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O nosso calendário está repleto de datas comemorativas e se você assim como eu não for muito apegado a elas, só deve perceber a maioria quando todos estão falando sobre elas nas redes sociais e coisas do gênero. Foi o que aconteceu essa semana como o dia do amigo, que só percebi que estava sendo comemorado porque os storys das pessoas pareciam que haviam sido tomados pelo tema naquele dia, o que me fez rir e refletir bastante sobre as maneiras como as pessoas expressão amizade umas para com as outras. 

Celebrações da amizade existem em várias partes do mundo e em dias diferentes, as comemorações incluem tradições como troca de cartões, presentes, mensagens especiais, reuniões e tantas outras. Entre nós católicos essas coisas são comuns e veem acompanhadas muitas vezes de testemunhos, lembranças e passagens bíblicas que ressaltam a importância de se cultivar verdadeiras amizades. 

Não é difícil pensar sobre o quê é uma amizade, sobre como ela pode ser ou sobre como gostaríamos que nossos amigos se portassem para conosco. Mas agora que já comemoramos o dia do amigo, que tal um exercício reverso? Nesses tempos em que sabemos exatamente o quê queremos, como queremos e quando queremos, vale a pergunta, 

Eu sou um bom amigo para os meus amigos?

Antes que você responda essa pergunta, pense um pouco sobre isso, aqui não estamos falando de dar ao próximo aquilo que gostaríamos de receber. Como eu disse, sabemos bem o quê, quando e como queremos que as coisas aconteçam e que as pessoas se portem para conosco e muito embora fazer pelo outro o que gostaríamos que fizessem por nós seja um grande passo de humanidade, nem sempre o que é bom para você pode ser bom para o outro e amigos são pessoas que deveríamos conhecer bem, então não precisamos usar da empatia genérica com eles, podemos ir mais a fundo nisso.

Então quando começar a responder à pergunta, busque não confundir o fato de você se considerar um bom amigo porque se porta com seus amigos da maneira como quer que eles se portem com você e comece a pensar se você é um bom amigo para os seus amigos de acordo com a visão deles. Mas cuidado, não pense que você deveria fazer tudo que seus amigos desejam que você faça, você não é empregado deles, as vezes não tem nada a ver com o que eles desejam, mas sim com o que eles precisam. Lembre-se que Jesus considerava seus apóstolos amigos (Jo 15, 15), mas nem por isso permitiu que eles fizessem sempre o que queriam ou deu a eles sempre o que buscavam. 

Buscar ser e oferecer o melhor para aqueles que convivem conosco é uma maneira de fortalecer o vínculo de amizade que temos com as pessoas, mas precisamos ter sempre em mente que são pessoas assim como nós, cheias de erros e acerto, defeitos e virtudes. E neles reside também o mistério da nossa salvação, pois precisamos aprender a ama-los se desejarmos um dia está face a face com o Criador (I Jo 4, 20). Não se trata apenas de cultivas amizades para ter bons momentos, para partilhar viagens, festas, sorrisos e emoções, todas essas coisas são benéficas e nos fazem muito bem, mas trata-se de acima de tudo isso amar a Deus no outro, para que sejamos amigos de Deus através do nosso irmão, pensando nisso eu lhe provoco novamente com a pergunta. 

Eu sou um bom amigo para Deus?

Não tenho nenhuma dúvida de que Ele é o melhor amigo que tenho, o melhor amigo que você tem, o melhor amigo que temos em comum. Mas e nós como estamos vivendo, o que andamos fazendo para manter nossa amizade com Deus? O que podemos fazer para melhorar nossa amizade com Ele? Ele é um amigo ciumento e não aceita outros melhores amigos que queiram tomar o lugar Dele em nossas vidas (Ex 20, 5), mas não é um amigo que toma para si a sua atenção, muito embora, seja o mais fiel dos amigos e sempre está por perto esperando você notar que Ele está ali a sua espera (Jo 1, 45), acompanhando você com um olhar de puro amor do maior dos desafios ao menor dos detalhes. 

Percebem Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.