
Existe um conceito muito popular na Administração chamado custo de oportunidade. Essencialmente, ele representa aquilo de que abrimos mão quando escolhemos uma alternativa em vez de outra. Toda escolha possui um custo, não necessariamente financeiro, porque escolher alguma coisa significa também deixar outras possibilidades para trás.
Passamos boa parte da vida fazendo escolhas, algumas pequenas e quase automáticas, outras capazes de mudar completamente o caminho que seguiremos. Escolhemos uma profissão, uma cidade para morar, pessoas com quem desejamos conviver e responsabilidades que decidimos assumir. Muitas vezes refletimos sobre os resultados daquilo que escolhemos, mas raramente pensamos sobre todas as alternativas que deixaram de existir porque, em determinado momento, dissemos sim para alguma coisa.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que a liberdade é a capacidade, enraizada na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, e que ela encontra sua perfeição quando está ordenada para Deus (cf. CIC, 1730-1731). Portanto, a liberdade cristã não consiste em manter todas as possibilidades abertas para sempre. Em algum momento é preciso escolher e uma escolha verdadeira inevitavelmente fecha outras portas.
Olhemos para as vocações. No matrimônio, um homem e uma mulher escolhem um ao outro. A partir daquele “sim”, todas as outras possibilidades afetivas deixam de ser possibilidades legítimas. Não porque as outras pessoas tenham perdido seu valor, mas porque aquele amor assumiu uma forma concreta e definitiva. O próprio Catecismo recorda que Deus é o autor do matrimônio e que a vocação para esse amor está inscrita na própria natureza do homem e da mulher (cf. CIC, 1603-1604). A escolha passa a ter nome, rosto, compromisso e fidelidade.
Algo semelhante acontece, de maneira própria, com aquele que na Santa Igreja recebe o chamado ao sacerdócio e livremente abraça o celibato “por amor do Reino dos céus”. Ele renuncia à constituição de uma família própria para entregar-se de modo particular a Deus e ao serviço do seu povo. O Catecismo explica que esse celibato, acolhido livremente, é sinal de uma entrega inteira ao Senhor e aos homens (cf. CIC, 1579). Não se trata simplesmente de perder alguma coisa, mas de renunciar a um bem por causa de outro bem ao qual Deus chamou aquela pessoa.
É aqui que a ideia de custo de oportunidade se torna interessante para pensar a fé. Toda escolha séria exige alguma renúncia. O problema é que vivemos em um mundo que nos ensina a desejar todas as possibilidades ao mesmo tempo. Queremos escolher sem perder, comprometer-nos sem renunciar, receber os frutos de uma decisão sem carregar suas consequências. Mas isso simplesmente não existe, quando escolhemos verdadeiramente Cristo, algumas coisas também precisam ficar para trás.
Escolhemos estar na Santa Missa aos domingos. Escolhemos buscar os sacramentos. Escolhemos ordenar nossa vida moral conforme aquilo que Cristo ensinou e sua Santa Igreja conserva. Escolhemos amar Nossa Senhora, viver na comunhão dos santos, adorar Jesus Cristo Eucarístico e peregrinar nesta terra com os olhos voltados para o Céu. Tudo isso significa também dizer não para outras coisas que poderiam parecer mais confortáveis, agradáveis ou convenientes.
Nosso Senhor nunca escondeu esse custo daqueles que desejavam segui-lo, “se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24) e o papa São João Paulo II, em Veritatis Splendor, nos ensina que seguir a Cristo não é apenas imitá-lo exteriormente, mas conformar-se a Ele interiormente e entrar na lógica de sua própria entrega. O cristianismo nunca prometeu uma vida em que podemos conservar tudo exatamente como desejamos e apenas acrescentar Jesus em algum espaço livre da agenda. Mesmo que às vezes nos flagremos pensando no que não escolhemos.
Isso acontece no casamento, no sacerdócio, na profissão, na família e na vida espiritual. Em determinados momentos podemos olhar para uma possibilidade que não escolhemos e pensar como teria sido. Outra profissão, outra cidade, outra vida, outra pessoa. Isso faz parte da condição humana. Mas devemos vigiar e orar para não passarmos a amar mais as possibilidades abandonadas do que a vocação que livremente abraçamos.
Como nos alerta o próprio Jesus Cristo, “ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus”(Lc 9,62). Não porque seja pecado lembrar o passado, mas porque não conseguimos caminhar verdadeiramente para frente quando passamos a vida alimentando nostalgia por tudo aquilo a que já deveríamos ter renunciado.
Santo Inácio de Loyola diante dessa liberdade que nasce da entrega, rezava assim, “tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade”, e em seguida entrega a Deus a sua memória, inteligência, vontade e tudo aquilo que possui, pedindo apenas o amor e a graça divina (EE, 234). Não é uma oração de alguém que perdeu a liberdade, mas a de alguém que encontrou uma liberdade tão grande que já consegue oferecê-la inteiramente a Deus.
Santa Teresa dʼÁvila também nos recorda uma verdade que ajuda a colocar nossas escolhas em ordem, “tudo passa, Deus não muda”. Grande parte das possibilidades que hoje temos medo de perder também passará, o dinheiro passa, as oportunidades passam, a juventude passa, os prazeres passam, as circunstâncias mudam. Deus permanece.
Para nós, católicos, isso significa reconhecer que cada “sim” dado a Deus inevitavelmente exigirá alguns “nãos” ao longo do caminho. Não porque Deus queira empobrecer nossa existência, mas porque toda vocação precisa de espaço para crescer. Aquele que encontrou o tesouro escondido no campo, diz Jesus, vende tudo o que possui para comprar aquele campo (cf. Mt 13,44). Ele não volta para casa lamentando aquilo que vendeu, ele está feliz porque sabe o que encontrou.
Por isso, quando o custo de escolher ser católico parecer pesado, precisamos recordar aquilo que escolhemos. Escolhemos Cristo. Escolhemos sua Santa Igreja. Escolhemos a Cruz porque sabemos o que existe depois dela. E que depois de colocar a mão no arado, continuemos caminhando sem viver constantemente olhando para trás.
Percebam Deus nos pequenos detalhes.
Graça, Paz e Misericórdia.

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