São José
São José

Solenidade de São José

“No Deus trino, autor do mundo, proclamemos nossa fé, imitando a vida e a morte do operário São José” (Liturgia das Horas).

Família

A última criação de Deus antes de descansar no sétimo dia foi a família (Gn 1, 26-31). Ele a fez partindo da sua própria imagem e semelhança. E nós, em nossas livres ações começamos a destruir a beleza da criação de Deus.

Eva, a esposa, no primeiro olhar a vemos desobedecendo a Deus, comendo do fruto que Deus já tinha dito para não comer. No segundo olhar, como tantas mulheres do nosso tempo, hoje ditas empoderadas, a palavra da moda atualmente, comeu sem consultar seu esposo Adão (Gn 3, 6).

Adão, o esposo, no primeiro olhar, também o vemos desobedecendo a Deus comendo do furto que Deus já tinha dito para não comer. No segundo olhar, como tantos homens do nosso tempo, esquiva-se da responsabilidade de esposo, depositando na esposa Eva a responsabilidade pelo erro que também é dele (Gn 3, 12).

Filho dessa casa, Caim não compreendeu a unidade santa que Deus concebeu como família, tomado pela inveja matou seu irmão Abel cujo erro era fazer aquilo que agradava a Deus (Gn 4, 8).

Durante todo o antigo testamento homens e mulheres santas buscaram viver o exemplo de família que Deus concebeu. Profetas alertavam e orientavam o povo a respeito da vontade de Deus para a família. A aliança que havia sido desfeita com Deus Pai, estava próxima de ser eternamente restaurada em Teu filho, Jesus Cristo. Para restaurar essa aliança, Deus em seu mistério começou restaurando uma das primeiras coisas que o pecado atacou ao entrar no mundo, a família.

A escolha da esposa foi sublime, Maria uma virgem prometida em casamento, exemplo de filha, temente a Deus, serva de Deus por excelência e humildade (Lc 1, 26-38).

A escolha do esposo foi igualmente excepcional, José um homem casto, exemplo de justiça e fortaleza, vindo de família honrada e santa (Mt 1, 1-17).

Juntos estavam e pela ação do Espírito Santo formaram com Jesus a Sagrada família (Lc 1, 35).

Não foi por acaso quê uma das primeiras coisas que o pecado prejudicou ao romper nossa aliança com Deus foi a família, também não foi por acaso que Deus ao preparar para nós o projeto de Salvação o iniciou na família. Uma família sagrada e santa, que é exemplo para nós.

Agora não vamos muito longe, a nossa volta nos dias de hoje, o quê estão nos dizendo? O quê estamos repetindo? O quê estamos ensinando? E principalmente, o quê estamos sendo?

“Família tradicional” tornou-se um termo pejorativo. Cada vez mais cedo pais e mães perdem a autoridade sobre seus filhos, filhos que cada vez mais desejam ter autoridade sobre seus pais. Quantas vezes ouvimos que os tempos são outros, que hoje existem várias configurações de família, porque existem muitas mães solteiras, muitas crianças abandonas para a adoção, muitas adolescentes que engravidam e sem condições de criar e educar seus filhos escolhem o caminho da morte pelo aborto.

São tantos os problemas que “novas” soluções precisam ser pensadas, mas foram as novas ideias que criaram os problemas e por isso a “fórmula” tradicional tão rechaçada nos dias atuais ainda funciona. No guardar da castidade não haverá gravidez precoce que precise ser interrompida ou crianças abandonas ao sabor da sorte, no respeito ao sacramento do matrimônio não haverá mães solteiras. No diálogo familiar onde o casal se tem como igual e um só (Gn 2, 24) a esposa é verdadeiramente empoderada e o marido verdadeiramente responsável, para assim os filhos dessa união olharem para a família como o quê verdadeiramente Deus espera que ela seja, a igreja doméstica que a cada dia renova a aliança com Ele, Nele e por Ele.

Jesus, Maria e José, nossa família vossa é! Sagrada Família, rogai por nós!

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Apenas veja

Vocês já ouviram falar em estocoma? É um fenômeno mental onde alguém vê o quê escolhe vê, de maneira bem simplista quando alguém começa a reforçar para o seu celebro determinadas informações, ele acaba por toma-las como verdade, mesmo se elas não forem as mais adequadas ou se não forem fieis a realidade.

Quem não tem aquele amigo esquecido que sempre justifica seus furos com frases recorrentes como “eu esqueço fácil das coisas”, “eu não me apego a detalhes”, “não tem como lembrar de tudo”, afirmações dessa natureza vão passando a mensagem para o celebro de que tudo bem esquecer das coisas e não há um esforço real por parte dele de lembra com fidelidade do que acontece ou com o quê se compromete.

É o quê acontece com aquela sua amiga que nunca encontra a chave de casa na própria bolsa, que perde o smartphone na mesa do trabalho e que passa horas procurando o lápis que na verdade está no seu cabelo, quando você questiona ela sempre ouve respostas como “eu sou meio esquecida mesmo”, “nunca sei onde ponho as coisas”, “a culpa é das coisas que somem”.

Essas pessoas acabam educando a sua mente a reforçar esse comportamento, fazendo com que você esqueça de coisas com ainda mais frequência ou não consiga achar algo que está bem na sua frente. Já de antemão peço desculpas aos psicólogos, psiquiatras e afins pela explicação simplista de um fenômeno altamente complexo, mas se vocês sentem que tem um problema como esse que está atrapalhando algum aspecto de suas vidas, procurem um especialista, mesmo se vocês estiverem bem, uma consulta não vai lhe fazer mal.

Mas porque estamos falando sobre isto? Porquê hoje é o 4º domingo do advento e hoje a igreja proclama o evangelho segundo São Mateus 1, 18-24. Caso vocês não saibam é a narrativa onde o anjo do senhor aparece para José em sonho e se vocês ainda não tiverem lido essa passagem hoje, eu recomendo, ela está entre as minhas passagens preferidas.

São José é um dos personagens mais silenciosos que está nomeado no novo testamento, você não vai encontrar registros de grandes diálogos dele com ninguém, nem mesmo com sua esposa a Virgem Maria, mas é muito provável que vocês já tenham ouvido falar muito de São José, como exemplo de pai, de marido, de homem justo, de fidelidade e de castidade, entre muitos outros. Infelizmente é provável que também já tenham ouvido algumas coisas sobre ele que apenas sofrendo de estocoma é possível considerar credível, muito embora, infelizmente, se vocês como eu tiverem crescido na igreja, ou a ela frequentem a algum tempo, devem ter ouvido algumas coisas pouco credíveis de pessoas que não esperava como catequistas, pregadores, formadores e até mesmo diáconos e padres.

Eu não sou teólogo, historiador, tão pouco membro do clero, não pretendo aqui interpretar as sagradas escrituras, mas propor para vocês um exercício, um exercício para ajudar as suas mentes a trabalharem melhor algumas informações que podem não está muito claras pela maneira como tentaram ensiná-las para vocês. Este exercicio é simples, são perguntas que foram feitas por mim quando ainda era infante na catequese e que durante a minha jornada até aqui ouvi outras crianças fazerem na catequese e fora dela, ao serem apresentadas a historia de São José.

Vocês podem se perguntarem porque perguntas feitas por crianças e a resposta é muito simples, as mentes das crianças não possuem vícios e estão dispostas a ver tudo, são curiosas, querem descobrir, aprender e compreender. É provável que vocês já tenham uma imagem formada da pessoa de São José e as suas mentes já tenham escolhido o quê ver, não sei que imagem vocês têm dele, as perguntas a seguir podem ajudar a reforçar essa visão, mas também podem mudá-la, vejamos o quê acontece.

Se José duvidou de Maria quando ela disse que estava gravida. Então porque não escreveram isso?

Porque José foi considerado justo ao pensar em abandonar Maria?

Porque ninguém achou estranho quando Maria apareceu gravida antes de ir morar com José?

Se José era um velho porque não repercutiu Maria ficar gravida dele como repercutiu quando Izabel ficou gravida?

Sinto desaponta-los, mas não pretendo nesse texto responder essas perguntas, vocês podem voltar ao evangelho e realizar a leitura orante, podem pesquisar os documentos da igreja e os escritos dos santos sobre isso, se desejarem, entrem em contato conosco pelas redes sociais e conversaremos sobre.

Essas perguntas são para instigar vocês a pensarem um pouco, permitam-se ver mais do que só o quê suas mentes já estão condicionadas a ver, não podemos incorrer no erro de preencher com nossa realidade pessoal os planos de Deus. Na duvida podemos tomar o exemplo de São José e ficarmos em silêncio para que mais uma vez floresça em nós o Espírito do natal.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.