Movendo-se pelo mundo como católico

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Sobre Laços

Este post inaugura uma nova série aqui no blog que ganhou o nome de “Sobre”, durante a semana em algum momento eu pergunto para alguém sobre o quê será a publicação e escrevo a respeito daquilo que a pessoa responder, se você que nos lê desejar participar da nossa brincadeira, basta enviar mensagem para nós pelo Instagram ou pelo Twitter do sem nome, ou pelos meus durante a semana dizendo sobre o que deveria ser.

Essa semana estava conversando com uma sem nome e no meio da conversar eu perguntei “sobre o quê deveria ser o post do blog?” ela respondeu “poderia ser sobre laços nessa quarentena” e aqui estamos.

Os laços que vamos construindo durante a nossa vida são dos mais variados, construímos laços que duram semanas, outros duram anos, outros são para a vida inteira. Mas independente da idade que você tenha, é provável que se você provocar a sua memória vai acabar se recordando de alguém com quem você conviveu e criou fortes laços, dividindo bons momentos e hoje por algum motivo vocês não se veem mais.

Durante a pandemia da covid-19, muitas mudanças nos nossos hábitos nos foram impostas e você pode está pensando que não está convivendo com as pessoas por esse motivo, enquanto outras pessoas já estão falando do “novo normal”, das cals, das lives, das mensagens instantâneas e que agora os laços entre as pessoas serão construídos e mantidos no virtual.

Na verdade já era assim a um bom tempo, veja seu histórico de conversas nas suas redes sociais favoritas, uma boa parte das pessoas com quem você conversou ali no último ano, não são pessoas com quem você esteve presencialmente no último ano e isso não é ruim, a tecnologia do nosso tempo nos presenteou com a condição de mantermos laços firmes mesmo a grandes distâncias. Mas se uma boa parte dos seus laços não estão fisicamente próximo, quem são essas pessoas que nos rodeiam o tempo inteiro?

Uma das passagens do evangelho que mais me encanta está em Lucas 7, quando Jesus ouve o pedido vindo de um centurião romano para que possas curar seu servo, o evangelista Lucas demonstra que aquele não era um homem qualquer para o povo judeu, eles destacam como ele era bom e justo, amava o povo e a cidade, tendo lhes construído uma sinagoga, era alguém que poderia sentir-se na condição de receber Jesus em sua casa, já que Jesus andava em meio as pecadores e cobradores de impostos corruptos, adúlteros e leprosos. Mas ele lhe manda um recado a distância, um recado que ouvimos na sagrada liturgia da missa até os nossos dias,

“Senhor, não sou digno de receber-te sob o meu teto: basta que digas uma palavra e o meu criado ficará são” (Mt 8, 8).

Os evangelhos narram como Jesus exalta a fé daquele homem, que em sua humildade deseja apenas uma palavra de Jesus, não para si, sequer para algum parente, mas para um criado. Naquele momento fica claro que o centurião criou para com Jesus um laço poderoso, mesmo sem ter convivido presencialmente com ele, enquanto seus mensageiros e o povo que o conhecia faziam entre ele e Jesus a função que hoje depositamos nas redes sociais e nos apps de mensagens instantâneas.

Mas a pergunta permanece, se estamos usando as redes para manter nossos laços a distância, quem são essas pessoas que estão a nossa volta? Talvez antes de ficar indignado com aquele vídeo fake de alguma tragédia que aconteceu em uma cidade que você nem sabe localizar no mapa sem a ajuda do Google, quando você sai de casa para ir a padaria poderia comprar um sonho recheado para o porteiro do seu prédio, crie ou se for o caso fortaleça seus laços com ele, talvez você descubra que ele não pode comer sonho porque é diabético, mas serão bons minutos de conversa enquanto você passa pela portaria.

Talvez antes de maratonar aquela séria sobre o casal incrível e suas aventuras, você possa conversar com essas pessoas quase estranhas que moram com você e descobrir que elas são um casal com os quais você pode aprender muita coisa e mesmo se não forem um casal, você poderia aprender muito descobrindo bons motivos para não serem, pois aprender com os erros dos outros é menos dolorido do que quebrar a cara sempre com seus próprios erros. Hoje em dia estamos chamando isso de família.

Que tal no lugar de passar a tarde inteira vendo aquelas reprises de reality show culinário, chamar sua mãe, vó, pai, irmão, ou quem sabe sua empregada, alguém na sua casa para fazer uma receita juntos, você pode descobrir que é muito mais divertido sair correndo para a cozinha e tirar do formo um bolo meio solado meio queimado porque vocês se permitiram conviver e acabaram esquecendo do que tinha no forno.

Já que você não pode ir muito longe nesse período o que poderia acontecer se durante uma semana, você deixasse de lado os apps de encontros e arriscasse descobrir o que aquela garota da sua rua lê? Ou quem sabe se você perguntasse o quê aquele menino que sempre está com fones de ouvido gosta de ouvir? Será que você encontraria novas amizades que gostam dos mesmos livros, das mesmas músicas e quem sabe o que mais vocês gostam em comum?

Talvez um dia você possa substituir a live do seu cantor favorito pela cantoria das crianças dos seus vizinhos que estão usando qualquer coisa como instrumentos na entrada de casa, e ambos possam sorrir por algumas horas com isso. E você descubra que aquela pessoa que você sempre vê no caminho indo para a escola, faculdade, trabalho ou qualquer outro lugar é como você, uma pessoa igualmente maravilhosa e quando a pandemia acabar vocês vão sentir que a vida voltou ao “antigo normal”, mas o laço ainda está lá e quando uma das pontas desse laço precisar, a outra vai sentir que é hora de puxar um pouco para apertar o laço.

Nós nunca queremos isso, mas na vida teremos aflições (Jo 16, 33) e quando elas veem são os laços que firmamos que vão nos manter firmes, são nossos laços que nos fortalecem quando estamos tristes por terminar um relacionamento, por termos um mau desempenho no trabalho, por alguma doença que nos acomete, por um problema familiar. Por qualquer coisa que nos acontece sempre aparece alguém para oferecer um abraço, para rezar por nós, para ligar para a emergência, para nos estender a mão de alguma maneira. E isto é sempre o mesmo que avisar a distância, Mestre eu não sou digno de que entre em minha casa, mas não é por mim é por ele, diz uma palavra. Se temos uma certeza nessa vida, é que Ele diz.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

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O que você está comemorando?

Qual a data do aniversário da sua irmã? Qual a data do aniversário de casamento dos seus pais? Qual a data em que você recebeu a unção do santo Crisma? A nossa era foi abençoada com a abundância de informações e talvez por isso muitas vezes reflito sobre qual a informação que realmente importa. A duas décadas seria fácil você encontrar pessoas que teriam essas datas na cabeça, a uma década atrás era comum as pessoas decorarem vários números de telefones diferentes. Hoje não lembramos de nada disso, porque o Facebook está aí para nos dizer quando é o aniversario de alguém, muitos de nós não sabem nem mesmo o próprio número de telefone, afinal “eu não vou ligar para mim” já ouvi muitas vezes isso. 

Não estou dizendo que essas facilidades são ruins, pelo contrário, costumo brincar com as pessoas próximas a mim dizendo que tem coisas que eu lembro, outras é função da Siri me lembrar. Mas em uma data especial como a de hoje, na qual a igreja celebra a natividade de São João Batista, em muitos países hoje é dia de festa, no meu querido nordeste brasileiro, essa é a época mais esperada do ano por qualquer nordestino amante de forró, de boa comida, de boa bebida, de quadrilha junina, de celebrações ao ar livre, de quermesse e de novena. 

São tantas coisas que eu poderia falar que chega a dar saudade de casa, mas com a pandemia da COVID-19 que nos forçou a novos hábitos nesse ano de 2020, muitos governadores anteciparam os feriados do calendário para incentivar as pessoas a ficarem em casa e o feriado que era dedicado a data da festividade da natividade de São João Batista não foi diferente, o feriado mudou de data, mas a liturgia da igreja não.

A sagrada tradição nos diz que São João Batista nasceu seis meses antes de Jesus, se o nacimento de Jesus é celebrado no natal, dia 24 de dezembro, logo a festa litúrgica de São João Batista sempre acontecerá no dia de hoje, 24 de junho. Antes que os chatos de plantão, os ateus praticantes e os historiadores de rede social digam que não há comprovações da data exata que Jesus nasceu e tão pouco de João Batista e blábláblá, permitam-me dar uma dica para você fiel católico que está mais interessado no exemplo de santidade desse grande homem do que nessas picuinhas, o nome da festa no calendário litúrgico é Natividade de São João Batista, a igreja celebra o nascimento dele, ninguém se falou em aniversário, você não vai ver em lugar nenhum “celebração do aniversario número XXXX de João Batista”, celebrar o nascimento é muito diferente de celebrar aniversário.

São João Batista junto a Jesus e a Maria santíssima são os únicos a terem uma celebração de seu nascimento na liturgia da igreja, ele que foi visitado por Maria santíssima ainda quando estava no ventre de sua mãe (Lc 1, 44), foi o único profeta a anunciar a promessa (Mt 3, 11) e ver a promessa da vinda do Filho de Deus (Mt 3, 17), ele cujas as palavras são repetidas pelos sacerdotes e ouvidas por todos nós durante mais de dois mil anos na santa missa, 

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1, 29b).

Ele que tão querido que o próprio Verbo Encarnado disse sobre ele

“Eu vos afirmo que dentre os nascidos de mulher não há um ser humano maior do que João” (Lc 7, 28a). 

Mas quando é o dia dos namorados? Quando é o dia das mães? Quando é o dia dos pais? Arrisco dizer que essas datas, mesmo que não exatas podem ter surgido mais facilmente na sua memória e o motivo é muito simples, somos bombardeados com propagandas, promoções, anúncios e campanhas todos os anos para que lembremos dessas datas. Você pode está pensando agora que essas datas são importantes e até são mesmo, mas por quê? 

Não há problema em você perceber essas datas já que tudo a sua volta faz você lembrar quando estão chegando, mas comece a se preocupar quando você não perceber que a data só tem significado quando você reconhece a contribuição daquele momento na sua vida. No caso de São João Batista estamos falando da contribuição dele para o grandioso projeto de salvação que Deus preparou para nós, com outras datas não é diferente, pois como nos ensina Santo Afonso Maria de Ligório,

“Deus não permitiria se não pudesse tirar desse mal um bem infinitamente maior.” (Santo Afonso Maria de Ligório)

Só podemos ser capazes de perceber isso se deixarmos de lado o nosso egocentrismo e permitirmos que os outros façam parte da nossa vida, assim como Jesus fez questão que João batista o batizasse (Mt 3, 14-15) mostrando que não era apenas por Ele ou para Ele, mas também com Ele. 

Nós podemos perceber que daquela comemoração que parece a primeiro momento tão particular como uma aniversário de casamento, daquele casal que se torna exemplo em fé e amor ao sagrado e indissolúvel matrimonio é mais uma ação de Deus para nos salvar, inspirando os jovens namorados a seguirem por aquele caminho, a tomarem aquele modelo como exemplo. 

O aniversario daquele seu familiar que você quase nunca vê e sempre lhe faz as mesmas perguntas sobre sua vida amorosa, seus estudos, seu trabalho é mais uma ação de Deus para nos salvar, nos salvar de nós mesmo e nos fazer lembrar que Ele espera de nós mais do que sermos escravos de uma coisa ou de um único objetivo, Ele nos deseja por completo. 

Até aquela data da celebração do santo crisma que sempre é anunciada na paroquia e deixamos passar porque nenhum conhecido nosso estará recebendo a unção está também o projeto de salvação de Deus para nós, pois mesmo aquele jovem, que nós sequer sabemos o nome, quando se compromete com a confirmação é Deus nós mostrando que continuara buscando nos salvar através daqueles jovem desconhecido que se compromete em levar adiante os ensinamentos que vem sendo transmitidos desde lá quando Jesus fundou sua igreja até os dias atuais. 

Deus nunca se cansa de agir para nossa salvação e nós quando percebemos isso é impossível não festejar, assim com João no ventre de sua mãe exultou de alegria, nós O louvemos criando sempre uma pequena ou uma grande festa quando reconhecemos que na memória daquilo que celebramos Deus agiu para a nossa salvação. 

São João Batista rogai por nós!

Percebam Deus nas pequenas coisas.

Graça, Paz e Misericórdia.

Arte: Sara Bargueno ( @_sara.b.g)

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Enquanto os números crescem

A pandemia da Covid-19 fez com que cada um de nós, em maior ou menor grau, passássemos a fazer coisas contra a nossa vontade habitual, muitos perderam seus empregos, outros passaram a trabalhar de casa, tantos ficaram sem aulas e outros tantos precisaram habituar-se a ter aulas apenas on-line, comércios foram fechados e outros passaram a funcionar em regime especial. 

Eu poderia criar aqui uma lista imensa de mudanças que nos foram impostas, mas essa não é minha intenção. Porque hoje pela manhã (17 de jun. de 20), eu acordei e ao meditar o evangelho do dia deparei-me com mais um profundo conselho de Jesus aos discípulos que se aplica tão bem a nós e ainda mais nesse tempo de enfrentamento da pandemia. 

“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus.” (Mt 6, 1). 

Em tempos em que muitos noticiários dedicam um tempo generoso (na minha humilde opinião um tanto exagerado) para anunciar atualizações do número de casos e do número de óbitos por Covid-19, outros números crescem quase silenciosos, no seu ambiente mais fecundo, onde não deveriam crescer, em casa. 

É em tempo de grandes mobilizações nas redes sociais pela reabertura das igrejas, de grandes correntes de orações on-line, de abaixo assinados virtuais pedindo o retorno das missas públicas que os índices de violência doméstica crescem. Por favor não me entendam mau, não sou contra a nenhuma mobilização para que possamos nos reaproximar dos sacramentos, mas se não estamos podendo ver Cristo Eucarístico, precisamos nos lembrar que Ele continuar a nos ver. 

Se pararmos um segundo para ver as estatísticas vamos ver a violência contra a mulher subindo, abuso infantil subindo, exploração sexual contra a criança e adolescente subindo, maus tratos contra os idosos subindo. 

Os números vão subindo, subindo e subindo enquanto a maioria de nós está em casa, você que está lendo isto deve estar pensando agora que você não pratica nenhum desses crimes (pelo menos eu espero que não, mas se estiver, se arrependa meu irmão), mas se você não pratica e o número continua crescendo é porque uma infeliz verdade precisa ser encarada, aquele seu irmão que faz questão de cantar o salmo na missa, aquela irmã no grupo de oração que não perde a oportunidade de elevar a voz e orar em línguas ou quem sabe aquele pregador que bate no peito e segura a bíblia com convicção quando fala a todos no grupo de casais podem ser os culpados por esses números continuarem subindo. 

Não, não estou sugerindo que você inicie uma caça as bruxas, antes disso lembremos de um outro conselho de Jesus


“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da trave que está em seu próprio olho? (Mt 7, 3). 

O bom católico sabe como olhar para o outro com amor, olhar com amor não é fazer cara de besta ou achar tudo bonitinho, olhar com amor é perceber os detalhes naquela criança que se torna violenta do nada na catequese e não quer que ninguém toque nela, aquela mulher que se retrai por completo quando o marido chega na igreja e faz expressão de medo, aquele jovem que toda semana tem uma história de um acidente diferente para contar que justifica um hematoma, aquela senhora cujos os olhos lacrimejam até quando recebe um bom dia de alguém.

Aqui sempre pedimos que percebam Deus nos pequenos detalhes, é o jeito sem nome de ser, mas sabemos bem que a ausência Dele deixa marcas profundas que podem ser percebidas nos nossos irmãos basta que tiremos as traves dos nossos olhos e nos permitamos olhar com amor uns para com os outros, não precisamos nos preocupar com os melhores lugares ou com os maiores destaques, pois Ele sabe de nós e mesmo que não possamos está em Tua casa como gostaríamos, mesmo que não possamos está diante Dele como ansiosamente desejamos voltar a estar, podemos oferecer a presença Dele que está em nós para buscar iluminar a vida de nossos irmãos que a todo momento nos mostram os detalhes nada sutis de seu sofrimento, um abraço, um conselho, uma mão amiga, se for necessário denuncie, chame a policia, nunca para que possa dizer que o fez e sempre porque era o certo a se fazer. 

Apresentemos Deus a eles nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Arte: sean_charmatz

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Eles estavam certos

Um pandemia assola o mundo, milhares de milhões de pessoas infectadas, centenas de milhões hospitalizados, milhares de mortos, economias entrando em colapso, pessoas passando fome devido ao lockdown estabelecido em diversos países, governos e organismos internacionais rastreando as pessoas, familiares e amigos que não podem ver os seus quando são internados, o impedimento de sepultar seus mortos, a ausência de culto público para os fiéis de varias religiões no mundo.

São tantas as consequências dos tempos que estamos vivendo hoje que ainda não podemos prever o que de fato acontecera e qual o rumo que vamos tomar, mas não desespere, isso é uma coisa boa, não saber onde tudo isso vai nos levar é um sinal de que nada está definido e que nós podemos transformar o mundo a nossa volta para melhor. 

Não estou falando sobre grandes revoluções culturais, religiosas ou políticas, deixemos de lado um pouco essa coisa de salvar o mundo, não precisamos salvar a humanidade, Cristo já fez isso e se você estiver tentando fazer permita-me lhe dizer uma coisa muito evidente, mas que talvez você não tenha percebido, Jesus Cristo é o filho do Deus vivo, o próprio Deus, você é só uma pessoa que também é filha de Deus por que Ele te adotou pelo seu imenso amor, então seja mais humilde pois já temos um Deus, precisamos mesmo é que você limpe seu quarto e ajude seus pais nas tarefas de casa sem dar um show histérico antes. 

Minha geração e as que nasceram depois da minha cresceram em meio aos avanços tecnológicos do século XXI que transformou a maneira como vivemos, começamos mostrando para nossos avós como configurar a TV nova, logo estávamos dizendo para nossos pais o que era uma reação no Facebook, essas pequenas ações foram rendendo elogios atrás de elogios, nos acostumamos a ouvir sempre,

“Essa menina é muito mais inteligente do que eu” 

“Na idade dele eu não tinha isso, as crianças de hoje são mais espertas do que nós”

“Essa menina sabe mais do que a mãe”

“Quem lida com as coisas aqui dentro de casa é meu filho, eu não sei como funciona nada disso” 

“Se a minha filha não sabe, eu que não vou saber”

São tantas formas que nossos familiares encontram de nos elogiar direta e indiretamente que acabamos muitas vezes esquecendo de alguns fatos simples, mas como fato rima com foto, separei três para partilhar com vocês. 

Primeira foto 

Essa foto eu tirei logo no inicio da manhã, ainda há orvalho sobre os botões das flores que ainda não desabrocharam, assim somos todos nós, muito embora nos nossos tempos queremos tudo para já, porque temos que dizer tudo que pensamos em 240 caracteres e precisamos mostrar tudo que estamos fazendo no momento em um story de 15 segundos, porque nossas músicas e vídeos precisam tocar em segundo plano para que sobre tempo para fazermos outras coisas. Mesmo assim as coisas precisam de tempo para acontecer, por mais que desejemos acelerar, algumas coisas simplesmente precisam de mais tempo.

Quando nossos pais não tiveram tempo para se tornarem especialistas em smart qualquer coisa, é provável que eles estavam usando esse tempo que a nós sobrava bastante para cuidar de nós, mesmo quando éramos incapazes de perceber, eles de alguma forma estavam ali para nos proteger e nos educar. Pois quem ama educa (Hb 12, 6), aquela lembrança da infância que praticamente todos os pais têm para contar de como os filhos colocavam de tudo na boca durante a idade da descoberta e eles sempre lá,

“Tira isso da boca, não pode!”

A maioria de nós com certeza chorava sempre que isso acontecia, mas que pais cruéis, não nos deixavam descobrir nada. 

Segunda foto 

Essa foto é das mesmas flores em outra hora do dia, elas já aproveitavam um pouco da luz solar, a temperatura estava começando a subir e as flores estavam se abrindo. Lembro-me que uma vez durante a minha infância um dia em que estava brincando com bola de gude (você conhecer com outro nome a depender da sua região, estou falando dessa brincadeira aqui) entrei em casa rápido, claro com as mãos sujas, já que brincava no chão e peguei uma laranja, minha vó olhou-me firmemente e disse,

“Largue isso menino, isso dá verme.”

Passei um bom tempo achando que laranja dava verme, eu sei que nunca fui uma criança muito inteligente, mas é claro que ela estava falando sobre comer com as mãos sujas de terra, porque eu estava brincando no chão.

Terceira foto 

Essa foto também é das mesmas flores, já por volta das 11 horas da manhã, o sol já estava forte no céu e elas já estavam completamente desabrochadas. Quando entrei na faculdade, estava fazendo a disciplina de Gestão de Pessoas e a aula era sobre recrutamento, o professor falava sobre a tendência das empresas em pedir os perfis de redes sociais dos candidatos a vaga para saber mais sobre eles. Muitos alunos ficaram tranquilos e outros um pouco desconfortáveis com aquela possível situação, o professor na hora brincou conosco dizendo,

“Suas vidas nas redes sociais são editadas, difícil contratar algum de vocês é se pedir para ver o seu quarto como ficou na mesma manhã que você saiu para a entrevista”

Todos começamos a rir e a maioria afirmava que com certeza não mostrariam porque nem eles mesmo se contratariam, outros já afirmavam que nem tentavam, só desistiriam da vaga na hora. Foi aí que o professor foi muito preciso na escolha das palavras disse,

“Valorizem muito as pessoas que vivem com vocês, porque essas pessoas que vocês são, que vocês sequer contratariam, eles convivem, partilham a vida, lutam todos os dias por vocês, essa pessoa que você é e não querem como empregado, eles tem como família, então valorizem as pessoas que vivem com vocês”.

É difícil prever para onde a atual situação que estamos vivendo com a pandemia vai nos levar, não sabemos exatamente para onde vai a economia, a pratica religiosa, os relacionamentos, não importa qual especialista você resolveu ouvir, se foi o mais renomado com vários doutorados das mais renomadas universidades ou o seu tio do WhatsApp, cada um com seus motivos pode ter uma visão de para onde vamos. Mas se você é uma flor que já desabrochou para aproveitar a luz, terá que olhar para tudo que estamos vivendo e admitir uma coisa, nossos avós, nossos pais, esses mais velhos que nos habituamos a ver como pessoas que sabem menos do que nós, eles tinham razão. 

Sim pequenas flores do jardim, nossos avós e nossos pais tinham razão o tempo inteiro, enquanto a modernidade confunde instrução com educação negligenciando o dever dos pais e depositando nas escolas e no estado o dever dos pais de educar os filhos. Os mais velhos sempre nos educaram com as instruções necessárias para reduzir o contagio por Covid-19 e evitar uma vasta lista de doenças e é provável que você assim como eu, tenha mudado muito pouco seus hábitos por esse motivo, a final, lavar bem os alimentos, lavar as coisas que vem da rua, lavar as mãos sempre que usar um local de uso comum como um banheiro, lavar as mãos antes de comer, não entrar em casa com calçados sujos que veio da rua, não ficar passando as mãos nos olhos, não por o dedo no nariz, não ficar pondo a mão na boca, são coisas que já ouvimos muito daqueles que nos educaram antes da pandemia. 

Hoje você pode está na faculdade, formado, trabalhando ou qualquer outra coisa que a sociedade diz que faz de você uma pessoa mais intelectualizada e bem sucedida do que o seu (talvez) humilde pai de pouca formação, da sua (talvez) mãe que sempre foi dona de casa, aqueles seus avós do campo que vivem sem internet e só assistem TV pela antena parabólica, todos já sabiam e buscavam educar você no que os eruditos hoje lhe dizem que é necessário para te manter vivo, talvez se você ouvisse mais os seus pais no lugar daquele seu youtuber favorito os governos não precisassem acionar ministérios para lhe convencer a fazer o que é nossos avós fazem a décadas sem nem saber reiniciar um moldem Wi-Fi.

Então aproveite esse tempo em casa, se você ainda tem a dádiva de dividir esse tempo com seus avós, pais ou outros, aproveite para ouvi-los um pouco mais, já parou para pensar quanto mais da sabedoria e da tradição deles podemos aproveitar para salvar a nossa tão querida vida moderna. Pois hoje relembramos a aparição de Nossa Senhora em Fátima, Maria mãe de Deus e mãe nossa foi muito clara ao pedir nossa obediência e não é por acaso que o evangelho de hoje seu filho Jesus se apresenta como a videira (Jo 15, 1-8), nós enquanto ramos dessa videira devemos aprender a obedecer, honrando nossos pais (Ex 20, 12), não porque é uma simples obrigação para agradar a Deus, mas porque nossos pais na terra e nos céus tem algo em comum, querem que vivamos bem (Lc 11, 11-13), nem que para isso precise nos podar as vezes, até que aprendamos a aproveitar a luz e possamos desabrochar sozinhos. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Blog Semana Santa

Como está a senhora mãe Igreja?

Em tempos de pandemia em que diversas partes do mundo que sofre diante da covid-19, aprendemos nessa quaresma a conviver com outra palavra que nos remete a 40 dias, a quarentena. Graças a quarentena muitos de nós não estão podendo sair de casa e viver a quaresma tornou-se um desafio que nós remeteu a reflexão de tudo que bem fazemos em nossas paróquias, do que mau fazemos e principalmente tudo que não fazemos.

Sem entra no mérito da natureza do vírus, de onde ele surgiu ou quem tem culpa do quê, nós do sem nome acreditamos que não existe mau a nos afligir nessa vida, que não possa por Deus ser utilizado para fazer um bem maior a nossa alma. Muito felizes ficamos em observar o crescimento da igreja nesse período, crescimento em sua presença on-line com cursos, pregações, orientações e meditações para fazer desse período um período de aproximação a Deus, mesmo que distante das nossas paróquias e sacramentos. O crescimento das pastorais da comunicação nas paróquias espalhadas pelo mundo que atenderam o chamado da mãe Igreja e não veem poupando esforços para manter os fiéis unidos em torno do desejo de permanecer em busca da íntima oração com Deus, da prática piedosa da caridade neste momento que por si mesmo já é uma penitência para muitos de nós.

Neste período de quarentena, muitos temem que a mãe Igreja esmoreça por está reclusa e sem poder reunir os fiéis como de costume, mas como brinca o padre Paulo Ricardo

“A Bíblia não caiu do céu com zíper”

A igreja de Cristo prepara-se para sair da quaresma, mantendo-se em quarentena, mas não sai para uma semana santa apática e sem vida. A igreja encerrará o tempo propício para adentra na semana santa, mais forte, vivendo uma unidade única, não de um grupo ou de uma pastoral, não apenas uma paróquia ou comunidade de fé, como as vezes nós permitimos isolar no nosso cotidiano, a igreja une-se por completo em todas as partes do mundo. Um corpo fortalecido para cumprir o que a cabeça pensou para ela desde o início

“Ide, fazei discípulos de todas as nações” Mt 28, 19a

Em todas as partes do mundo seja de maneira física com os padres que reservados celebram a Santa Missa, ou on-line onde todo fiel acompanham das palavras do Santo Padre o Papa Francisco até o mais anônimo dos fiéis que envia uma mensagens de texto com uma palavra de consolo para alguém. Essa é a igreja que não se acovarda, que não se permite para porque como corpo de Cristo confia em sua promessa

“As portas do inferno não prevalecerão contra ela” Mt 16, 18b

Sabendo que tal qual como a sagrada liturgia nos conduz a passar pela paixão e morte de nosso senhor Jesus Cristo, para com Ele festejarmos a festa das festas no domingo da ressurreição. Assim também nesse momento, rezamos pelos enfermos, choramos pelos mortos e a Deus Pai suplicamos sua infinita misericórdia sobre eles. Confiamos que enquanto povo de Deus, junto a Tua Igreja, festejaremos a vitória da vida sobre a morte.

Por aqui no semnome.org durante a semana santa estaremos refletindo junto as meditações de Santo Afonso Maria de Ligório os dias desta semana que fecha o tempo oportuno da igreja, mas dela não fecha suas portas, pelo contrário, as abre ainda mais, para acolhermos de Cristo a grandiosidade de Tua misericórdia por nós.

Desde já, você está convidado a acompanhar conosco. Porquê juntos podemos perceber Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia