
Se analisarmos a última década, uma das coisas que a marcaram foi um grito persistente, e em certa medida legítimo, de muitas mulheres pedindo homens melhores. O desejo por homens melhores é justo e necessário, pois a sociedade precisa de homens melhores, as famílias precisam de homens melhores, a própria Igreja precisa de homens melhores.
No entanto, parece-me que em muitos casos houve uma confusão de conceitos. Em vez de se buscar homens melhores, passou-se a buscar homens cada vez mais parecidos com mulheres. E essa pequena confusão produziu terríveis consequências visíveis, gerações de homens que já não sabem exatamente o que significa ser homem.
Homens que deixaram de liderar, deixaram de assumir riscos, deixaram de assumir responsabilidades. Homens que perderam a fortaleza física, a firmeza moral e, sobretudo, a virilidade espiritual.
A Sagrada Escritura fala de forma muito clara sobre essa responsabilidade masculina. São Paulo escreve, “sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos como homens e sede fortes” (ICor 16,13). Não se trata aqui de agressividade ou dominação, mas de maturidade, coragem e responsabilidade.
Um homem que não é forte, fisicamente quando possível, moralmente sempre, espiritualmente acima de tudo, dificilmente conseguirá cumprir sua vocação. São João Crisóstomo dizia que “o homem é cabeça da família não para dominar, mas para servir e proteger”, mas quando essa vocação é abandonada, toda a estrutura da sociedade se enfraquece.
Curiosamente, enquanto essa crise masculina se torna cada vez mais evidente, algo muito interessante também vem acontecendo. Desde a proclamação do Ano de São José pelo Papa Francisco em 2020, e especialmente nos anos seguintes até hoje, observa-se um crescimento notável da devoção a São José.
E aqui surge um fato curioso, esse crescimento acontece, em grande parte, entre as mulheres. Grande parte das novas devotas de São José são mulheres que recorrem a ele em novenas, consagrações, terços e devoções. São mulheres que pedem a intercessão de São José para encontrar bons maridos, bons pais para seus filhos ou simplesmente para que existam homens melhores.
E isso não é coincidência. São José é o modelo mais perfeito de homem apresentado pela tradição cristã. Tão perfeito que o próprio Deus o escolheu para ser chamado de pai. O Evangelho nos mostra um homem silencioso, obediente e profundamente fiel.
Quando o anjo lhe fala em sonho, José não discute. José não negocia. José simplesmente obedece, “José levantou-se, tomou o menino e sua mãe durante a noite e partiu para o Egito” (Mt 2,14). Ele não faz discursos. Ele não aparece buscando reconhecimento. Ele apenas faz a vontade de Deus.
São Bernardo de Claraval dizia que “São José foi o fiel administrador dos mistérios de Deus”. E Santa Teresa d’Ávila afirmava com grande convicção que “não me lembro até hoje de ter pedido algo a São José que ele não me tenha concedido”.
Talvez muitas mulheres católicas estejam começando a perceber algo importante, um homem melhor não é um homem parecido com uma mulher, mas um homem que se aproxima de São José, pois este é um homem que protege, trabalha e obedece a Deus.
Mas junto com esse crescimento da devoção surge também um problema que merece atenção. Hoje existe uma quantidade imensa de material sobre São José circulando na internet: vídeos, podcasts, devocionários, novenas, consagrações, terços e orações.
Mas uma boa parte desse material não é confiável. São José é um santo extremamente discreto nas Sagradas Escrituras. Em toda a Bíblia ele não pronuncia uma única palavra registrada, sua grandeza está exatamente nesse silêncio obediente.
Por isso é sempre importante perguntar, esse material tem fundamento na tradição da Santa Mãe Igreja? É recomendado por santos ou doutores da Igreja? Está em comunhão com o Sagrado Magistério? Como nos alerta São Paulo, “examinai tudo e guardai o que é bom” (ITs 5,21).
A verdadeira devoção não nasce da curiosidade ou da moda espiritual. Ela nasce da tradição viva da Igreja. Como ensina São Luís Maria Grignion de Montfort, “a verdadeira devoção conduz sempre à imitação das virtudes do santo”. No caso de São José, as virtudes são muito claras: silêncio, obediência, castidade, trabalho, humildade e fidelidade.
E assim chegamos a um ponto importante. Muitas mulheres hoje pedem a São José um homem como ele, essa é uma oração legítima e inteligente, mas existe um detalhe que não pode ser ignorado.
A mulher que foi esposa do castíssimo São José foi a Santíssima Virgem Maria. Não se pode pedir um José se não se deseja caminhar para ser uma Maria. A Virgem Maria é o modelo perfeito de feminilidade cristã. Quando o anjo lhe anuncia o plano de Deus, ela responde com uma frase que mudou a história da humanidade, “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
São Luís Maria Grignion de Montfort dizia que “Maria é o caminho mais curto, mais seguro e mais perfeito para chegar a Jesus”.
Assim como São José foi escolhido por sua santidade, a Virgem Maria foi escolhida por sua pureza, humildade e total entrega a Deus. José e Maria não são modelos isolados, eles são modelos complementares. Um José precisa de uma Maria e uma Maria precisa de um José.
Não é possível viver mergulhado nos valores confusos do mundo moderno, que muitas vezes promove libertinagem, egoísmo e superficialidade, e ao mesmo tempo pedir a Deus relações santas.
No final das contas, tudo volta ao mesmo ponto, a conversão. O Concílio Vaticano II, na constituição Lumen Gentium, recorda que todos os cristãos são chamados à santidade. Esse é o verdadeiro critério.
Ser um homem melhor significa buscar a santidade. Um homem que se inspira em São José é um homem que fala menos e obedece mais. Que trabalha, protege, reza e assume suas responsabilidades. Da mesma forma, ser uma mulher melhor significa buscar a santidade à luz da Virgem Maria com humildade, pureza, fortaleza e fidelidade.
Santo Agostinho dizia algo muito simples e profundo, “a medida do amor é amar sem medida”. Homens e mulheres melhores sempre brotarão do mesmo jardim. O jardim da conversão do coração, que precisa ser cultivado diariamente na busca pela santidade.
Por isso, mais do que discutir papéis ou disputar superioridades, o verdadeiro caminho é este, aproximar-se de Deus. Porque, quando um homem se aproxima de Deus, torna-se mais semelhante a São José e quando uma mulher se aproxima de Deus, torna-se mais semelhante a Virgem Maria. É desse encontro entre José e Maria que nasce a Sagrada Família, berço e refúgio do Menino Deus, fonte viva de toda santidade.
Percebam Deus nos pequenos detalhes.
Graça, Paz e Misericórdia.



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