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Uma semana repleta de datas especiais, falemos de duas delas hoje. A primeira que alguns chamam de dia de São Valentim, outros de dia dos namorados, e para mais alguns o dia da amizade. Mundo a fora existem variadas maneiras de comemorar esse dia. Alguns comemoram dando cartões a amig@s e vizinh@s, outros dando flores as mulheres, tem os que aproveitam para demonstrar afetos aqueles que escolheram como companheir@s nessa jornada da vida, seja no início dela em namoro, ou até em uma etapa mais avançada de vida matrimonial.

E tem claro, @s dramátic@s que não estão em um relacionamento e passam por essas comemorações deprimid@s pensando quando poderão fazer a famosa foto de casal para postar nas redes sociais neste dia. E para estes em especial, parece que o calendário já reserva a renovação das esperanças, porque em seguida temos o dia de Santo Antônio de Pádua, que por crença popular no Brasil é conhecido como santo casamenteiro.

Santo que inspira casais as mais variadas simpatias e crendices (a grande parte delas sem sentido algum, como por uma imagem do santo de cabeça para baixo) para que por intermédio de sua intercessão a pessoa tão esperada seja encontrada, para que o relacionamento se desenvolva e para que o tão esperado casamento aconteça.

Mas não é curioso como um parte tão importante da nossa vida é por nós tão negligenciada? Não pensamos muito nela e do nada desejamos que ela aconteça, acordamos e dizemos para nós mesmos que chegou a hora, agora eu quero e tem que ser para já.

Mas durante a nossa vida passamos vários anos na escola preparando-nos para os processos seletivos que nos colocaram nas universidades. Depois passamos vários anos preparando-nos nas universidades para termos acesso ao tal mercado de trabalho. Mesmo aqueles que não passam por todo esse ritual, considera esse um caminho natural, os aprovados para os melhores cargos são os que têm mais anos de estudo e dedicação. Os que são contratados para os cargos de maior responsabilidade são os que têm mais experiência naquela área e é dessa forma que consideramos natural.

Em contra partida dessa realidade, não é difícil encontramos nas mais variadas formas e modelos que a igreja possa pensar, cursos para pais e padrinhos, curso de noivos, cursos para casais, formações para namorados e tantas outras iniciativas semelhantes. E olha eles estão sempre cheio! #SóQueNão

Formação para pais e padrinhos por exemplo, são tidas como obrigação para quem deseja batizar suas crianças e cada hora dedicada a esse momento é vista popularmente como perda de tempo, uma obrigação imposta pela igreja, uma mera formalidade antiquada, triste ou não?

Então olhando para essa realidade, basta alguns poucos minutos nas redes sociais e perceberemos que elas estão inundadas de discussões sobre machismo, feminismo, relacionamentos abusivos, estupro e tantos outros temas que nos levam sempre a tratar o efeito, mas não a causa. Como um relacionamento entre duas pessoas pode ser benéfico se este não é iniciado igual a uma amizade em uma rede social ou uma compra no supermercado? Se eu não concordo eu deleto, eu deixo de seguir. Se eu não gosto eu paro de comprar, eu descarto no lixo.

É notável como a nossa ciência está avançando de maneira rápida, parece que foi ontem, mas já faz 50 anos que o homem pisou na lua. Mas nossa humanidade não está avançando de forma ágil e a prova cabal de nosso retrocesso está na evidente proliferação de cursos de humanização numa tentativa desesperada de lembrar a raça humana que como tal precisamos agir. Ensinar um humano a ser médico, engenheiro, professor, cuidador de idosos, atendente, etc. é um passo de evolução natural de nossa sociedade. Mas precisar ensinar a um médico, engenheiro, professor, cuidador de idosos, atendente e etc a se portarem de forma humanizada no exercício de sua profissão é admitir que estamos fracassando enquanto sociedade, estamos fracassando enquanto raça humana.

Estamos depositando todo nosso tempo a se preparar em um único projeto, mas nossas vidas vão além de sermos profissionais bem sucedidos, também precisamos ser pais e mães, precisamos ser amig@s, precisamos ser vizinh@s, precisamos ser companheir@s, precisamos ser filh@s, precisamos ser humanos.

Precisamos buscar construir relacionamentos não imediatos, você pode escolher casar-se, pode escolher ser mãe, pode escolher ser pai, pode escolher ter uma vida religiosa, pode escolher o que quiser, mas construa isso devagar, dê tempo ao tempo, assim como você precisa concluir o curso para se formar, a vida precisa seguir seu curso e se você está sozinh@ agora, não será cortejando o desespero por outros estarem com alguém que você será feliz. Um relacionamento feliz, uma vida humana saudável só existirá para você se for edificada em bases sólidas, não em imediatismos, pois quem é incapaz de respeitar o tempo e o espaço de si mesm@, jamais será capaz ser companheir@ de alguém a ponto de evitar uma convivência de extremos abusivos e tóxicos, com vizinh@s, amig@s, parentes e com @ almejad@ companheir@.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.