Movendo-se pelo mundo como católico

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Eles estavam certos

Um pandemia assola o mundo, milhares de milhões de pessoas infectadas, centenas de milhões hospitalizados, milhares de mortos, economias entrando em colapso, pessoas passando fome devido ao lockdown estabelecido em diversos países, governos e organismos internacionais rastreando as pessoas, familiares e amigos que não podem ver os seus quando são internados, o impedimento de sepultar seus mortos, a ausência de culto público para os fiéis de varias religiões no mundo.

São tantas as consequências dos tempos que estamos vivendo hoje que ainda não podemos prever o que de fato acontecera e qual o rumo que vamos tomar, mas não desespere, isso é uma coisa boa, não saber onde tudo isso vai nos levar é um sinal de que nada está definido e que nós podemos transformar o mundo a nossa volta para melhor. 

Não estou falando sobre grandes revoluções culturais, religiosas ou políticas, deixemos de lado um pouco essa coisa de salvar o mundo, não precisamos salvar a humanidade, Cristo já fez isso e se você estiver tentando fazer permita-me lhe dizer uma coisa muito evidente, mas que talvez você não tenha percebido, Jesus Cristo é o filho do Deus vivo, o próprio Deus, você é só uma pessoa que também é filha de Deus por que Ele te adotou pelo seu imenso amor, então seja mais humilde pois já temos um Deus, precisamos mesmo é que você limpe seu quarto e ajude seus pais nas tarefas de casa sem dar um show histérico antes. 

Minha geração e as que nasceram depois da minha cresceram em meio aos avanços tecnológicos do século XXI que transformou a maneira como vivemos, começamos mostrando para nossos avós como configurar a TV nova, logo estávamos dizendo para nossos pais o que era uma reação no Facebook, essas pequenas ações foram rendendo elogios atrás de elogios, nos acostumamos a ouvir sempre,

“Essa menina é muito mais inteligente do que eu” 

“Na idade dele eu não tinha isso, as crianças de hoje são mais espertas do que nós”

“Essa menina sabe mais do que a mãe”

“Quem lida com as coisas aqui dentro de casa é meu filho, eu não sei como funciona nada disso” 

“Se a minha filha não sabe, eu que não vou saber”

São tantas formas que nossos familiares encontram de nos elogiar direta e indiretamente que acabamos muitas vezes esquecendo de alguns fatos simples, mas como fato rima com foto, separei três para partilhar com vocês. 

Primeira foto 

Essa foto eu tirei logo no inicio da manhã, ainda há orvalho sobre os botões das flores que ainda não desabrocharam, assim somos todos nós, muito embora nos nossos tempos queremos tudo para já, porque temos que dizer tudo que pensamos em 240 caracteres e precisamos mostrar tudo que estamos fazendo no momento em um story de 15 segundos, porque nossas músicas e vídeos precisam tocar em segundo plano para que sobre tempo para fazermos outras coisas. Mesmo assim as coisas precisam de tempo para acontecer, por mais que desejemos acelerar, algumas coisas simplesmente precisam de mais tempo.

Quando nossos pais não tiveram tempo para se tornarem especialistas em smart qualquer coisa, é provável que eles estavam usando esse tempo que a nós sobrava bastante para cuidar de nós, mesmo quando éramos incapazes de perceber, eles de alguma forma estavam ali para nos proteger e nos educar. Pois quem ama educa (Hb 12, 6), aquela lembrança da infância que praticamente todos os pais têm para contar de como os filhos colocavam de tudo na boca durante a idade da descoberta e eles sempre lá,

“Tira isso da boca, não pode!”

A maioria de nós com certeza chorava sempre que isso acontecia, mas que pais cruéis, não nos deixavam descobrir nada. 

Segunda foto 

Essa foto é das mesmas flores em outra hora do dia, elas já aproveitavam um pouco da luz solar, a temperatura estava começando a subir e as flores estavam se abrindo. Lembro-me que uma vez durante a minha infância um dia em que estava brincando com bola de gude (você conhecer com outro nome a depender da sua região, estou falando dessa brincadeira aqui) entrei em casa rápido, claro com as mãos sujas, já que brincava no chão e peguei uma laranja, minha vó olhou-me firmemente e disse,

“Largue isso menino, isso dá verme.”

Passei um bom tempo achando que laranja dava verme, eu sei que nunca fui uma criança muito inteligente, mas é claro que ela estava falando sobre comer com as mãos sujas de terra, porque eu estava brincando no chão.

Terceira foto 

Essa foto também é das mesmas flores, já por volta das 11 horas da manhã, o sol já estava forte no céu e elas já estavam completamente desabrochadas. Quando entrei na faculdade, estava fazendo a disciplina de Gestão de Pessoas e a aula era sobre recrutamento, o professor falava sobre a tendência das empresas em pedir os perfis de redes sociais dos candidatos a vaga para saber mais sobre eles. Muitos alunos ficaram tranquilos e outros um pouco desconfortáveis com aquela possível situação, o professor na hora brincou conosco dizendo,

“Suas vidas nas redes sociais são editadas, difícil contratar algum de vocês é se pedir para ver o seu quarto como ficou na mesma manhã que você saiu para a entrevista”

Todos começamos a rir e a maioria afirmava que com certeza não mostrariam porque nem eles mesmo se contratariam, outros já afirmavam que nem tentavam, só desistiriam da vaga na hora. Foi aí que o professor foi muito preciso na escolha das palavras disse,

“Valorizem muito as pessoas que vivem com vocês, porque essas pessoas que vocês são, que vocês sequer contratariam, eles convivem, partilham a vida, lutam todos os dias por vocês, essa pessoa que você é e não querem como empregado, eles tem como família, então valorizem as pessoas que vivem com vocês”.

É difícil prever para onde a atual situação que estamos vivendo com a pandemia vai nos levar, não sabemos exatamente para onde vai a economia, a pratica religiosa, os relacionamentos, não importa qual especialista você resolveu ouvir, se foi o mais renomado com vários doutorados das mais renomadas universidades ou o seu tio do WhatsApp, cada um com seus motivos pode ter uma visão de para onde vamos. Mas se você é uma flor que já desabrochou para aproveitar a luz, terá que olhar para tudo que estamos vivendo e admitir uma coisa, nossos avós, nossos pais, esses mais velhos que nos habituamos a ver como pessoas que sabem menos do que nós, eles tinham razão. 

Sim pequenas flores do jardim, nossos avós e nossos pais tinham razão o tempo inteiro, enquanto a modernidade confunde instrução com educação negligenciando o dever dos pais e depositando nas escolas e no estado o dever dos pais de educar os filhos. Os mais velhos sempre nos educaram com as instruções necessárias para reduzir o contagio por Covid-19 e evitar uma vasta lista de doenças e é provável que você assim como eu, tenha mudado muito pouco seus hábitos por esse motivo, a final, lavar bem os alimentos, lavar as coisas que vem da rua, lavar as mãos sempre que usar um local de uso comum como um banheiro, lavar as mãos antes de comer, não entrar em casa com calçados sujos que veio da rua, não ficar passando as mãos nos olhos, não por o dedo no nariz, não ficar pondo a mão na boca, são coisas que já ouvimos muito daqueles que nos educaram antes da pandemia. 

Hoje você pode está na faculdade, formado, trabalhando ou qualquer outra coisa que a sociedade diz que faz de você uma pessoa mais intelectualizada e bem sucedida do que o seu (talvez) humilde pai de pouca formação, da sua (talvez) mãe que sempre foi dona de casa, aqueles seus avós do campo que vivem sem internet e só assistem TV pela antena parabólica, todos já sabiam e buscavam educar você no que os eruditos hoje lhe dizem que é necessário para te manter vivo, talvez se você ouvisse mais os seus pais no lugar daquele seu youtuber favorito os governos não precisassem acionar ministérios para lhe convencer a fazer o que é nossos avós fazem a décadas sem nem saber reiniciar um moldem Wi-Fi.

Então aproveite esse tempo em casa, se você ainda tem a dádiva de dividir esse tempo com seus avós, pais ou outros, aproveite para ouvi-los um pouco mais, já parou para pensar quanto mais da sabedoria e da tradição deles podemos aproveitar para salvar a nossa tão querida vida moderna. Pois hoje relembramos a aparição de Nossa Senhora em Fátima, Maria mãe de Deus e mãe nossa foi muito clara ao pedir nossa obediência e não é por acaso que o evangelho de hoje seu filho Jesus se apresenta como a videira (Jo 15, 1-8), nós enquanto ramos dessa videira devemos aprender a obedecer, honrando nossos pais (Ex 20, 12), não porque é uma simples obrigação para agradar a Deus, mas porque nossos pais na terra e nos céus tem algo em comum, querem que vivamos bem (Lc 11, 11-13), nem que para isso precise nos podar as vezes, até que aprendamos a aproveitar a luz e possamos desabrochar sozinhos. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

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Feliz Dia das Mães

Obrigado por toda força que tiveste para regar com amor o vosso jardim.
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Família

A última criação de Deus antes de descansar no sétimo dia foi a família (Gn 1, 26-31). Ele a fez partindo da sua própria imagem e semelhança. E nós, em nossas livres ações começamos a destruir a beleza da criação de Deus.

Eva, a esposa, no primeiro olhar a vemos desobedecendo a Deus, comendo do fruto que Deus já tinha dito para não comer. No segundo olhar, como tantas mulheres do nosso tempo, hoje ditas empoderadas, a palavra da moda atualmente, comeu sem consultar seu esposo Adão (Gn 3, 6).

Adão, o esposo, no primeiro olhar, também o vemos desobedecendo a Deus comendo do furto que Deus já tinha dito para não comer. No segundo olhar, como tantos homens do nosso tempo, esquiva-se da responsabilidade de esposo, depositando na esposa Eva a responsabilidade pelo erro que também é dele (Gn 3, 12).

Filho dessa casa, Caim não compreendeu a unidade santa que Deus concebeu como família, tomado pela inveja matou seu irmão Abel cujo erro era fazer aquilo que agradava a Deus (Gn 4, 8).

Durante todo o antigo testamento homens e mulheres santas buscaram viver o exemplo de família que Deus concebeu. Profetas alertavam e orientavam o povo a respeito da vontade de Deus para a família. A aliança que havia sido desfeita com Deus Pai, estava próxima de ser eternamente restaurada em Teu filho, Jesus Cristo. Para restaurar essa aliança, Deus em seu mistério começou restaurando uma das primeiras coisas que o pecado atacou ao entrar no mundo, a família.

A escolha da esposa foi sublime, Maria uma virgem prometida em casamento, exemplo de filha, temente a Deus, serva de Deus por excelência e humildade (Lc 1, 26-38).

A escolha do esposo foi igualmente excepcional, José um homem casto, exemplo de justiça e fortaleza, vindo de família honrada e santa (Mt 1, 1-17).

Juntos estavam e pela ação do Espírito Santo formaram com Jesus a Sagrada família (Lc 1, 35).

Não foi por acaso quê uma das primeiras coisas que o pecado prejudicou ao romper nossa aliança com Deus foi a família, também não foi por acaso que Deus ao preparar para nós o projeto de Salvação o iniciou na família. Uma família sagrada e santa, que é exemplo para nós.

Agora não vamos muito longe, a nossa volta nos dias de hoje, o quê estão nos dizendo? O quê estamos repetindo? O quê estamos ensinando? E principalmente, o quê estamos sendo?

“Família tradicional” tornou-se um termo pejorativo. Cada vez mais cedo pais e mães perdem a autoridade sobre seus filhos, filhos que cada vez mais desejam ter autoridade sobre seus pais. Quantas vezes ouvimos que os tempos são outros, que hoje existem várias configurações de família, porque existem muitas mães solteiras, muitas crianças abandonas para a adoção, muitas adolescentes que engravidam e sem condições de criar e educar seus filhos escolhem o caminho da morte pelo aborto.

São tantos os problemas que “novas” soluções precisam ser pensadas, mas foram as novas ideias que criaram os problemas e por isso a “fórmula” tradicional tão rechaçada nos dias atuais ainda funciona. No guardar da castidade não haverá gravidez precoce que precise ser interrompida ou crianças abandonas ao sabor da sorte, no respeito ao sacramento do matrimônio não haverá mães solteiras. No diálogo familiar onde o casal se tem como igual e um só (Gn 2, 24) a esposa é verdadeiramente empoderada e o marido verdadeiramente responsável, para assim os filhos dessa união olharem para a família como o quê verdadeiramente Deus espera que ela seja, a igreja doméstica que a cada dia renova a aliança com Ele, Nele e por Ele.

Jesus, Maria e José, nossa família vossa é! Sagrada Família, rogai por nós!

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.

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Escolham bem os seus amigos

Tem uma senhora que conheço já a um certo tempo, nunca fui muito próximo a ela, mas pelo que já tinha ouvido dela e como ela se porta diante das coisas, das pessoas e Deus eu sempre a respeitei. Essa semana em meu exercício espiritual pessoal eu desejei aproximar-me dela, em meio a algumas conversas fui ficando mais a vontade com ela e ela me contou um pouco da sua história.

Muito do quê ela contou eu já tinha ouvido falar, sabem bem como funciona, pessoas conversam e as histórias se espalham, mas dessa vez eu estava mais íntimo a ouvir. Quando ela começou a falar de sua época de adolescente eu já senti vontade de escrever a respeito.

Ainda muito jovem, no início de sua adolescência ela recebeu um convite de um grande amigo, alguém de sua inteira confiança, a final qual adolescente não teve aqueles amigos aos quais confiariam tudo, aqueles que nos fizeram ter certeza que seriam nossos melhores amigos para sempre. Ela também tinha e esse amigo leva a outro, confiando nele aceitou o convite e o resultado disso é que ela engravidou.

Quantas jovens não acabam passando por isso nos dias de hoje também. Mas na época dela era comum as garotas casarem muito cedo, perguntem aos seus avós, eles vão confirmar. E se você pesquisar um pouco na internet vai perceber que nos dias de hoje também. E os pais dela tinham arranjado para ela um casamento, não se surpreenda é mais comum do que você imagina, na Índia, no Paquistão, no Iraque e vários outros. Mas mesmo sabendo que ela estava grávida de outro, aceitou ela, mas por causa dessa gravidez ele nunca a teve sexualmente como esposa.

Junto a ele, ela viveu uma vida humilde, não possuíam muito mais do que o necessário. Tentando uma vida melhor, eles viajaram, mas ela entrou em trabalho de parto e acabou dando a luz na estrada, sem assistência adequada, sem dinheiro para um conforto, não conseguiram nem lugar para ficar, se hoje as manchetes de jornal já alardeiam hospitais e maternidades lotados sem atendimento e sem infraestrutura, imagina na época dela, deve ter sido um sofrimento absurdo. Ela não fez pré natal e nem tinha enxoval, foram se virando do jeito que dava.

Alguns desconhecidos, almas de bom coração ajudaram com o quê tinham, deram a eles algumas coisas que os reconfortaram, ela lembra que na época não foi o valor dos donativos, mas o sentimento de que não estavam sozinhos que os mantiveram firmes diante de todo aquele sofrimento.

Ela contou que conhecia o pai da criança e que o senhor com quem havia casado também e que nunca tentaram esconder do menino isso. O menino sempre soube que aquele era seu pai adotivo, mas disse que ele nunca o desrespeito por isso. Mas o tempo passou e a idade avançada de seu marido o conduziu a morada eterna.

Seu filho, já crescido, não concordava com o modo como as pessoas viviam e muitas vezes questionava a lei e as autoridades. Juntou-se com outros inconformados que também se agitavam pela realidade que se tinha. Ela falava do filho com muito amor, mas não se permitiu ser daquelas mães cegas que depositam as ações dos filhos nas companhias, nos amigos, em tudo e todos exceto nele. Ela foi direta ao dizer, ninguém era uma má influência para ele, pelo contrário, era ele o cabeça de tudo, ele que tinha a palavra de ordem a dizer, era ele quem conduzia os outros.

Ele já estava crescido e a mim, uma senhora não tinha muito a fazer, eu acompanhava e rezava. Não demorou muito e seus confrontos com as autoridades ficaram sérios, ele foi levado preso, um dos seus amigos ajudou as autoridades e os outros fugiram. Ele foi preso e condenado. Um criminoso que agia contra lei e a ordem.

Eu não sou mãe, mas tenho certeza que muitas mães sabem como é ter que assistir seu filho ser levado pelas autoridades. Acredito que nenhuma mãe deseja precisar assistir essa cena. Mas ela sabia de tudo que iria acontecer, ela guardava no coração e rezava.

Pode parecer coisa de outro mundo, porque hoje está fora da realidade de muita gente, mas o filho dela foi considerado culpado e condenado morte. Pena de morte está para muitos de nós apenas no imaginário popular. Mas não é assim, em muitas nações nos dias de hoje, a pena de morte faz parte do sistema jurídico vigente, como nos Estados Unidos da América, no Japão, na Coreia do Sul, na China e no Irã.

Ela assistiu a execução do seu filho com uma dor profunda em seu coração. Toda a vida dela foi em torno daquele filho, desde o momento que ele começou a ser gerado, todas as dificuldades, todos os sofrimentos, todas as privações, tudo que ela viveu foi unicamente por aquele filho.

Eu pessoalmente fiquei pensando nisso, como a vida dela poderia ter sido diferente, poderia ter sido feliz se não tivesse se deixado levar pelo convite daquele amigo. Se ela tivesse dito não, ela não passaria por tudo aquilo.

Por isso eu vos peço, escolham bem os seus amigos, está senhora tinha um grande amigo, ela não o considerava grande pela amizade que tinha com ela, mas pela amizade que ele tinha com Deus. E quando Gabriel a convidou a aceitar o pedido de Deus para ser mãe do Salvador, ela escolheu o melhor amigo de todos para chamar de seu Deus, seu amigo, seu Filho. Mesmo diante de tudo que ela precisou passar, um amigo que nunca abandonou, por isso deixou-nos a certeza, escolhê-Lo por primeiro amigo, Ele nunca os abandonará.

Maria, Virgem e Mãe, obrigado pelo seu sim. Vós que foste sempre fiel até nos menores de seus atos e por isto recebeste em teu ventre Aquele que é maior que tudo. Rogai por nós que recorremos a vós e por aqueles que não recorrem a vós.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.

Graça, Paz e Misericórdia.