Sobre não estar sozinho

Durante a semana não parei nenhum momento e só consegui organizar o material da catequese na mesma manhã do sábado e, embora a catequese começasse às três e meia da tarde, às três e vinte eu ainda estava em casa terminando algumas coisas. Quando finalmente saí, já saí sabendo que chegaria atrasado. Para completar, minha companheira de catequese não estaria naquele dia e, diante de tudo isso, confesso que não tinha grandes expectativas de fazer um bom encontro. Mas talvez seja justamente quando achamos que estamos sozinhos que Deus encontra uma maneira simples de nos lembrar que nunca estivemos.

São Paulo ouviu do próprio Senhor, “basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que a força se manifesta plenamente” (II Cor 12,9). Temos a mania de pensar que as coisas darão certo quando conseguimos controlar todos os detalhes, preparar tudo com antecedência e evitar qualquer imprevisto. Evidentemente, precisamos ser responsáveis, preparar aquilo que nos foi confiado e não transformar desorganização em espiritualidade. Mas também precisamos reconhecer que existem dias em que fazemos o que conseguimos e, mesmo assim, nossas forças parecem insuficientes. Foi mais ou menos assim que saí de casa naquele sábado.

Descendo a rua, uma mulher que eu não reconheci parou o carro na esquina, baixou o vidro e perguntou se eu estava indo para a igreja. Algumas feições pareciam familiares, mas eu sinceramente não sabia quem era. Fiz que sim com a cabeça e ela, sorrindo, fez sinal para que eu me aproximasse e ofereceu uma carona. Quando abri a porta do carro, ela explicou o motivo de ter parado. O filho estava no banco de trás e, ao me ver caminhando, tinha dito, “mãe, aquele é meu professor, aquele é meu tio da catequese”. Ela havia parado simplesmente porque o filho me reconheceu.

Aqueles dez minutos que provavelmente me fariam chegar atrasado desapareceram. Entramos no carro, seguimos para a igreja e cheguei cerca de cinco minutos antes do início do encontro. Quando cheguei, já havia algumas crianças esperando. Duas meninas pequenas me receberam na porta e uma delas disse, “tio, eu já estava preocupada, pensei que o senhor não vinha”. Antes mesmo que eu pudesse responder, o garoto que havia me dado carona sorriu e anunciou para as outras, “ele ia chegar atrasado, mas eu e minha mãe demos carona para ele”.

Entramos sorrindo e começamos a subir a rampa em direção à sala. Quando abri a porta, encontrei outros dois meninos lá dentro. Sem que ninguém tivesse pedido, eles estavam organizando as cadeiras em uma pequena meia-lua, colocando a mesa no lugar e até cobrindo-a com a toalha branca que usamos durante nossos encontros. Quando me viram, sorriram e disseram, “tio, demorou”. Logo depois veio a pergunta verdadeiramente importante para eles, “trouxe as velas?”. Eu tinha levado.

Terminamos de preparar a sala e o encontro aconteceu normalmente. Aquilo que, poucos minutos antes, eu imaginava que seria uma catequese atrasada, tumultuada e feita às pressas acabou se transformando em um dos bons encontros que tivemos. E foi somente depois, pensando com calma, que comecei a perceber como Deus havia se feito presente em uma sequência de coisas aparentemente pequenas.

Para muita gente, não aconteceu absolutamente nada extraordinário. Uma mãe deu carona para o catequista do filho. Duas meninas ficaram esperando na porta. Dois garotos resolveram arrumar algumas cadeiras. A catequese começou no horário. Nada disso renderia uma grande história sobre um milagre, uma aparição ou algum acontecimento inexplicável. E talvez seja justamente esse o ponto. Nós nos acostumamos tanto a procurar Deus nas coisas extraordinárias que corremos o risco de não o perceber na providência cotidiana.

São Paulo ensina que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). Isso não significa transformar qualquer acontecimento banal em revelação particular nem imaginar que tudo acontecerá sempre da maneira que desejamos. Significa aprender a olhar para a própria vida sabendo que Deus não está ausente dela. Às vezes sua providência se manifesta através de uma pessoa que para o carro, de uma criança que organiza uma cadeira ou simplesmente de alguém que estava esperando por nós.

Talvez aquelas crianças já tenham aprendido mais do que eu imaginava. Ensinar catequese não é simplesmente fazer com que saibam responder perguntas sobre os sacramentos, decorar os mandamentos ou memorizar orações. Tudo isso é necessário, mas queremos também ensiná-las a viver como Igreja, a compreender que a fé é vivida em comunidade, que cada um possui uma responsabilidade e que a casa de Deus também é uma casa que devemos aprender a cuidar.

Naquele sábado, enquanto eu imaginava que precisaria fazer tudo sozinho, encontrei crianças que já estavam fazendo a parte delas.

Porque o Senhor nos prometeu que “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles” (Mt 18,20). Talvez eu tenha saído de casa pensando demais em mim mesmo e pouco na presença daqueles que Deus já havia colocado ali. Eu e minha solidão esquecemos que sempre pode haver mães, crianças e muito mais, porque a catequese não se faz sozinho.

Também me veio à memória aquilo que o profeta Isaías diz sobre a Palavra de Deus, ela não volta para Ele sem efeito, mas realiza aquilo que Ele deseja e cumpre a missão para a qual foi enviada (cf. Is 55,10-11). Nós, catequistas, professores, pais e todos aqueles que de alguma forma ajudam a formar alguém, quase nunca sabemos exatamente quais frutos nossas palavras produzirão. Muitas vezes repetimos as mesmas coisas e imaginamos que ninguém ouviu. Depois, em um gesto pequeno, descobrimos que alguma coisa ficou.

Talvez seja isso que aquelas crianças tenham me mostrado naquele sábado. Enquanto eu me preocupava em preparar um encontro para ensinar alguma coisa a elas, Deus permitiu que fossem elas que me ensinassem alguma coisa.

Santa Teresa de Jesus já disse que, “nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa, Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta”. Há dias em que essa verdade chega até nós por meio das grandes provações. Em outros, chega em uma carona de poucos minutos, em uma criança esperando na porta ou em cadeiras que já estavam colocadas no lugar.

Não precisamos procurar sinais extraordinários o tempo inteiro. Precisamos aprender a reconhecer a presença ordinária de Deus. Ele age pela graça, pela sua providência e através das pessoas que coloca no nosso caminho. Quando imaginarmos que precisamos carregar tudo sozinhos, talvez seja bom olhar novamente ao redor. Pode ser que Deus já tenha enviado alguém para carregar conosco uma pequena parte do peso.

Percebam Deus nos pequenos detalhes.
Graça, Paz e Misericórdia.

Sem Nome

Por onde andarmos que a justiça nos guie. Para que quando falarmos, a verdade saia de dentro de nós. Diante do sofrimento que sejamos alento e nas dificuldades criemos algo que agrade a Ti. Para a qualquer momento elevarmos Teu Nome e assim partilharmos o amor que nos move a sermos ferramentas confiantes da Tua misericórdia. Amém!

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