Movendo-se pelo mundo como católico
Sobre ser padre
Sobre ser padre

Sobre ser padre

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Passei alguns dias sem usar o Twitter e como todo boa rede social que deseja ter nossa atenção, recebi um daqueles e-mails com o resumo da semana, entre os twitters destacadas estava o de um padre, era uma foto dele na academia. 

No primeiro momento aquilo não me disse nada, não me entregou nenhuma informação útil e não considerei relevante. Mas em um segundo momento, já na plataforma do Twitter, aquele mesmo twitter passou pela minha timeline novamente. Foi então que eu fui buscar entender por que alguém que eu não seguia estava sendo exibido para mim novamente. 

As explicações mais óbvias são, pessoas e contas que eu sigo estavam retwittando ele,  temas de meu interesse se chocavam com a pseudo-proposta da conta dele. E sim pseudo-proposta, porque eu fui até a conta dele a fim de conferir se era alguém que eu gostaria de seguir. 

Antes de continuar, eu gostaria de dizer que é evidente que padre também é humano, que não só pode, como deve cuidar da aparência, da saúde etc. não sou grande entusiastas de que padres andem pela rua vestidos de qualquer forma como se fosse uma pessoa comum, mas também não sou radical e não defendo que sem o hábito não há santidade, prefiro dizer que. 

O hábito não faz o monge, mas o identifica. 

Dito isto, a conta do padre o identificava como padre, havia ali inclusive um ou outro twitter dele a respeito de sua fé, mas a predominância de suas postagens era basicamente sobre seus treinos na academia, seus passeios e seus #looks, # essa que ele usava com mais frequência do que algumas amigas blogueiras. 

Acompanhado desse conteúdo estava um grande engajamento, em sua maioria pessoas a elogiar a sua beleza, seu físico e sua rotina de treinos. Acredito que a esse ponto você já sabe onde eu quero chegar, a pergunta que qualquer cristão minimamente coerente já está se fazendo. 

E onde está Cristo? 

Cada ano que passa, mais padres se fazem presentes nas mídias digitais, o que não é um problema. Alguns fazem um verdadeiro trabalho de evangelização como o Padre Paulo Ricardo que por muitas vezes já citei aqui. O problema vem quando o apostolado se rende as redes em busca de engajamento, padres cada dia mais engraçadinhos, mais por dentro da cultura pop e antenados nas referências, que falam cada dia menos de Cristo nesses ambientes digitais e até mesmo sem perceber prestam um desserviço à Igreja. 

Sim, as pessoas precisam lembrar que aquele homem é um sacerdote e ter noção que desejar física e sexualmente um sacerdote não é algo saudável. Mas antes disso, o sacerdote precisa lembrar de quem ele é, do compromisso primeiro que ele assumiu, já que a sociedade dificilmente fará isso por ele. 

O quê vivemos hoje é reflexo de controversas escolhas do passado aliadas a incoerentes interpretações do presente. Se no passado tivemos movimentos que desejavam retirar do sacerdócio sua autoridade e sua reverência, fazendo uso de um bonito discurso de que o padre precisava ser um homem do povo. No presente esse discurso continua sendo utilizado por quem hora não compreende e hora não quer compreender que o padre não é um homem do povo, mas um homem para o povo. 

O homem do povo substancialmente fará aquilo que o povo espera dele, uma espécie de político, artista ou coisa parecida que fará de tudo para manter o seu posto de onde retira sua sustentação, seja ela financeira ou até mesmo de autoestima.

Se tornando assim um funcionário do povo, no caso do padre, um funcionário da Igreja, profissional de púlpito. Faça um exame de consciência e você vai perceber que mesmo sem querer você já tratou o seu pároco dessa forma ou já presenciou alguém o tratando assim e nada fez a respeito. 

Enquanto um homem para o povo, como um sacerdote precisa ser, é um homem que servi ao povo, mas tem como principal motivação agradar a Deus. O sacerdote não pode ser visto como um mero funcionário a serviço da paróquia, o sacerdote é um homem que foi retirado do meio dos homens para servir em nome de Deus, alguém que foi escolhido e ungido para agir em nome de Cristo. 

Isso não faz o sacerdote deixar de ser humano, passível de erros e defeitos, mas o coloca na posição de servir o povo por está a serviço de Deus. Enquanto a nós, leigos, devemos ser povo de Deus, aqueles que permitem que o padre seja padre. Pois, mesmo que com boa intenção, se com nossas palavras cobrarmos dos nossos sacerdotes uma vida de serviço a Deus, mas com nossas ações os tratamos como nossos servos, para nós restará apenas ouvir, 

“Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.”

(Mt 23, 28).

Percebam Deus nos pequenos detalhes. 

Graça, Paz e Misericórdia. 

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