Movendo-se pelo mundo como católico

Exibindo: 1 - 8 de 8 RESULTADOS
Blog

Sobre a boa Missa

A tradição da Igreja é a fé dos Santos Apostos em Jesus Cristo que perdura pelos séculos, passado é apenas a maneira com as coisas aconteceram em um dado período do tempo

Blog

Que não tardemos em 2021

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem. Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora ardo no desejo de tua paz.

Santo Agostinho

Se 2020 pode ser considerado um ano atípico que testou muito a nossa fé. Que 2021 seja considerado um ano no qual a nossa fé cresce e se fortalece. Sob o olhar atento de São José, saibamos reconhecer que não podemos mais tardar a amar a Deus.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Blog

Sobre a correção fraterna

Quantas vezes por dia você se depara com algo que você não gosta ou não concorda, com algo que você com certeza deseja que fosse diferente e outras que você gostaria que sequer existissem? É possível que muitas vezes, mas se diante de tantas coisas você sente essa insatisfação o quê fazer?

As reações são das mais variadas por não existir resposta certa diante de tais situações, as vezes é necessário silenciar, noutras é preciso agir para corrigir, por muitas vezes o exercício de conviver com tudo e todos a nossa volta é um desafio de equilíbrio delicado.

Nos dias atuais, infelizmente vivemos os extremos onde não deveríamos viver e relativizamos o que realmente precisamos viver no extremo da certeza. Em tempos onde tudo é relativo e há quem diga que a terra é plana, nosso maior risco como católico é esquecer o motivo pelo qual precisamos fazer as coisas.

Hoje eu costumo brincar resumindo a maioria dos católicos e três grupos, o grupo do “não julgueis” que são os católicos que caíram no erro da permissividade onde tudo é permitido porque Deus é uma especie de tonto que tudo permite e nada cobra daqueles que contra a Sua vontade deliberadamente escolhem agir a todo momento.

O grupo dos “eu sou santo e pronto” que são os católicos que caíram no erro da lei acima de tudo, onde Deus se tornou uma espécie de algoz implacável que a cada segundo está torcendo para que cometamos mais um erro para nos condenar como se condenarmos seja o mais divertido passatempo de Deus.

E o terceiro grupo, são os católicos, apenas isso, são católicos, a maioria de nós que sabemos nosso lugar no mundo, reconhecemos nossos erros e sabemos que precisamos lutar contra o pecado e buscar a santidade.

A maior parte do tempo você tem os grupos um e dois debatendo entre si e usando o terceiro grupo que é naturalmente mais silencioso como parte de suas discussões. O mais curioso disso é que todos fazem uso muitas vezes dos mesmos argumentos e das mesmas passagens bíblicas, eles leem o mesmo texto, mas dão intonações diferentes fazendo com que o sentido do texto se transforme de acordo com a sua vontade.

Recentemente fui convidado a participar da etapa número 2 de uma famosa correção fraterna, a partir dessa correção é que a pessoa que convidou-me sugeriu este tema do sobre. Caso você não saiba do que eu estou falando leia Mateus 18, 15-20 e vai entender, é a passagem que trata da famosa orientação que Jesus dá sobre como corrigir um irmão que está no erro. Etapa um, conversa com ele em particular. Etapa dois, chama mais duas testemunhas. Etapa três, entrega a igreja. E por último se nem a igreja ele ouvir, trata-o como pagão.

Pelo que percebi eu era a testemunha número dois, pois a outra pessoa já sabia de todo o ocorrido. Naquele momento a grande questão que se discutia era, como deveria ser o pedido de desculpas, que fosse compatível com a falha cometida. Questões como na frente de quem deveria ser pedida, o quê deveria ser oferecido como desculpa e outras mais estão em pauta.

Foi nesse momento que eu pensei, a correção estava ali, mas a fraternidade ainda não tinha chegado. O ponto central da correção fraterna não é a correção mas sim a fraternidade, se retornarmos ao texto com cuidado vamos encontrar lá uma frase muito especial já na primeira etapa,

“Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão.”

(Mt 18, 15b).

Jesus deixa bem claro que a intenção da correção fraterna não deve ser reparar seu orgulho, sua honra, o dano material que você sofreu ou qualquer coisa que você sinta prejudicada com o erro que o irmão cometeu contra ti. A correção fraterna é para ganhar algo muito mais importante de volta, o teu irmão, é trazer o teu irmão pecador de volta para ti, de volta para a igreja e principalmente de volta para Deus, as outras coisas são secundárias.

Como nos ensina Santo Agostinho, a correção só é obra boa se a mesma for feita para levar a alma corrigida de volta para Cristo, qualquer coisa fora disso, pode até parecer justo ao olhar dos homens, mas não é obra boa aos olhos de Deus.

Quando estamos diante de uma situação como essa, antes mesmo de iniciarmos a correção precisamos pensar e entender dentro de nós mesmo qual a motivação que nos leva a corrigir, isso é importante porque não é apenas a salvação do irmão que está em jogo, mas também a nossa, pois não podemos esquecer que,

“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?”

(I Jo 4, 20).

Pois a todo momento suplicamos a Deus que,

“E perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido.”

(Mt 6, 12).

Buscar ganhar a alma do irmão que erra de volta para Deus, é um ato de amor duplo, pois não é uma alma que se resgata por si só, mas duas, a de quem ofende e a de quem é ofendido.

Em tempos de grandes polarizações precisamos cada vez mais evitar os extremos da permissividade de que tudo pode, sim sabemos que tudo nós é permito, mas precisamos lembra que nem tudo nos convém (I Cor 6, 12), como também precisamos evitar viver o rigor desmedido da lei, pois a lei só tem seu cumprimento no amor de Deus e fora Dele a lei não faz sentido (I Jo 5, 13), o equilíbrio entre essas duas realidades fazem de nós bons católicos, concientes de que sem Cristo não somos nada e que nos distanciando do irmão, nos distanciamos de Deus.

Mas se você está se perguntando, como terminou a segunda etapa da correção fraterna para a qual fui convidado, ainda não terminou, mas continuo rezando a Deus para que a solução venha conforme a vontade Dele e não a nossa, acredito que em algum momento em um simples detalhe Ele nos mostrará um caminho de volta ao seu coração, espero que não percamos de vista esse detalhe e se Ele já nos mostrou, que tenha misericórdia de seus filhos cegos que ainda não viram.

Assim é a vida, nem sempre acertamos na primeira tentativa e nem sempre somos capazes de percebemos Deus nos pequenos detalhes logo de imediato.

Graça, Paz e Misericórdia.

Blog

Sobre ser humano

Alguma vez você observou um comportamento de alguém que considerou tão absurdo a ponto de não o considerar humano? Já se deparou fazendo algo ou pensou em alguma atitude sua do passado e pensou que hoje você é mais humano? Vamos falar um pouco sobre ser humano. 

Curiosamente, falar sobre ser humano é a maneira de provar que sou, pois o tema me foi sugerido com a seguinte frase, “você poderia escrever sobre ser humano? Quem sabe assim você pense um pouco sobre isso e fique mais parecido com um.”, quase uma premissa ao estilo René Descartes “penso, logo existo” me foi aplicada, mas a verdade é que não se aplica, a final eu sei o que é um cachorro, sei o que é uma árvore, sei o que é o mar, sei o que é uma mesa, sei o que são vários seres e coisas mas falar sobre eles não fará de mim mais parecido com eles.

A quem acredite que o ser humano nasce bom, mas sociedade o corrompe, se você é do time de Rousseau e carrega essa crença, já lhe aviso que eu sou do time de Santo Agostinho, quando nascemos carregamos a mancha do pecado original e se você é católico fique sabendo que o pecado original é um dogma de fé da igreja e não pode ser negado por um católico. Então você precisa deixar de lado essa ideia marxista de que o sistema, a sociedade e meio é responsável por tudo, lembre-se que Jesus disse “tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16, 24; Marcos 8, 34; Lucas 9, 23), Ele não disse que você não tem cruz, porque você não é responsável por nada e a culpa é do sistema.

Se para você foi fácil pensar sobre algum absurdo a respeito de outra pessoa que você acreditou agir sem humanidade, mas quando pensou sobre você não foi tão fácil, preciso dizer que isso não é por você ser um ser humano exemplar, é porque você precisa aplicar menos Rousseau e mais Cristo na sua vida. Não é por acaso que nos dias atuais ficamos aterrorizados com assassinatos, violência sexual, abusos contra crianças e idosos, são tantas barbarias que vemos quando decidimos acompanhar o noticiário, que nos faz inconscientemente pensar que somos diferenciados por não estarmos praticando nenhuma dessas coisas e que bom que não estamos. Mas preciso dizer uma coisa para você, 

“Católico comunista não existe, ou você é católico ou você é comunista”. 

Foi em um diálogo no qual eu disse essa frase que o tema de hoje surgiu, não pretendo versar aqui sobre os fundamentos nos quais eu afirmo isso com tranquilidade, mas recomendo a leitura do que ficou conhecido como Decreto contra o Comunismo, um documento da Igreja Católica, publicado pelo Santo Ofício no dia 1 de julho de 1949, durante o pontificado do Papa Pio XII.

Mas a reação que recebi diante dessa afirmação me fez pensar e um olhar para a humanidade do ponto de vista histórico, vai nos revelar que nós enquanto seres humanos discordamos desde sempre e por muitas vezes nossas discordâncias levaram a tragédias, se formos ao livro do Gênesis temos o relato de um desentendimento regado a inveja entre dois irmãos, que termina com um assassinando o outro, não estou aqui para julgar o caso, mas será que podemos culpar alguém por desejar ser bem visto aos olhos do todo poderoso Deus? Bom o que a sagrada escritura nos diz é que não, já que Ele próprio proibiu que alguém fosse contra o irmão invejoso por isso e o punido de outra forma (Gn 4). 

Mas enquanto essa enxurrada de notícias absurdas nos passam a ideia de que a bondade corre o risco de extinção no mundo atual, indiretamente também nós preenchemos da ideia de superioridade a ponto de acreditarmos que somos seres humanos muito acima da média, quando na verdade não somos. 

Seja no seu bairro, na sua cidade, no seu estado ou país, quando você ouvir uma estatística absurda qualquer sobre número de assassinatos, de roubos, de abusos ou seja lá mais do quê, tenha sempre em mente que as notícias são produzidas para chamar sua atenção, mas as vezes vale o esforço de perguntar ao Google o que aquele percentual ou número realmente representa. Preste bem atenção, não estou dizendo que o problema não está lá, mas que você não é exatamente o único ser humano de boa índole da cidade, sempre que você perceber que está indo nessa direção diga para si mesmo, 

“Eu não sou Ló, eu não vivo em Sodoma e Gomorra” (Gn 19). 

É evidente que, por exemplo, aqueles que cometem absurdos como maltratar um idoso incapaz de se defender em sua própria casa tem que prestar contas a justiça humana aqui na terra e a divina quando chegar a hora, mas façamos juntos aquele exercício dos pequenos detalhes. No ônibus ou no metro quando alguém vira o rosto para o lado, finge estar dormindo e até põe fones no ouvido para ignorar a existência de um idoso para não levanta e ceder o acento simplesmente porque tem a audácia de julgar estar mais cansado porque passou o dia estudando ou trabalhando e o idoso aposentado não faz nada o dia todo, como você chama isso? Ignorar essa situação faz de você alguém em condições de ficar assim tão indignado quando vê a violência no noticiário?

No Brasil existe uma lei, assim como em vários outros países, que obrigam a existir uma fila preferencial para idosos, deficientes, gestantes e lactantes, aquela fila especial do supermercado ou do banco por exemplo, mas será que isso fala mais sobre a evolução das leis humanas ou sobre a decadência de nós humanos, que precisamos que exista uma lei que nos obrigue a sermos mais compreensíveis com alguém de 70 anos na fila do supermercado, com um cadeirante que leva o dobro do tempo só para conseguir entrar no prédio (quando consegue, infelizmente as vezes nem consegue subir na calçada), ou com uma mãe que mau consegue ficar em pé devido sua gestação avançada. 

Pensemos um pouco sobre isso, pois quanto mais imerso estamos em um mau “maior” que o nosso, tendemos a não perceber o nosso mau, como um mau real. A única maneira de termos êxito em sermos humanos é olharmos para O ser humano perfeito, quando fazemos isso, percebemos o quanto a nossa jornada humana pode melhorar, a exemplo do jovem que tudo fazia ao respeitar os mandamentos, ele poderia sentir-se um ser humano elevado, mas buscou o exemplo do ser humano perfeito e percebeu que precisava de mais, de muito mais (Mt 19, 16 – 30). 

Mas se nascemos com a marca do pecado original, se temos em nós essa propensão ao mau é isso que é ser humano? Não, o que nos faz humano é desejar ser santo (Mt 5, 38), foi isso que o Senhor nos ordenou. Ele enquanto ser humano perfeito nos ensinou que precisamos amar o Senhor nosso Deus de todo o nosso coração e com todo o nosso entendimento, e que devemos amar o próximo como Ele nos amou (Mt 22, 37). Não é nos sentindo superiores ao apontar o erro no outro, mas buscar ensinar ao outro a não errar, não é ficando irritado e atacando o outro por qualquer discordância que se tenha, mas buscar ensinar a fidelidade da fé. 

Sim temos muitos males no mundo e precisamos combate-los, mas como certa vez disse o ex Almirante da Marinha Americana William H. McCraven, 

“Se você quer mudar o mundo, arrume a sua cama”

Vamos começar a mudar o mundo, mudando as pessoas que estão nele, comecemos então por nós mesmo, ser humano é isso, reconhecer que somos falhos e precisamos buscar diariamente o exemplo dAquele que nunca falhou, sigamos o exemplo do ser humano perfeito, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, busquemos segui-Lo do maior ao menor dos detalhes, é isso que é ser humano. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.