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Hoje (03/03/2019) eu subi a essa altura para viver a santa missa, um belo domingo do amado, odiado e tanto faz, carnaval. No Brasil especificamente, tem quem ame suas festas e há aqueles que simplesmente não ligam, mas com certeza os que considero mais estranhos, são os “santos”, aqueles que acreditam que o carnaval é uma festa mundana, que as forças diabólicas estão ali prontas para conduzir a sua alma à perdição durante os dias da festa.

Deixando de lado a história da origem das festas carnavalescas, esquecendo um pouco os credos professados e o desejo incontrolável de está certo ou errado, a palavra de hoje nos instiga a uma reflexão peculiar, o evangelista Lucas narra um alerta muito claro no capítulo 6, 45,

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio”

Ao navegar pelas redes sociais hoje, fui bombardeado por storys, snaps, twitters com frases impactantes, a maioria delas tinham uma missão muito importante promovidas por meus amigos “santos”, mas infelizmente não era trazer uma mensagem de paz para todos os povos, o objetivo era combater um inimigo diabólico em comum, o carnaval.

Mas como combater um inimigo que é capaz de deixar tantos felizes?

Se esta felicidade é temporária, se ela não é verdadeira, se ela tem um preço alto demais, e tantos outros argumentos plausíveis e com certeza bem embasados. Deixarei todos eles para os mais tradicionais, pois sabem aplicar esses argumentos melhor do quê eu. Assim como os argumentos que podemos nos comportar como cristãos vigilantes contra as armadilhas do maligno e dar exemplo de vida em qualquer ambiente deixarei para os mais progressistas, são igualmente habilidosos para defender esse ponto de vista.

Mas em dias assim eu prefiro muito mais as ideias de Santo Agostinho,

“Não culpes o demônio por tudo que vai mal. Muitas vezes o homem é seu próprio demônio.”

Lembrem-se, se muitos fazem coisas que vocês consideram reprovável no carnaval, não é uma data no calendário que provoca tal comportamento. O fazem porque pretendiam fazer, alimentaram em suas mentes a vontade até a oportunidade surgir. Aos que não o fazem, que não o façam porque consideram certo não fazer e não porque seu líder espiritual, seja lá ele quem for, de qual movimento ele for, de qual carisma ou espiritualidade mandou você não fazer. Não o faça porque é o quê você reconhece como certo, mas lembre-se que Saulo de Tarso antes de ter um verdadeiro encontro com Jesus, perseguia e matava os cristãos e fazia isso com a plena certeza que era o certo a se fazer e que agradava a Deus quando o fazia.

Se você está passando seus dias de carnaval em casa, na igreja, em seu grupo de oração, em acampamentos ou em algum retiro espiritual, de onde está tenha certeza que Deus tem para com você um amor incondicional. Mas não duvide que Ele tem esse mesmo amor por aqueles que estão vivendo esse período de festas de outra maneira cuja a qual você reprova.

A nós São Francisco de Assis já alertou a respeito de nosso comportamento,

“Tome cuidado com a sua vida, talvez ela seja o único evangelho que as pessoas leiam…”

Então recordo-me da parábola do pai amoroso, se quando seu filho retornava para casa no lugar de cobri-lo com o manto de seu amor ele lhe apontasse o dedo, destacando tudo que ele considerava reprovável em seu comportamento, o quê teria acontecido?

Tenho medo que o primeiro anúncio que estes filhos amados, hoje distantes, tenham da boa nova do evangelho seja, como tudo que eles fizeram/fazem está errado. Tenho medo de que eles olhem ao longe e não vejam amor, mas pessoas que exalam regras e imposições. Temo que eles prefiram continuar comendo com os porcos porque na casa do Pai eles não viram felicidade, viram apenas pessoas que passam o tempo combatendo com regras que tal qual como o irmão mais velho da parábola, não vão levá-los a festejar com o irmão que retorna. Então fico apavorado ao pensar que pode ser a única vez que alguém se aproxime do evangelho e que nessa oportunidade ele não encontre amor.

Mas se você continuar a afirmar

– Mas o carnaval é uma festa mundana!?!

Pois eu continuo a responder

– E daí!?! Se você quer combatê-lo, continue oferecendo o melhor do seu coração. Ofereça amor!

Graça, Paz e Misericórdia.