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Alguma vez você observou um comportamento de alguém que considerou tão absurdo a ponto de não o considerar humano? Já se deparou fazendo algo ou pensou em alguma atitude sua do passado e pensou que hoje você é mais humano? Vamos falar um pouco sobre ser humano. 

Curiosamente, falar sobre ser humano é a maneira de provar que sou, pois o tema me foi sugerido com a seguinte frase, “você poderia escrever sobre ser humano? Quem sabe assim você pense um pouco sobre isso e fique mais parecido com um.”, quase uma premissa ao estilo René Descartes “penso, logo existo” me foi aplicada, mas a verdade é que não se aplica, a final eu sei o que é um cachorro, sei o que é uma árvore, sei o que é o mar, sei o que é uma mesa, sei o que são vários seres e coisas mas falar sobre eles não fará de mim mais parecido com eles.

A quem acredite que o ser humano nasce bom, mas sociedade o corrompe, se você é do time de Rousseau e carrega essa crença, já lhe aviso que eu sou do time de Santo Agostinho, quando nascemos carregamos a mancha do pecado original e se você é católico fique sabendo que o pecado original é um dogma de fé da igreja e não pode ser negado por um católico. Então você precisa deixar de lado essa ideia marxista de que o sistema, a sociedade e meio é responsável por tudo, lembre-se que Jesus disse “tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16, 24; Marcos 8, 34; Lucas 9, 23), Ele não disse que você não tem cruz, porque você não é responsável por nada e a culpa é do sistema.

Se para você foi fácil pensar sobre algum absurdo a respeito de outra pessoa que você acreditou agir sem humanidade, mas quando pensou sobre você não foi tão fácil, preciso dizer que isso não é por você ser um ser humano exemplar, é porque você precisa aplicar menos Rousseau e mais Cristo na sua vida. Não é por acaso que nos dias atuais ficamos aterrorizados com assassinatos, violência sexual, abusos contra crianças e idosos, são tantas barbarias que vemos quando decidimos acompanhar o noticiário, que nos faz inconscientemente pensar que somos diferenciados por não estarmos praticando nenhuma dessas coisas e que bom que não estamos. Mas preciso dizer uma coisa para você, 

“Católico comunista não existe, ou você é católico ou você é comunista”. 

Foi em um diálogo no qual eu disse essa frase que o tema de hoje surgiu, não pretendo versar aqui sobre os fundamentos nos quais eu afirmo isso com tranquilidade, mas recomendo a leitura do que ficou conhecido como Decreto contra o Comunismo, um documento da Igreja Católica, publicado pelo Santo Ofício no dia 1 de julho de 1949, durante o pontificado do Papa Pio XII.

Mas a reação que recebi diante dessa afirmação me fez pensar e um olhar para a humanidade do ponto de vista histórico, vai nos revelar que nós enquanto seres humanos discordamos desde sempre e por muitas vezes nossas discordâncias levaram a tragédias, se formos ao livro do Gênesis temos o relato de um desentendimento regado a inveja entre dois irmãos, que termina com um assassinando o outro, não estou aqui para julgar o caso, mas será que podemos culpar alguém por desejar ser bem visto aos olhos do todo poderoso Deus? Bom o que a sagrada escritura nos diz é que não, já que Ele próprio proibiu que alguém fosse contra o irmão invejoso por isso e o punido de outra forma (Gn 4). 

Mas enquanto essa enxurrada de notícias absurdas nos passam a ideia de que a bondade corre o risco de extinção no mundo atual, indiretamente também nós preenchemos da ideia de superioridade a ponto de acreditarmos que somos seres humanos muito acima da média, quando na verdade não somos. 

Seja no seu bairro, na sua cidade, no seu estado ou país, quando você ouvir uma estatística absurda qualquer sobre número de assassinatos, de roubos, de abusos ou seja lá mais do quê, tenha sempre em mente que as notícias são produzidas para chamar sua atenção, mas as vezes vale o esforço de perguntar ao Google o que aquele percentual ou número realmente representa. Preste bem atenção, não estou dizendo que o problema não está lá, mas que você não é exatamente o único ser humano de boa índole da cidade, sempre que você perceber que está indo nessa direção diga para si mesmo, 

“Eu não sou Ló, eu não vivo em Sodoma e Gomorra” (Gn 19). 

É evidente que, por exemplo, aqueles que cometem absurdos como maltratar um idoso incapaz de se defender em sua própria casa tem que prestar contas a justiça humana aqui na terra e a divina quando chegar a hora, mas façamos juntos aquele exercício dos pequenos detalhes. No ônibus ou no metro quando alguém vira o rosto para o lado, finge estar dormindo e até põe fones no ouvido para ignorar a existência de um idoso para não levanta e ceder o acento simplesmente porque tem a audácia de julgar estar mais cansado porque passou o dia estudando ou trabalhando e o idoso aposentado não faz nada o dia todo, como você chama isso? Ignorar essa situação faz de você alguém em condições de ficar assim tão indignado quando vê a violência no noticiário?

No Brasil existe uma lei, assim como em vários outros países, que obrigam a existir uma fila preferencial para idosos, deficientes, gestantes e lactantes, aquela fila especial do supermercado ou do banco por exemplo, mas será que isso fala mais sobre a evolução das leis humanas ou sobre a decadência de nós humanos, que precisamos que exista uma lei que nos obrigue a sermos mais compreensíveis com alguém de 70 anos na fila do supermercado, com um cadeirante que leva o dobro do tempo só para conseguir entrar no prédio (quando consegue, infelizmente as vezes nem consegue subir na calçada), ou com uma mãe que mau consegue ficar em pé devido sua gestação avançada. 

Pensemos um pouco sobre isso, pois quanto mais imerso estamos em um mau “maior” que o nosso, tendemos a não perceber o nosso mau, como um mau real. A única maneira de termos êxito em sermos humanos é olharmos para O ser humano perfeito, quando fazemos isso, percebemos o quanto a nossa jornada humana pode melhorar, a exemplo do jovem que tudo fazia ao respeitar os mandamentos, ele poderia sentir-se um ser humano elevado, mas buscou o exemplo do ser humano perfeito e percebeu que precisava de mais, de muito mais (Mt 19, 16 – 30). 

Mas se nascemos com a marca do pecado original, se temos em nós essa propensão ao mau é isso que é ser humano? Não, o que nos faz humano é desejar ser santo (Mt 5, 38), foi isso que o Senhor nos ordenou. Ele enquanto ser humano perfeito nos ensinou que precisamos amar o Senhor nosso Deus de todo o nosso coração e com todo o nosso entendimento, e que devemos amar o próximo como Ele nos amou (Mt 22, 37). Não é nos sentindo superiores ao apontar o erro no outro, mas buscar ensinar ao outro a não errar, não é ficando irritado e atacando o outro por qualquer discordância que se tenha, mas buscar ensinar a fidelidade da fé. 

Sim temos muitos males no mundo e precisamos combate-los, mas como certa vez disse o ex Almirante da Marinha Americana William H. McCraven, 

“Se você quer mudar o mundo, arrume a sua cama”

Vamos começar a mudar o mundo, mudando as pessoas que estão nele, comecemos então por nós mesmo, ser humano é isso, reconhecer que somos falhos e precisamos buscar diariamente o exemplo dAquele que nunca falhou, sigamos o exemplo do ser humano perfeito, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, busquemos segui-Lo do maior ao menor dos detalhes, é isso que é ser humano. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.