Movendo-se pelo mundo como católico
Sobre a nossa culpa
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Dentre o turbilhão de coisas que comumente acontecem no mundo todos os dias, uma das notícias que tomou de assalto os veículos de impressa, comunidades católicas, páginas em redes sociais, podcasts e tantos outros meios foi a notícia de que a Colômbia havia legalizado o aborto até a 24ª semana de gravidez

A revolta de movimentos provida, de membros do clero e de fiéis foi visível e clara, cristãos de diversas partes do mundo consideraram isso um absurdo e parte da classe médica deixou claro que na 24ª semana a criança já teria condições de nascer e sobreviver como acontece com frequência entre bebês prematuros. 

O assunto do aborto já foi abordado aqui algumas vezes, seja pela maneira como nós cristão fomos permitindo que esse tipo de ação se tornasse comum, seja pela hipocrisia vivenciada entre as pessoas que defendem a morte, pelo entendimento do que é uma família tradicional ou pelas maneiras como a Igreja é perseguida. Mas como também já abordado antes, o comportamento das pessoas está cada dia mais animalizado a ponto que se torna preciso lembramos de um mandamento básico, que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso, mesmo não comungando dos preceitos judaico-cristãos reconhece como uma das bases que nos separa da barbárie generalizada, NÃO MATARAS

Mas se vocês estão lendo esse texto, é provável que vocês já saibam de tudo isso, então quero propor aqui um exercício básico de raciocino quantitativo, parecido com outros que fizemos juntos. Se você der um Google e buscar por países onde o aborto é legalizado, vai perceber uma coisa triste, eles são em sua maioria países com percentual de cristãos alto em suas populações, você pode pensar que isso é fácil de acontecer porque o cristianismo no geral é uma das maiores crenças do mundo atualmente. Pois só os católicos já representam 17% da população mundial. 

Se nós afunilarmos um pouco isso, para o caso da vez, não vamos encontrar nada muito diferente disso, a Colômbia é oficialmente uma nação de livre profissão de fé, mas em seu último levantamento aproximadamente 80% da população se declarou católica, se consideramos uma margem de erro de 10% (o que é uma margem de erro gigante), ao menos 70% da população do pais seria católica, o que em tese mostraria a maioria esmagadora da população contra o aborto, a final a Igreja é bem clara em relação a isso. Será que um quinto da população de uma nação está impondo a sua vontade sobre os outros quatro quintos? 

Essa resposta eu não tenho, mas eu tenho uma reflexão a esse respeito. Por todos os países pelos quais passei até hoje e por todas as pessoas que Deus me deu a graça de conhecer, posso afirmar que falta a nós católicos e de maneira mais abrangentes a maioria dos cristãos, como se diz em minha terra, um bom punhado de vergonha na cara. 

Quando você respeita, você defende. Quando você defende, você ama. Quando você ama, você conhece. Quando conhece, você respeita. 

O que vivemos hoje em muitas de nossas paróquias é um clico onde não respeitamos a Igreja, não a defendemos, não a amamos e não a conhecemos, catequese repletas de achismos e reuniões improvisadas, celebrações litúrgicas cheias de adornos inconvenientes e muitas vezes desrespeitosos que esvaziam a sacralidade da liturgia, grupos e movimentos centralizados em seus membros e em suas próprias vontades, músicos que desejam destacar-se mais que o próprio Cordeiro de Deus, filas extensas na comunhão contrastando com capelas de adoração empoeiradas e confessionários abandonados. 

O pecado e a morte se tornaram temas suprimidos por uma censura velada que expurga o número cada vez menor de padres que buscam falar sobre o tema, o sacramento da confissão e a penitência a cada ano se torna mais uma moda de temporada que nos bate a porta durante a quaresma, onde todos decidem falar sobre isso, como se a conversão fosse algo para se preocupar somente em um período específico do ano. Talvez você pense que essa é uma percepção exagerada, nesse caso eu lhe estímulo a pensar sobre o Natal e sobre a Páscoa, perceba que para a Igreja é um período, mas para muitos católicos é apenas um dia, talvez assim fique mais fácil de compreender. 

As coisas não acontecem da noite para o dia, se hoje acordamos com uma nação soberana nos dizendo que é legal matar uma criança com 24 semanas de vida é porque antes nós concordamos abertamente com o divórcio ignorando o sacramento indissolúvel do matrimônio, com o sexo antes do casamento ignorando o 6º mandamento, com o abandono de nossos idosos em asilos e com a mais nova tendência da eutanásia ignorando completamente o 4º mandamento e tantas outras “concessões” convenientes que fomos fazendo e tratando como normais para os tempos atuais. 

Se hoje, em um ritmo cada vez mais crescente, tantas nações ao redor do mundo estão legalizando o que outrora poderia ser considerado um crime hediondo, é porque o caminho para isso foi pavimentado e agora dentro das igrejas do mundo inteiro, eles estão lá, uma multidão de cristãos mal formados, repletos de “poréns” sobre diversas questões e que hoje olham para o 5º mandamento e dizem que depende, considerando que matar um ser humano incapaz de se defender pode ser considerada uma opção válida.  

Mas não desista, pesquise, aprenda, conheça a sua fé e em seguida busque ensinar alguém a fazer o mesmo, lembre que Jesus iniciou com 12 e atualmente somos 1 bilhão e 345 milhões de católicos espalhados pelo mundo, podemos não ser capazes de aumentar esse número com nossas ações, mas somos capazes de dar qualidade a ele, nós tornando mais conscientes da nossa fé e ajudando outros a assim se tornarem. 

Percebam Deus nos pequenos detalhes. 

Graça, Paz e Misericórdia. 

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