Tempo de Espera
Tempo de Espera

Sobre o silêncio na feliz espera

Na última semana do advento, o quê ainda pode ser feito em preparação para o natal do Senhor?

Deus é imprevisível a nós, não por ser um Deus de bagunça e confusão. Mas porque somos incapazes de prever Deus, nossas mentes são incapazes de compreender Deus em sua infinita existência a ponto de poder prevê-Lo.

Mas se não podemos prevê-Lo, como vamos nos preparar para Ele?

Não é a primeira vez que afirmo isso aqui e mais uma vez volto a afirmar, existem perguntas erradas e para mim essa é uma pergunta errada. O que precisamos fazer é nos preparar para sermos preparados por Deus.

Por mais que busquemos nos preparar para receber Deus nunca conseguiremos fazê-lo, mas sempre que nos preparamos para sermos preparados por Ele para recebê-Lo, Ele vem até nós.

Muitos Santos, mártires e doutores da Igreja no passar dos séculos já nos indicaram caminhos de como viver uma vida aberta a Cristo a ponto de permitir que Ele nos prepare para viver conforme sua vontade. Mas uma coisa chama a minha atenção em todos esses dos quais eu tive conhecimento até aqui (que não é nem 1% deles, a nossa igreja possui uma riqueza espiritual muito grande, uma vida é pouco para conhecer a todos), eles não eram barulhentos.

Em nossos tempos de barulho imediato, estamos sempre buscando o novo vídeo viral, a nova música do momento, a nova dança, o novo gesto, o novo jeito de fazer as coisas, o meme do momento e a modinha da vez. Mas faça um exercício mínimo e responda: Qual foi a música mais badalada de 2018? Qual era a coreografia obrigatória dos vídeos de 2018? Qual era a pose ou gestual da moda nas fotos de 2018? Se você teve um pouco de dificuldade de lembrar tudo bem, aconteceu a longínquos 2 anos atrás (kkkkkkk).

Esses são os nossos tempos, tempos de empatia exagerada onde o que alguém viveu e postou nas redes sociais mexe com você como se você tivesse sofrido aquilo, a ponto de sua mente fantasiar o fato, mas o irmão que sofre diariamente ao seu lado não desperta a sua atenção porque não faz o mesmo barulho logo não gera engajamento, é sinal de que precisamos pensar mais sobre isso.

No tempo do advento, enquanto esperamos em alegria pela chegada do menino Deus uma das mais gritantes coisas que a sagra escritura nos apresenta é o silêncio. Maria Santíssima rompe o silêncio duas vezes, uma para dizer seu sim a Deus (Lc 1, 26) e outra para proclamar as maravilhas de Deus (Lc 1, 49), enquanto Santa Isabel sua prima, o faz para acolher Maria em sua casa reconhecendo que ela carregar em seu ventre o Senhor (Lc 1, 39), o que dizer de Zacarias seu esposo, que passa a gestação inteira de sua mulher em silêncio?

Como um pai, contra sua vontade, vive em completo silêncio durante os nove meses da experiência de gestação de sua esposa e a primeira coisa que ele proclama depois disso são as maravilhas de Deus? (Lc 1, 64).

Mas se estamos falando de pai, o que dizer de São José? Diferente de Zacarias ele se manteve em silêncio por escolha própria, mesmo após o anjo do Senhor falar com ele em sonho, ele nenhuma palavra disse, apenas ficou em silêncio e deixou Deus prepará-lo para o que Ele desejasse que fosse feito.

Aqui não vou nem comentar sobre os silêncios de Jesus, pois são tão grandioso que dá um livro só a respeito disso e o livro vai ficar para o futuro.

O mundo a todo momento faz barulho e deseja que façamos barulho, porque sabe que no silêncio permitimos que Deus nos prepare para o que Ele deseja de nós. Então se você por algum motivo não viveu um bom advento, mas ainda deseja viver bem o Natal do Senhor, não esperneia, não faz barulho, apenas silencia, faz um bom exame de consciência e busque a confissão. Não se preocupe, apenas confie em Deus pois no seu silêncio Ele vai preparar você para recebê-Lo e fazer com que o seu Natal seja com Ele.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

Sobre o zelo na feliz espera

Ao chegar no terceiro domingo do advento, vivemos uma semana de alegria comedida, sentimos que estamos mais perto da chegada do Natal e o Salvador entre nós nos fará celebra a plenitude da alegria.

Tratando-se de uma semana conduzida pelo domingo da alegria, na terça-feira eu fui com algumas amigas ao circo, sorrimos um pouco, ficamos admirados com alguns números, aplaudimos bastantes e claro, ao término do espetáculo, saímos para comer.

No caminho conversamos sobre o espetáculo, conversarmos sobre o quão bonito e organizado foi e no meio dessa conversa eu afirmei,

“Estava muito mais organizado do que a missa na paróquia”.

Em meio a reações, reflexões e comentários, todos concordamos que sim, de fato era verdade. Mas pensando um pouco mais sobre isso, por diversas paróquias por onde passei, quase todos sofrem desse mau.

Enquanto no circo, o espetáculo iniciou fielmente no horário marcado, cada responsável desempenhava suas atividades com precisão, o segurança, o mágico, o malabarista, o fotógrafo, o vendedor de pipoca, etc., cada um em sua função passava a tranquilidade de que tudo estava saindo conforme o esperado.

Talvez nem tudo fosse as mil maravilhas, mas o que deu errado eles fizeram o possível para que não percebêssemos e não perdêssemos a magia do espetáculo. E a grande questão é, era só entretenimento.

Por quantas vezes vamos viver a missa e não encontramos tamanha dedicação? Se chegamos um pouco mais cedo, coisa que todos deveríamos fazer, não temos um ambiente propício a oração, já que a todo momento ouvimos “ei! Som, um, dois, teste, som”, enquanto pessoas caminham de um lado para o outro arrumando o presbítero, marcando leituras, acendendo velas, e tantas outras coisas.

Por quantas vezes nos deparamos com situações que nos tiram a atenção durante a missa, com objetos litúrgicos ausentes do presbitério que precisam serem buscado às pressas, com leitores que são escolhidos a esmo e não conhecem o texto que está lendo à assembleia, com músicas que são entoadas sem a prévia reflexão para a liturgia do dia, com suas letras catadas na internet de improviso e acompanhas pelo celular.

São tantas coisas que acontecem durante as celebrações das missas e muitas delas são naturais acontecer, mas deveriam ser a exceção e em muitas de nossas paróquias se tornaram a regra. Mas o que nos falta? O espetáculo circense é uma arte milenar, que emprega muita gente, mas ainda é entretenimento, a missa é muito mais do que isso, a salvação das nossas almas depende da Santa Missa e mesmo assim não damos a ela o devido zelo.

Muito falamos sobre a preparação para o Natal do Senhor, mas se vivemos o tempo do advento a esperar na alegria, devemos também zelar para que essa alegria seja demonstrada, não apenas com luzes, enfeites, fogos, barulhos e aplausos. Devemos ser zelosos com as coisas de Deus, permitirmos dedicar a Ele um verdadeiro culto de espera, nos preenchendo da felicidade de estar em Tua casa, de servi-Lo e de permitir ser um instrumento consumido pelo Teu amor.

Se você já serve em sua paróquia, pense sobre isso e busque servir com ainda mais amor, pois quem ama se dedica aos mínimos detalhes. Se você ainda não o faz, aproveite o momento para buscar seu pároco e se permitir servir, na beleza do servir, você compreenderá o verdadeiro sentido do advento e sem perceber compreenderá que,

“O zelo pela Tua casa me consumirá”

(Jo 2, 17).

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.