não há nenhuma novidade nisso, o maior exemplo disso é a Sagrada Família, muitos casais santos tiveram escolhas voltadas a abstinência sexual no matrimônio e entregaram essa oferta aos pés da cruz. Independente de em qual etapa está seu relacionamento, se conhecendo, namorando, noivando ou casados eu recomendo fortemente que busque conhecer um pouco mais sobre a história e os ensinamentos desses santos casais, isso pode te ajudar muito a entender como seu relacionamento pode te levar para mais perto de Deus.

Mas porque esse conselho, aparentemente evidente, não é dado com frequência?

Não tenho certeza, pode ser porque estamos mais preocupados em seguir a regra da doutrina do que em buscar a santidade. Ou pior, estamos preocupados em encontrar uma brechinha na doutrina da Igreja. Estaríamos tão afundados em nossos próprios desejos que sequer cogitamos sacrificar um prazer pessoal em nome da santidade. Talvez estejamos viciados na ideia de que precisamos praticar sexo, pois diante do risco a vida buscar maneiras de continuar praticando ou consumindo algo é uma prática comum entre fumantes, alcoólatras, dependentes químicos e muitos outros.

Seja qual for a sua situação, respire fundo e vá com calma, cada caso é um caso, com suas peculiaridades e sensibilidades únicas, por isso é sempre bom pensar tendo em mente que existe mais de uma maneira de se agradar a Deus, mas não existe nenhuma maneira de enganá-Lo.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Deixe uma resposta