Movendo-se pelo mundo como católico
Sobre o animalismo
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Sobre o animalismo

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Talvez seu primeiro questionamento ao ler o título desse sobre tenha sido “o que é animalismo?” e em seguida pensou ser algo voltado para os animais e logo em seguida você pode ter ficado feliz lembrando de algum animal que você gosta ou ficado triste, pensando em alguma crueldade para com os animais. Pois bem, se algo parecido com isso aconteceu com você, não há surpresa alguma, pois é exatamente para gerar esse tipo de reação que você é bombardeado com as mesmas informações todos os dias. 

Quero aqui deixar bem claro que não sou a favor da crueldade deliberada e sem sentido para com nenhum ser vivo, seja ele animal ou vegetal, até mesmo para com coisas inanimadas, como um livro ou um aparelho celular, eu tendo a reprovar mau uso e danificação proposital. Então que fique claro que não é disso que se trata aqui. 

Para começar a entender o quê vivemos hoje, precisamos entender algumas das coisas consideradas mais essenciais a nossa volta que guiaram a raça humana no decorrer de muitas eras, o antropocentrismo. 

O antropocentrismo, resumidamente, é uma estrutura de pensamento comum a certos sistemas filosóficos e crenças religiosas que atribui ao ser humano uma posição de centralidade em relação ao todo. Tal pensamento pode ser erroneamente entendido como uma forma arrogante de se colar como centro de tudo, no entanto, também pode ser entendido como uma estrutura de pensamento que coloca o ser humano numa posição de superioridade e consequentemente numa posição de responsabilidade perante os outros seres vivos. 

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.” 

(Gn 1, 26).

Não é de se admirar que muitas pessoas escolham a primeira interpretação, a final assumir responsabilidades não é exatamente a coisa mais popular no século XXI, onde todo mundo quer ser vítima e encontrar uma tragédia para chamar de sua. 

É aí onde as ideias do animalismo ganham força, o animalismo é uma corrente de opinião que nega o antropocentrismo para igualar o ser humano com todas as espécies de seres vivos. Igualar significa colocá-los em igualdade de direitos (não de deveres) e conseguir a sua inserção social para todos os efeitos.

Não os julguem mau, aqueles que defendem essa igualdade de direitos entre os homens e os outros animais deixam de fora a igualdade de deveres, mas não o fazem por má fé, o fazem porque é simplesmente impossível exigir de uma animal de qualquer outra espécie, por mais esperto e adestrado que ele seja, que ele se responsabilize pelos mesmo deveres que o ser humano moderno. 

Enquanto vivemos os nossos estilos de vida sensíveis onde muitos escolhem não comer carne em protesto a crueldade que o pobre e indefeso animal sofre e tantos outros deixaram de comer certos produtos porque o cruel e ganancioso agronegócio utiliza defensivos agrícolas. 

Os costumes de nossa sociedade foram mudando ainda mais, a exemplo, fomos dando aos animais direitos sem cobrar nada em troca, se outrora tínhamos em nossa companhia um cachorro como melhor amigo do homem, hoje temos cães que não caçam, não vigiam, não guardam, não farejam e temo que no futuro não possam mais acompanhar os cegos como bons guias. O mesmo vemos acontecer com os gatos, outrora bons parceiros para as donas de casa, hoje já não mais caçam ratos, não perseguem pequenos répteis e tão pouco controlam outras pragas. 

Embora podemos perceber que tais tarefas que outrora eram atribuídas a cães, gatos e tantos outros animais, hoje tenham sido substituídas pelos avanços tecnológicos, ainda é preciso colocar os animais em um patamar de igualdade e assim os tornaram da família, muito embora, pais, filhos, avós etc. tenham papeis claros na constituição familiar, esses “animais da família” deixaram de ter e apenas existem. 

Cada vez mais jovens mulheres afirmam não quer ter filhos e se declaram “mãe” de pet, enquanto os jovens homens que em comparação com seus pais e avós que em sua idade já estavam constituindo família estão exibindo orgulhosamente sua inabilidade de fazer qualquer coisa como um homem adulto. 

Muitos querem a todo custo que jovens como esses casem e tenham filhos, eu particularmente considero um favor para todos que eles não os tenham, talvez a seleção natural os faça desaparecer se nós pararmos de incentivar sua reprodução. 

E é aí onde mora o problema, porque agora você vai entender o que eu chamo de animalismo humano, como já ficou mais do que claro que não se pode cobrar de nenhuma outra espécie que se iguale em responsabilidade aos humanos e os humanos claramente fogem das responsabilidades como Satanás foge da Verdade, a solução mais fácil de ser implementada é reduzir a responsabilidade do ser humano para o nível animal. 

Esse é o animalismo humano e caso você não tenha percebido vivemos ele cada dia mais. A luta que se vê todos os dias transvestida de liberdade de qualquer coisa, quase sempre é mais um passo na direção de tratar o ser humano como um animal irracional e devo dizer que não está mais sendo uma tarefa difícil. 

Pensem um pouco e diga sinceramente para você mesmo, quantos desses belos direitos não são apenas uma maneira fácil de se livrar das próprias responsabilidades, o divórcio, o aborto, a liberdade sexual, a eutanásia etc.

Mas para garantir que nosso celebro de humano se mantenha entretido e fora do perigoso campo do raciocino que nos separa das outras espécies, somos bombardeados todos os dias por coisas que tem pouca ou nenhuma importância real para que nossas vidas possam continuar seguindo em frente de maneira animalesca e “livre”.

Talvez por isso desde o momento que você acorda, até o momento que você vai dormir, tudo a sua volta diz que o seu físico em roupa de banho é mais importante que a sua saúde física e mental. Que o tamanho da sua bunda ou pênis é mais essencial do que ser capaz de manter um diálogo por mais de meia hora com alguém. Que saber dançar sensualmente é mais importante que ser capaz de se comunicar bem por escrito. Que a roupa que você veste é mais importante do que sua capacidade técnica no trabalho. Que você deve chorar pelo cachorro atropelado, mas não precisa conversar com sua família dentro de casa. Que a única época boa é a juventude e que a todo custo é preciso parecer jovem. 

Não estou dizendo que nenhuma dessas coisas seja sem valor ou que não devam ser levadas em consideração. Mas são tantas informações contraditórias quando postas em perspectiva com a vida, que se não forem devidamente observadas acabam se tornando a rotina que nos torna apenas mais uma espécie de animal qualquer. Nos tornam animais que só estão vivendo, fugindo das responsabilidades e ansiando pela nova tendência genérica quase sempre desassociada da realidade humana. Colocando coisas que deveriam ser banais e muitas vezes irrelevantes como a cor do cabelo, a frequência da atividade sexual, jeito de se vestir e/ou marca do tênis como centrais e mais relevantes na vida. 

Nesse sentido, caberia pensar, será que estamos diante de uma drástica redução da espécie homo sapiens? A final a principal característica que marca o homo sapiens é a sua capacidade de pensar e raciocinar, estaríamos sendo conduzidos a perder a qualidade única da nossa espécie?

Espero que não, pois a característica que nos separa das outras espécies, é também a característica que nos une a Deus, pois nossa capacidade de pensar e raciocinar é um presente divino para sermos “capazes” Dele. Nos esforcemos para em comunhão com Deus abraçarmos as responsabilidades que a nós Ele confiou. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes. 

Graça, Paz e Misericórdia. 

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