Ouça aqui e compartilhe

Está semana católicos em diversas partes do mundo sofreram e choraram juntos mais um golpe após terroristas queimarem criminosamente igrejas no Chile, mas sofre e chorar não quer dizer desistir, pois nós sabemos e recordamos as palavras de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, 

“Eu disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”. 

(Jo 16, 33)

Após acalmado os nossos corações com as palavras Dele que é dono dos nossos corações, vale lembrar de outra promessa que Ele fez a sua igreja, 

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

(Mt 16, 18)

Quando Jesus fez essa promessa a Pedro enquanto primeiro papa da igreja, ele sabia bem pelo que nós precisaríamos passar para mantermos a fé, mas para compreendermos o que a igreja passa hoje, precisamos fazer um passeio, mesmo que breve, pela história.

Durante os primeiros 300 anos da igreja primitiva, o Império Romano protagonizou variadas perseguições contra os cristãos buscando oprimir a fé em Cristo. Depois do criminoso incêndio de Roma no ano de 64 d.C., o imperador Nero apontou os cristãos como culpados, fazendo deles o alvo de todo o ódio romano da época e espalhando a perseguição aos cristãos por todo o império. O reflexo disso é que boa parte do novo testamento foi escrita de dentro das prisões romanas, já que não se podia pregar livremente os ensinamentos de Cristo eram passados por escritos. 

Em 250 d.C., o imperador determinou que todos os cidadãos fizessem sacrifícios aos deuses romanos, eram entregues certificados aos que obedeciam e os que não o faziam, eram presos ou executados. Já em 303 d.C., o imperador romano Diocleciano ordenou a destruição de todas as igrejas, o confisco dos livros cristãos, a demissão de todos os cristãos do exército e do governo e a prisão do clero. Essas perseguições só começaram a cessar com a acessão do cristianismo como religião oficial do império no ano de 313 d.C.

Após a perseguição dos romanos, a igreja enfrentou entre os anos de 500 d.C. e 1500 d.C. a perseguição de outros dois grandes inimigos pelas mãos dos quais o sangue de muitos cristãos foi derramado, os bárbaros e o islamismo. O triunfo do evangelho sobre os bárbaros se deu por meio de muita dor e sofrimentos dos mártires. Enquanto a perseguição islâmica em poucos anos destruiu a Igreja no norte da África e subjugou-a no Oriente Médio, onde sua existência é até os dias atuais ameaçada.

Após a reforma e a contra reforma, um passo para a obscuridade inspirado no pensamento iluminista foi dado, promovendo a ideia de que a religião deveria ser exercida a parte, separada da vida cotidiana, o que geraram perseguições e guerras religiosas se espalharam pela Europa durante quase 300 anos.

Depois de uma relativa paz que durou cerca de 100 anos, no início do século XX, a perseguição voltou a se intensificar e alguns historiadores afirmam ter sido o período de perseguição mais sangrenta a igreja, desta vez protagonizada pelo comunismo.

O comunismo, infelizmente, ainda popular nos dias atuais como uma visão de ideologia política, possui doutrina ateísta em suas bases e assemelhasse com o cristianismo e com o islamismo em sua visão de buscar alcançar o mundo. Desde a Revolução Bolchevista de São Petersburgo, em 1917, a igreja foi a primeira a ser perseguida onde quer que o comunismo fincasse o pé. A rapidez de suas conquistas e o grau de opressão da igreja tornou sua violência comparável à atuação dos exércitos árabes do século VII.

Durante os 70 anos em que viveram sob a influência de Moscou, e ainda hoje em países comunistas como a China, a Coreia do Norte, o Vietnã e Cuba, os cristãos têm sofrido discriminação, tortura, violência, prisão e assassinato por causa de sua fé.

Chegando aos nossos mais recentes dias, a perseguição se intensifica não somente com atos simbólicos, mas também com ações concretas, em 2018 o Boko Haram sequestra meninas e explode escolas cristãs na Nigéria, em 2019 Sri Lanka mata centenas de cristãos em atentados no país, em 2020 a Igreja é incendiada por imigrante em Nantes e mais recentemente uma Igreja histórica incendiada por terroristas no Chile, para citar apenas alguns.

O que séculos de perseguições tem a nos ensinar enquanto cristãos é que satanás tem muitas faces, sim satanás, este que muitos em nossas igrejas adoram dizer que é uma invenção humana, negar sua existência e tantas outras baboseiras. Satanás tem muitas faces e muitos servos, nossa obrigação enquanto cristãos e católicos é combater todas as suas faces e os seus servos, mas calma, não estou dizendo para você pegar em armas, embora durante a história isso tenha sido muitas vezes necessário, não é uma tarefa para todos, mas tem algumas armas que são. 

Você que se diz católico e vive falando mau do Papa, combata a face de satanás e vá ler a doutrina social da igreja. Você que desrespeita seu pároco e fala mau dele para todo mundo, combata a face de satanás e vá oferecer seu tempo ao serviço pastoral. Você que se diz católico, mas meu corpo minhas regras, combata a face de satanás e pare de propagar o aborto como algo palatável. Você que se diz católico, mas desrespeita o matrimônio, combata a face de satanás e busque ser fiel em seu matrimônio. Você que se diz católico e fica pedindo voto para político comunista, combata a face de satanás e deixe de ser herege. 

Eu poderia passar horas descrevendo maneiras pelas quais nós podemos combater as mais variadas faces de satanás e de seus servos, mais se você leu até aqui, penso que você já entendeu o recado. Aqueles que serão chamados a derramar seu sangue pelo evangelho, fazem essa grande ação de amor, mas nós que não somos chamados a tanto, precisamos realizar diariamente as pequenas ações de amor, porque as ações podem ser grandes ou pequenas, mas o amor que vem de Deus é sempre infinito. 

É do meio de várias pequenas ações de amor a Cristo que nascem aqueles que são chamados as grandes ações de amor a Cristo, se desejamos hoje que a igreja de Cristo seja defendida de maneira grandiosa como no passado, nós precisamos começar a defende-la nos pequenos detalhes, pois precisamos antes sermos fieis no pouco, para que Ele nos confie mais (Mt 25, 14).

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia. 

Leia também: História da perseguição aos cristãos