Domingo de Páscoa
Domingo de Páscoa

Dia de Alegria

Foi durante a madrugada

Na companhia da lua

Madalena assustada

Ao descobrir a ausência Tua

Apressada em contar

Aos Teus amigos o que viu

Onde O foram colocar

O sepulcro está vazio

Coração acelerado

Corria sem notar

O grande presente que recebera

A ressurreição anunciar

Ao saber da situação

Teus amigos Pedro e João

Correram na escuridão

A procura de uma explicação

Jovem João em disparada

Foi quem primeiro se deparou

Com a pedra retirada

E na entrada por Pedro esperou

O primeiro Papa da Igreja

Por primeiro no sepulcro entrou

Confiando na promessa

As Tuas faixas encontrou

O discípulo tão amado

Entrou logo em seguida

Onde encontrava-se a morte

Agora reinava a vida

Assim ele acreditou

Mesmo sem compreender

A Tua glória presenciou

Cristo vive! Ressuscitou!

 (Jo 20,1-9)

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Não tenho nada para contar, exceto que…

Após passar a quaresma sem escrever nada aqui para no sem nome, durante um período de mensagens papais, reflexões quaresmais e meditações guiadas por Santos, que foram regradas a orações diárias mais intensas, penitências que algumas vezes falhei em cumprir (mas quem nunca?), jejuns e abstinências, eu tinha a pretenção de hoje, domingo de Páscoa, publicar um grande relato da minha experiência pessoal durante esse tempo de quaresma, mas não o farei. Não por não desejar fazê-lo, mas a verdade é que não tenho nada que possa ser considerado grandioso para contar.

Durante a quaresma abstive-me das redes sociais, em especial do Instagram, pensei em contar para vocês como foi uma experiência diferenciada, mas não foi. Observei o que eu já sabia, algumas pessoas notaram minha ausência por lá e entraram em contato comigo, outras passaram os quarentas dias a enviar mensagens, marcar-me em publicações e em comentários como se eu estivesse lá a respondê-los e a grande maioria nem percebeu a minha ausência. Conclusão,

Não importa o tamanho da sua audiência, lembre-se sempre que não é você o centro do mundo (Jo 14, 6).

Durante a quaresma eu dediquei parte da minha oração diária a oração do santo terço em latim, pensei em contar para vocês sobre a forte experiência espiritual de rezar o santo terço da mesma forma como rezaram tantos Santos da Igreja no passar dos séculos. Das revelações espirituais que tive e das experiências magníficas que marcaram minha memória e minha alma para sempre. Das tentações e batalhas espirituais que tive durante essa experiência, como venci batalhas diárias contra o inimigo, pois Maria passou na frente. Mas a verdade é que de fato o que posso dizer é que agora sei rezar a oração do Pai Nosso e a Ave Maria em latim. Conclusão,

A oração quem faz somos nós, mas é Deus quem a acolhe, não devemos começar uma oração já com um resultado em mente, a humildade está em permitir que Ele faça o que desejar (Lc 1, 38).

Nessa quaresma eu tinha o propósito de revisitar o catecismo da Igreja Católica, estudar ele por completo novamente, revigorar as bases da fé. Seria uma visita rápida a cada ponto, aquela visita de quem já conhece o parque, só deseja divertir-se um pouco. Mas quando cheguei lá, mesmo o parque estando igual a antes, a cada linha lida parecia que nunca tinha lido, era como se nunca estivesse naquele parque antes. O que seria uma visita rápida por cada brinquedo foram convertidas em horas, a quaresma terminou e não cheguei a metade do catecismo ainda. Parece-me que esse parque ainda tem muito o quê ser explorado, esse propósito de quaresma parece que perdurará pelo ano inteiro. Conclusão,

Mesmo que já conheçamos as coisas, não sejamos arrogantes. Não é porque já conhecemos algo (ou até mesmo alguém) que devemos nos sentir no direito de dedicar menos tempo ou menor atenção, nada naquilo (ou em alguém) pode ter mudado, mas nós mudamos todos os dias e com a nossa mudança a maneira como percebemos, até os menores detalhes, também muda e pode nos surpreender (Mt 13, 55).

Durante essa quaresma, vivemos um período de quarentena, o isolamento social não permitiu que eu saísse as ruas para práticas de obras de caridade da maneira como eu havia planejado. Não estive em nenhum orfanato, não fui a nenhum asilo, tão pouco a algum hospital. Com tantos lugares fechados ao público minha principal ação de caridade se resumiu a enviar dinheiro para algumas pessoas da minha família, que devido a quarentena ficaram sem trabalho e sem fonte de renda. Conclusão,

Não é preciso fazer um grande esforço para exercer a caridade, por vezes buscamos em um lugar tão longe e de difícil acesso um necessitado para chamar de “nosso”, para exercer uma caridade que nos enche a alto estima antes de nos esvaziar a soberba da alma, mas o Cristo nos chama bem do nosso lado para algo mais suave e sincero (Lc 10, 36).

Outras grandes pequenas coisas aconteceram durante essa quaresma, talvez eu as comente por aqui no futuro se o tema for propício, mas por hora, “o que sua mão direita faz que a sua esquerda não saiba” (Mt 6, 3) então guardarei só para mim. Mas escrevo-lhes essas coisas porque sei que em algum lugar existe gente como eu, que sempre espera desse tempo propício da Igreja grandes mudanças, grandes realizações e grandes marcos. As vezes eles acontecem, as vezes não, a única grande garantia que temos da quaresma é o grande amor de Jesus por nós.

Por isso se olharmos com cuidado para os pequenos fatos da vida, podemos ir juntando as conclusões do dia a dia durante a quaresma e ao chegar na Páscoa dizer que não temos nada para contar, exceto que Cristo ressuscitou então “não me falta coisa alguma” (Sl 22).

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graças, Paz e Misericórdia.

A ressurreição de Jesus Cristo e a esperança do Cristão

Meditação para o Domingo da Ressurreição do Senhor

Haec dies quam fecit Dominus: exultemus et laetemur in ea – “Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 117, 24)

Façamos um ato de fé viva na ressurreição de Jesus Cristo; cheguemo-nos a Ele em espírito para Lhe beijar as chagas glorificadas, e regozijemo-nos com Ele por ter saído do sepulcro vencedor da morte e do inferno. Lembrando-nos em seguida que a ressurreição de Jesus é o penhor e a norma da nossa, avivemos nossa esperança, e ganhemos ânimo para suportar com paciência as tribulações da vida presente. Lembremo-nos, porém, que para ressuscitarmos gloriosamente com Jesus Cristo devemos primeiro morrer com Ele a todos os afetos terrestres.

I. O grande mistério que em todo o tempo pascal, e especialmente no dia de hoje, deve ocupar as almas amantes de Deus, e enchê-las de dulcíssima esperança, é a felicidade de Jesus ressuscitado. Já meditamos que Jesus, no tempo de sua Paixão, perdeu inteiramente as quatro espécies de bens que o homem pode possuir na terra. Perdeu os vestidos até a extrema nudez; perdeu a reputação pelos desprezos mais abomináveis; perdeu a florescente saúde pelos maus tratos; perdeu finalmente a vida preciosíssima pela morte mais horrível que se pode imaginar. Agora porém, saindo vivo do fundo do sepulcro, recebe com lucro abundantíssimo tudo quanto perdeu.

O que era pobre, ei-Lo feito riquíssimo e Senhor de toda a terra. O que a si próprio se chamava verme e opróbrio dos homens, ei-Lo coroado de glória, assentado à direita do Pai. O que pouco antes era o Homem das dores e provado nos sofrimentos, ei-Lo dotado de nova força e de uma vida imortal e impassível. Finalmente o que tinha sido morto do modo mais horrível, ei-Lo ressuscitado pela sua própria virtude, dotado de sutileza, de agilidade, de clareza, feito as primícias de todos os que dormem com a esperança de ressuscitarem também um dia à imitação de Cristo: Christus resurrexit a mortuis, primitiae dormientium (1)

Detenhamos-nos aqui para tributar a nosso Chefe divino as devidas homenagens. Façamos um ato de fé viva na sua ressurreição, e cheguemo-nos a Ele para beijarmos em espírito os sinais de suas cinco chagas glorificadas. Alegremo-nos com Ele, por ter saído do sepulcro, vencedor da morte e do inferno, e digamos com todos os santos: “O Cordeiro que foi imolado por nós, é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a fortaleza, a honra, a glória e a bênção.” (2)

II. Regozijemo-nos com Jesus Cristo; mas regozijemo-nos também por nós mesmos, porquanto a sua ressurreição é o penhor e a norma da nossa, se ao menos, como diz São Paulo, morrermos primeiro interiormente ao afeto das coisas terrestres: Si commortui sumus, et convivemus (3) — “Se morrermos com Ele, com Ele também viveremos”. Ó doce esperança! “Virá a hora em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus” (4); e então pelo poder divino retomaremos o mesmo corpo que agora temos, mas formoso e resplandecente como o sol. Nós também ressuscitaremos!

A esperança da futura ressurreição é o que consolava o santo Jó no tempo de sua provação. “Eu sei”, disse ele, e nós, digamos o mesmo no meio das cruzes e tribulações da vida presente: “eu sei que o meu Redentor vive, e que no derradeiro dia surgirei da terra; e serei novamente revestido de minha pele, e na minha própria carne verei a meu Deus… esta minha esperança está depositada no meu peito.” (5)

Meu amabilíssimo Jesus, graças Vos dou que pela vossa morte adquiristes para mim o direito à posse de tão grande bem, e hoje pela vossa ressurreição avivais a minha esperança. Sim, espero ressurgir no último dia, glorioso como Vós, não tanto por meu próprio interesse, como para estar para sempre unido convosco, e louvar-Vos e amar-Vos eternamente. É verdade que pelo passado Vos ofendi com os meus pecados; mas agora arrependo-me de todo o coração e pela vossa ressurreição peço-Vos que me livrais do perigo de recair na vossa desgraça: Per sanctam resurrectionem tuam, libera me, Domine — “Pela vossa santa ressurreição, livrai-me, Senhor”.

E Vós, Eterno Pai, que no dia presente nos abristes a entrada da eternidade bem-aventurada, pelo triunfo que vosso Unigênito alcançou sobre a morte: aumentai com o Vosso auxílio os desejos que a vossa inspiração nos instila” (6). Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e de Maria Santíssima.

Referências:

(1) 1Cor 15, 20
(2) Ap 5, 12
(3) 2Tm 2, 11
(4) Jo 5, 28
(5) Jó 19, 25
(6) Or.festi curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 1-3)

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