Advento
Advento

Precisamos falar do Natal?

Advento é a espera do novo tempo

Ano novo, que para igreja começa de novo

O tempo da reclamação

De quem deu a imaginação

A missão do coração

De entender a condição

Dessa criança sagrada

Que veio para ser luz

E foi morrendo na cruz

Que nossas almas tornou salvas

É chegando no Natal

Esse período divinal

Em que sempre agimos igual

Falando do “verdadeiro”

Sentido do natal

E esquecemos do bem real

Essa força sobrenatural

Que do menino Deus herdamos

Às vésperas do Natal

No dia 24 comemoramos

E no dia 25 já mostramos

Como estamos desperdiçando

A oportunidade concreta

De tornar verdadeira a festa

Do natal que tanto falamos

Das mesas fartas da ceia

Vem as provas mais feias

Que nas sobras da comilança

Sobrou comida

Faltou esperança

Esperança que aprendemos

E tantas vezes não vivemos

Mas o menino Deus convida

No milagre da partilha

A viver o verdadeiro

E único sentido da vida

Ele com as próprias mãos

Nos ensinou a partir o pão

E entregando-se de coração

Confiou-nos a missão

De partilhar a esperança

Por isso não pense tanto

Onde guardará os tantos

Da sua ceia posta

Que por fim viram sobras

Faça um natal verdadeiro

Convidando o primeiro

Que passar em sua porta

Nesta noite tenha certeza

Que Ele estará a sua mesa

Para um Natal tão concreto

Que estando longe ou perto

O Teu Coração Sagrado

Dirá ao seu com muito agrado

Este sim é o meu aniversário.

Feliz Natal!

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Apenas veja

Vocês já ouviram falar em estocoma? É um fenômeno mental onde alguém vê o quê escolhe vê, de maneira bem simplista quando alguém começa a reforçar para o seu celebro determinadas informações, ele acaba por toma-las como verdade, mesmo se elas não forem as mais adequadas ou se não forem fieis a realidade.

Quem não tem aquele amigo esquecido que sempre justifica seus furos com frases recorrentes como “eu esqueço fácil das coisas”, “eu não me apego a detalhes”, “não tem como lembrar de tudo”, afirmações dessa natureza vão passando a mensagem para o celebro de que tudo bem esquecer das coisas e não há um esforço real por parte dele de lembra com fidelidade do que acontece ou com o quê se compromete.

É o quê acontece com aquela sua amiga que nunca encontra a chave de casa na própria bolsa, que perde o smartphone na mesa do trabalho e que passa horas procurando o lápis que na verdade está no seu cabelo, quando você questiona ela sempre ouve respostas como “eu sou meio esquecida mesmo”, “nunca sei onde ponho as coisas”, “a culpa é das coisas que somem”.

Essas pessoas acabam educando a sua mente a reforçar esse comportamento, fazendo com que você esqueça de coisas com ainda mais frequência ou não consiga achar algo que está bem na sua frente. Já de antemão peço desculpas aos psicólogos, psiquiatras e afins pela explicação simplista de um fenômeno altamente complexo, mas se vocês sentem que tem um problema como esse que está atrapalhando algum aspecto de suas vidas, procurem um especialista, mesmo se vocês estiverem bem, uma consulta não vai lhe fazer mal.

Mas porque estamos falando sobre isto? Porquê hoje é o 4º domingo do advento e hoje a igreja proclama o evangelho segundo São Mateus 1, 18-24. Caso vocês não saibam é a narrativa onde o anjo do senhor aparece para José em sonho e se vocês ainda não tiverem lido essa passagem hoje, eu recomendo, ela está entre as minhas passagens preferidas.

São José é um dos personagens mais silenciosos que está nomeado no novo testamento, você não vai encontrar registros de grandes diálogos dele com ninguém, nem mesmo com sua esposa a Virgem Maria, mas é muito provável que vocês já tenham ouvido falar muito de São José, como exemplo de pai, de marido, de homem justo, de fidelidade e de castidade, entre muitos outros. Infelizmente é provável que também já tenham ouvido algumas coisas sobre ele que apenas sofrendo de estocoma é possível considerar credível, muito embora, infelizmente, se vocês como eu tiverem crescido na igreja, ou a ela frequentem a algum tempo, devem ter ouvido algumas coisas pouco credíveis de pessoas que não esperava como catequistas, pregadores, formadores e até mesmo diáconos e padres.

Eu não sou teólogo, historiador, tão pouco membro do clero, não pretendo aqui interpretar as sagradas escrituras, mas propor para vocês um exercício, um exercício para ajudar as suas mentes a trabalharem melhor algumas informações que podem não está muito claras pela maneira como tentaram ensiná-las para vocês. Este exercicio é simples, são perguntas que foram feitas por mim quando ainda era infante na catequese e que durante a minha jornada até aqui ouvi outras crianças fazerem na catequese e fora dela, ao serem apresentadas a historia de São José.

Vocês podem se perguntarem porque perguntas feitas por crianças e a resposta é muito simples, as mentes das crianças não possuem vícios e estão dispostas a ver tudo, são curiosas, querem descobrir, aprender e compreender. É provável que vocês já tenham uma imagem formada da pessoa de São José e as suas mentes já tenham escolhido o quê ver, não sei que imagem vocês têm dele, as perguntas a seguir podem ajudar a reforçar essa visão, mas também podem mudá-la, vejamos o quê acontece.

Se José duvidou de Maria quando ela disse que estava gravida. Então porque não escreveram isso?

Porque José foi considerado justo ao pensar em abandonar Maria?

Porque ninguém achou estranho quando Maria apareceu gravida antes de ir morar com José?

Se José era um velho porque não repercutiu Maria ficar gravida dele como repercutiu quando Izabel ficou gravida?

Sinto desaponta-los, mas não pretendo nesse texto responder essas perguntas, vocês podem voltar ao evangelho e realizar a leitura orante, podem pesquisar os documentos da igreja e os escritos dos santos sobre isso, se desejarem, entrem em contato conosco pelas redes sociais e conversaremos sobre.

Essas perguntas são para instigar vocês a pensarem um pouco, permitam-se ver mais do que só o quê suas mentes já estão condicionadas a ver, não podemos incorrer no erro de preencher com nossa realidade pessoal os planos de Deus. Na duvida podemos tomar o exemplo de São José e ficarmos em silêncio para que mais uma vez floresça em nós o Espírito do natal.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Família é complicada mesmo

Se existe algo capaz de despertar em todos nós sentimentos diversos como a família consegue, eu ainda não conheço, as famílias possuem as mais variadas formações e a única certeza que podemos tirar da família é quê não existe padrão para demonstrar sentimentos e afetos. Mas existe um recurso chamado comparação, que nós seres humanos utilizamos para os mais variados fins e demonstrar sentimentos entre os membros da família não é uma exceção.

Permita-me tentar explicar, qual é a comida mais gostosa o abará da Bahia ou o pirão de capão de Sergipe? Calma, não precisa fugir para as colinas e nem travar uma guerra gastronômica, utilizei duas receitas bem regionais de propósito, assim fica fácil perceber que só será capaz de opinar quem já tiver provado dos dois pratos, aos que ainda não o fizeram vou deixar uma dica, os dois são fantásticos.

Nas famílias é a mesma coisa, somos comprados o tempo inteiro e quem faz essas comparações só é capaz de fazer porque conhece ambas as pessoas que estão sendo comparadas, a final quem nunca ouviu dos pais, dos tios ou dos avos aqueles conselhos comparativos.

“Vá estudar para não acabar igual aquele seu tio…”

“Tome cuidado para não ficar mau falada igual aquela sua prima…”

“Você deveria tomar sua tia como exemplo…”

São conselhos desse tipo que ouvimos desde a infância até a nossa fase adulta, mas quem nunca em uma reunião de família, mesmo depois de adulto, não ouviu aquela fala que é meio comentário e meio conselho.

“Ainda não se formou? Sua prima tem a sua idade e…”

“Ainda não está casada? Na sua idade eu…”

“Não tem filhos ainda, está esperando o quê? Seus tios na sua idade já…”

Você pode até não observar de imediato, mas a forma comparativa é a maneira mais fácil que os familiares encontram de dar a você o conselho que eles acreditam ser o melhor, você pode não perceber, mas em algum momento já fez ou então se prepare, vai se perceber fazendo isso.

Quando eu era criança, o ponto de referência que a minha família utilizava comigo era meu primo, ele era alguns meses mais novo do quê eu e a impressão que eu tinha é que ele sempre estava a minha frente em tudo, ele entrou na escola primeiro do quê eu, aprendeu a contar e calcular, a ler e a escrever, a andar de bicicleta, a patinar, a cavalgar, a pilotar e a dirigir. E claro minha família, meu pai e minhas tias principalmente, sempre tinham seus conselhos comparativos para mim, por muitas vezes eu ouvi.

“Sente para estudar, seu primo já sabe ler.”

“Tente se equilibrar, seu primo já pedala sem as mãos.”

“Ainda não sabe dirigir, seu primo já tem habilitação.”

Na infância essas falas geram em nós um punhado de competição, mas quando vamos superando a adolescência percebemos que cada um tem um tempo de fazer as coisas e que não é porque sua família faz referência a outro que está a sua frente que eles gostam menos de você, pelo contrário, a mensagem é quê somos um só. Família é essa unidade, partilhamos o mesmo sangue, a mesma educação, a mesma história, se um de nós consegue, os outros também conseguem, não por que somos todos iguais, mas porquê todos temos a mesma base e o mesmo apoio para chegar onde escolhemos chegar.

Esta semana em uma partilha um homem falava sobre essa relação de família e me fez lembrar de tudo isso, ele contava sobre o primo, como a diferença de idade entre eles também era pequena, questão de alguns meses. Os dois viveram vidas semelhantes, sempre alinhados com os ensinamentos de Deus, obedecendo seus mandamentos. Mas com o passar dos anos eles cresceram e cada um seguiu por um caminho, o mais velho desde cedo tinha o dom da palavra, uma oratória admirável, encantava o povo com suas mensagens, tinha um perfil mais radical e ia a lugares de difícil acesso, mesmo assim muitos iam procurar por ele.

O mais novo, desde pequeno mostrou a toda a família a que veio, ensinava aos mais velhos com sabedoria de ancião, todos na família sabiam que ele era o prodígio da família, se o mais velho tinha nascido com um dom, o mais novo possuía todos. Mas eles nunca concorreram por isso, o mais velho encantava o povo, mas sempre os alertava que o mais novo quando chegasse, faria muito mais. O mais novo por sua vez, amava o mais velho de todo o coração e fazia questão de mostrar isso publicamente.

Infelizmente a fama do mais velho trouxe mais do que bons amigos, ele possuía gênio forte de convicções firmes e acabou irritando gente poderosa e por isto foi preso. Preso não podia continuar seu trabalho então mandou aqueles que trabalhavam com ele em busca de seu primo mais novo para que eles fossem capazes de compreender e continuar o que ele começou. Sem um julgamento foi condenado a morte, para atender os caprichos dos poderosos que ele havia irritado.

O primo mais novo, não era nada diferente, convicto jamais se distanciou da verdade e se seu primo mais velho irritou uma classe de poderosos, ele irritou todas elas. Condenado a uma morte humilhante reuniu a família novamente, não mais na terra, agora reunidos no céu. Mas como eu disse, o primo mais novo desde pequeno mostrou a toda a família a quê veio, veio constituir a maior e mais bela família de todas, uma família que começou com José seu pai adotivo, Maria sua mãe, e Ele o menino Deus que durante sua vida nos ensinou a reconhecer Deus Pai, antes de morrer deu-nos uma mãe Santíssima e por sua morte acolheu-nos como irmãos.

Família é assim, não somos todos iguais, não seguimos todos o mesmo caminho, mas se formos capazes de compreender o sentido comum de nossas vidas, você pode ser o primo mais velho como João Batista e ajudar a preparar o caminho do Senhor da maneira como Ele te chamar a fazer com a certeza que no fim todos seremos família novamente junto nos céus.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Escolham bem os seus amigos

Tem uma senhora que conheço já a um certo tempo, nunca fui muito próximo a ela, mas pelo que já tinha ouvido dela e como ela se porta diante das coisas, das pessoas e Deus eu sempre a respeitei. Essa semana em meu exercício espiritual pessoal eu desejei aproximar-me dela, em meio a algumas conversas fui ficando mais a vontade com ela e ela me contou um pouco da sua história.

Muito do quê ela contou eu já tinha ouvido falar, sabem bem como funciona, pessoas conversam e as histórias se espalham, mas dessa vez eu estava mais íntimo a ouvir. Quando ela começou a falar de sua época de adolescente eu já senti vontade de escrever a respeito.

Ainda muito jovem, no início de sua adolescência ela recebeu um convite de um grande amigo, alguém de sua inteira confiança, a final qual adolescente não teve aqueles amigos aos quais confiariam tudo, aqueles que nos fizeram ter certeza que seriam nossos melhores amigos para sempre. Ela também tinha e esse amigo leva a outro, confiando nele aceitou o convite e o resultado disso é que ela engravidou.

Quantas jovens não acabam passando por isso nos dias de hoje também. Mas na época dela era comum as garotas casarem muito cedo, perguntem aos seus avós, eles vão confirmar. E se você pesquisar um pouco na internet vai perceber que nos dias de hoje também. E os pais dela tinham arranjado para ela um casamento, não se surpreenda é mais comum do que você imagina, na Índia, no Paquistão, no Iraque e vários outros. Mas mesmo sabendo que ela estava grávida de outro, aceitou ela, mas por causa dessa gravidez ele nunca a teve sexualmente como esposa.

Junto a ele, ela viveu uma vida humilde, não possuíam muito mais do que o necessário. Tentando uma vida melhor, eles viajaram, mas ela entrou em trabalho de parto e acabou dando a luz na estrada, sem assistência adequada, sem dinheiro para um conforto, não conseguiram nem lugar para ficar, se hoje as manchetes de jornal já alardeiam hospitais e maternidades lotados sem atendimento e sem infraestrutura, imagina na época dela, deve ter sido um sofrimento absurdo. Ela não fez pré natal e nem tinha enxoval, foram se virando do jeito que dava.

Alguns desconhecidos, almas de bom coração ajudaram com o quê tinham, deram a eles algumas coisas que os reconfortaram, ela lembra que na época não foi o valor dos donativos, mas o sentimento de que não estavam sozinhos que os mantiveram firmes diante de todo aquele sofrimento.

Ela contou que conhecia o pai da criança e que o senhor com quem havia casado também e que nunca tentaram esconder do menino isso. O menino sempre soube que aquele era seu pai adotivo, mas disse que ele nunca o desrespeito por isso. Mas o tempo passou e a idade avançada de seu marido o conduziu a morada eterna.

Seu filho, já crescido, não concordava com o modo como as pessoas viviam e muitas vezes questionava a lei e as autoridades. Juntou-se com outros inconformados que também se agitavam pela realidade que se tinha. Ela falava do filho com muito amor, mas não se permitiu ser daquelas mães cegas que depositam as ações dos filhos nas companhias, nos amigos, em tudo e todos exceto nele. Ela foi direta ao dizer, ninguém era uma má influência para ele, pelo contrário, era ele o cabeça de tudo, ele que tinha a palavra de ordem a dizer, era ele quem conduzia os outros.

Ele já estava crescido e a mim, uma senhora não tinha muito a fazer, eu acompanhava e rezava. Não demorou muito e seus confrontos com as autoridades ficaram sérios, ele foi levado preso, um dos seus amigos ajudou as autoridades e os outros fugiram. Ele foi preso e condenado. Um criminoso que agia contra lei e a ordem.

Eu não sou mãe, mas tenho certeza que muitas mães sabem como é ter que assistir seu filho ser levado pelas autoridades. Acredito que nenhuma mãe deseja precisar assistir essa cena. Mas ela sabia de tudo que iria acontecer, ela guardava no coração e rezava.

Pode parecer coisa de outro mundo, porque hoje está fora da realidade de muita gente, mas o filho dela foi considerado culpado e condenado morte. Pena de morte está para muitos de nós apenas no imaginário popular. Mas não é assim, em muitas nações nos dias de hoje, a pena de morte faz parte do sistema jurídico vigente, como nos Estados Unidos da América, no Japão, na Coreia do Sul, na China e no Irã.

Ela assistiu a execução do seu filho com uma dor profunda em seu coração. Toda a vida dela foi em torno daquele filho, desde o momento que ele começou a ser gerado, todas as dificuldades, todos os sofrimentos, todas as privações, tudo que ela viveu foi unicamente por aquele filho.

Eu pessoalmente fiquei pensando nisso, como a vida dela poderia ter sido diferente, poderia ter sido feliz se não tivesse se deixado levar pelo convite daquele amigo. Se ela tivesse dito não, ela não passaria por tudo aquilo.

Por isso eu vos peço, escolham bem os seus amigos, está senhora tinha um grande amigo, ela não o considerava grande pela amizade que tinha com ela, mas pela amizade que ele tinha com Deus. E quando Gabriel a convidou a aceitar o pedido de Deus para ser mãe do Salvador, ela escolheu o melhor amigo de todos para chamar de seu Deus, seu amigo, seu Filho. Mesmo diante de tudo que ela precisou passar, um amigo que nunca abandonou, por isso deixou-nos a certeza, escolhê-Lo por primeiro amigo, Ele nunca os abandonará.

Maria, Virgem e Mãe, obrigado pelo seu sim. Vós que foste sempre fiel até nos menores de seus atos e por isto recebeste em teu ventre Aquele que é maior que tudo. Rogai por nós que recorremos a vós e por aqueles que não recorrem a vós.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Bolo tem açúcar, mas tudo bem.

O quê você faz quando reencontra alguém que não vê a algum tempo? Seja alguém que viu pela última vez a um mês, seja alguém que viu no ano passado, ou alguém que não vê a muitos anos. Quanto mais tempo você passa sem ver alguém, mais perguntas você faz, sobre o quê ela andou fazendo e sobre as experiências que teve, você quer saber das últimas novidades.

Mas e aquela pessoa que você viu ontem? Aquela pessoa com quem você trabalha, com quem você estuda, as que moram com você e até a que dorme ao seu lado. Pense rapidamente, quantas vezes você fez perguntas simples como:

“Dormiu bem?”

“Como passou a noite?”

“Gostou do almoço?”

“Como está sendo seu dia?”

Tantas vezes queremos saber sobre aquela viagem incrível feita por aquele famoso que divulgou tudo on-line. Mas e aquelas pessoas que com você divide parte da vida delas?

Aquela pessoa que você encontrar com frequência no ônibus, na fila do supermercado, na reunião da escola, essa pessoa divide parte da vida dela com você. Mesmo quando não queremos, mesmo quando não prestamos atenção, ou até quando evitamos, existem pessoas dividindo suas vidas conosco e nós estamos dividindo nossas vidas com elas.

Já participei dos mais variados retiros, acampamentos, viagens, finais de semana, encontros, como cada um decide como chamar e quais diferenças e semelhanças encontram entre eles. Estive pensando nisso hoje, enquanto estava na missa, o primeiro domingos advento.

O tempo do advento é um tempo todo especial na igreja, caso você não sabia, o Advento (do latim Adventus: “chegada”, do verbo Advenire: “chegar a”) é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Para nós cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde nós fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivemos o arrependimento e promovemos a fraternidade e a Paz.

Por isso é comum nesse período surgirem várias iniciativas de encontros, retiros, partilhas, ações sociais, desafio de oração, de leitura da Bíblia e todo tipo mais de atividades que buscam de alguma forma nos preparar para esse momento especial que é o Natal.

Foi nesse espírito que recordei-me do final de semana Alpha do qual participei, o Percurso Alpha é um percurso cristão de formação cujo qual recomendo, principalmente para quem deseja iniciar ou está iniciando na fé, mas não vou dar muitos detalhes hoje, como um bom sem nome, jogo aqui a semente recomendo que conheçam a riqueza da igreja também por esse caminho.

Durante o final de semana com eles, entre os momentos de formação, descontração, orações e muitos outros, uma coisa despertou-me, a atenção aos detalhes.

Quando você vai a um hotel e ao pegar a toalha de banho está bordado o nome do hotel nela, isso é atenção aos detalhes, mas no caso do hotel é proposital, eles desejam que a marca deles fique bem presente na nossa memória.

Mas a equipe do Alpha não demonstrou atenção proposital aos detalhes, eles demonstram atenção natural aos detalhes. Não precisavam de muito para isso, bastava algumas simples perguntas como as que citei no início e um pouco de atenção para as respostas. Sim, atenção nas respostas, pois tantas vezes fazemos perguntas das quais não desejamos e/ou não nos importarmos realmente com as respostas.

Este não era o caso das pessoas no Alpha, a pergunta era feita e a atenção dada a resposta era igualmente importante. Era possível notar isso neles e isto era o que fazia daquele um final de semana especial, as palestras, os louvores, as partilhas, os sorrisos, cada momento que facilmente pode ser visto em vários outros tipos de iniciativas, eram acrescidos de atenção especial aos detalhes.

Pela manhã, sentei em um sofá que estava no corredor, no horário do café da manhã, cerca de 15 pessoas passaram por mim, todas elas me perguntaram se eu havia dormido bem, me perguntaram se eu já tinha tomado café, me chamaram para ir até lá. Depois de responder repetidas vezes que não tinha o hábito de me alimentar naquele horário, uma me chamou atenção.

Uma criança, garoto que deveria ter uns 5 cinco anos, ao perguntar se eu já tinha comido e ao ouvir minha resposta ele foi em direção ao refeitório, voltou minutos depois, segurando um pedaço de bolo com a boca e com dois copos de suco nas mãos. Estendeu a mão e me entregou um dos copos, depois segurou o bolo com a mão e disse.

“Peguei bolo só para mim pois você não come, não há açúcar no sumo, minha mãe não deixa eu comer açúcar de manhã”.

Ele sentou do meu lado e começou a comer e conversar comigo, ele ficou surpreso e um pouco assustado quando descobriu que açúcar era um dos ingredientes do bolo. Ele me pediu para contar a mãe dele e explicar que ele não sabia, brinquei com ele o tranquilizando disse que com certeza a mãe dele já sabia que bolo tinha açúcar, ele podia ficar tranquilo em relação aquilo.

Todos estão vivendo desafios dos quais não sabemos nada, mas se perguntarmos muitos vão nos contar e por isto eu peço aqui um favor, não faça perguntas das quais você não tem interesse na resposta. Não pergunte porque é educado fazer, se você deseja ser educado um bom dia, um sorriso, um aperto de mão olhando nos olhos já resolve.

Talvez para nós o quê vamos ouvir é pura bobagem, uma tolice que resolveríamos rapidamente, mas atenção para o detalhe, não é você que está vivendo, você está ouvindo, para o outro que está vivendo sim é importante. Você não vai saber o quanto é importante para alguém não por açúcar no suco, ao menos que dê a atenção necessária a ele.

Durante o advento, seja qual for a maneira como você pretenda se preparar para a chegada do Menino Deus no Natal, dê atenção especial aos detalhes nesse período. Lembre-se que os Reis Magos encontraram Jesus por prestarem atenção em uma única estrela, esse era o detalhe deles e a estrela contou a eles a direção certa. Quem sabe qual das pessoas que diariamente dividem uma parte, mesmo que pequena e sem perceber, da vida delas com você será a estrela que te indicará a chegada do Menino Deus no seu Natal.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.